“Pedágios” Clandestinos Atormentam Caminhoneiros

A má fama de corrupção que é atribuída às autoridades paraguaias, principalmente àquelas relacionadas às instituições aduaneiras e à polícia, é conhecida muito além das fronteiras do país vizinho. Que o digam os profissionais do volante, que ganham a vida transportando pessoas e cargas pelas fronteiras da América do Sul.

Uma reportagem do Diário Última Hora, em parceria com o Centro Informativo Multimídia (CIM), constatou o que muitos dos caminhoneiros do Conesul sabem há longa data: o esquema de propinas nas fronteiras e estradas paraguaias segue firme e forte, mesmo apesar do “expurgo” promovido nos primeiros dias do atual governo paraguaio.

A reportagem em questão iniciou-se ainda em território brasileiro, com a equipe do diário abordando caminhoneiros de distintas nacionalidades no Posto Gasparim, conhecido ponto de encontro dos profissionais da estrada em Foz do Iguaçu.

Os repórteres instalaram, com o consentimento dos motoristas, câmeras ocultas em seus veículos, para flagrar a ação das autoridades paraguaias no momento dos pagamentos ilegais.

Logo ao cruzar a Ponte da Amizade, o motorista do caminhão, um brasileiro cuja identidade não foi revelada, foi abordado por um funcionário da Administração Nacional de Navegação e Portos do Paraguai (ANNP).

Sem muita conversa, o funcionário recebe do brasileiro uma nota de G$ 50 mil (R$ 20,00). O funcionário saca então um maço de dinheiro, possivelmente produto de propinas anteriores, devolvendo ao brasileiro o “troco” no valor de G$ 20 mil (R$ 8,00), tudo feito sem qualquer recibo.

Câmeras instaladas pela equipe de reportagem em outros quatro caminhões revelaram que funcionários da ANNP, da Diretoria Nacional de Trânsito (DINATRAN) e da Direção de Migrações também beneficiam-se dos pagamentos não-registrados.

Os relatos dos profissionais do volante dão conta de que, em geral, os brasileiros devem pagar G$ 30 mil (R$ 18,00), divididos entre a ANNP e a DINATRAN, além de R$ 10,00 pelo certificado de entrada legal no Paraguai.. Por sua vez, os caminhoneiros de nacionalidade paraguaia normalmente pagam G$ 16,5 mil (R$ 6,60) à ANNP.

Em outros pontos do território paraguaio, as cobranças são feitas com a emissão de recibos, porém, com valor inferior ao efetivamente pago pelos motoristas. Um exemplo desta prática ocorre no km 12 da Ruta VII, onde os caminhoneiros pagam G$ 23 mil (R$ 9,20), novamente, aos funcionários da ANNP, mas recebem um recibo do qual consta apenas o valor de G$ 16,5 mil (R$ 6,60).

Fonte: Sopa Brasiguaia




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