Empresários querem pacote para renovação da frota de caminhões

Caminhõs com mais de 20 anos fazem parte da rotina das estradas brasileiras




Caminhõs com mais de 20 anos fazem parte da rotina das estradas brasileiras

Brasília – Empresários do setor de transportes defenderam hoje (28) a criação de um plano de incentivos fiscais e financeiros para a renovação da frota de caminhões do país. A ideia é colocar nas ruas veículos mais ecologicamente corretos, adequados aos limites de emissões de poluentes regulados pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).

Segundo dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mais de 60% da frota de caminhões em circulação no Brasil tem mais de 20 anos. Além do benefício ambiental, o setor argumenta que a renovação da frota pode gerar aumento da produtividade e redução dos índices de acidentes nas estradas.

“Para o setor de transporte reduzir emissões é necessário ter equipamentos com boa qualidade e com boa tecnologia e isso só vai acontecer no Brasil de uma forma mais efetiva, com a retirada dos veículos mais antigos das ruas. A frota brasileira [de caminhões] com mais de 30 anos totaliza mais de 270 mil veículos”, afirmou hoje o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, durante a oficina Transporte e Mudanças Climáticas, organizada por entidades do setor.

O gerente executivo da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Mauro Simões, citou programas de renovação de frota no México, Alemanha e nos Estados Unidos e afirmou que a indústria automobilística no Brasil está pronta para atender à demanda de caminhões novos para substituir os veículos antigos ainda em circulação.

“Há um ano não havia caminhões disponíveis para a renovação da frota. Hoje, o mercado está pronto”. As emissões de poluentes em um veículo novo chegam a ser 5% menores que em caminhões antigos, segundo Simões.

De acordo com o diretor da CNT, o plano – que já foi apresentado aos ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – prevê a retirada escalonada dos caminhões para reciclagem. Em troca do veículo antigo, o proprietário receberia um bônus para comprar um mais novo, com até oito anos de circulação.

Para Batista, a intenção do governo de tornar obrigatória a inspeção veicular – o assunto será pauta de uma reunião extraordinária do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) no fim julho – pode ser uma oportunidade para a negociação do pacote para os caminhoneiros.

“A inspeção veicular tem que ser casada com a renovação da frota, tem que incluir linha de financiamento. Senão, você tira muitos caminhões da rua de uma vez e isso pode criar problemas de oferta de transporte e aumento do preço do frete”, argumentou Batista.

A secretária de Mudanças Climáticas e Qualidades Ambiental do MMA, Suzana Kahn, disse que possíveis incentivos à compra de caminhões devem ser analisados com cautela. “Há o risco de não renovar a frota e, sim, aumentar o número de veículos em circulação. Tem que haver garantia de sucateamento: à medida que se tem a entrada de novos tem que haver a retirada dos antigos”, avaliou.

A CNT também argumentou que a falta de infraestrutura de transportes no país impede que o setor seja mais sustentável. Segundo Batista, a má condição das rodovias eleva o consumo de combustível e, consequentemente, a emissão de poluentes, por exemplo. A entidade calcula em R$ 280 bilhões o total de investimentos necessários para melhorar a estrutura de transporte no Brasil. Até 2010, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê a aplicação de R$ 96 bilhões em infraestrutura logística, que inclui obras em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

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