Mulheres na pista: como é a vida das caminhoneiras

Essas 12 mulheres trocaram o conforto do lar pelas curvas sinuosas das estradas. Conheça algumas dessas profissionais




Essas 12 mulheres trocaram o conforto do lar pelas curvas sinuosas das estradas. Conheça algumas dessas profissionais

Elas trabalham dirigindo caminhões com carga pesada sem perder a feminilidade. Conheça um pouco a vida nas estradas do ponto de vista delas

 Há quem associe a profissão de caminhoneiro exclusivamente aos homens, mas aos poucos elas se destacam nesse cenário de viagens longas e veículos truculentos. A maioria começa não apenas por causa da paixão pela direção, mas também devido ao incentivo do pai, marido ou irmão – que, em alguns casos, chegam a ensinar o ofício às mulheres da sua vida.

Conta Elisabeth Lima de Souza, 52 anos: “Quando eu tinha 10 anos, meu irmão mais velho puxava madeira para as fábricas de papel e celulose e eu adorava aquilo. Aos 11 aprendi a dirigir e logo comecei a pegar a chave do caminhão para manobrar. Eu não sabia nada e a minha mãe achava que eu fosse desistir por conta da dificuldade. Que nada! Eu persisti, ele me ensinou e aos 18 anos, com a carta de motorista em mãos, já comecei a trabalhar”. Já Patrícia Concheski, 37 anos, está há 14 na labuta por conta do exemplo do pai e as aulas do marido.

A catarinense Maria Goretti leva o gosto pela estrada no sangue. Filha de caminhoneiro, ela foi concebida e passou parte da infância dentro de uma carreta
A catarinense Maria Goretti leva o gosto pela estrada no sangue. Filha de caminhoneiro, ela foi concebida e passou parte da infância dentro de uma carreta

A rotina

Alguns adesivos nas traseiras dos veículos avisam: “Sem caminhão, o Brasil para”. Afinal, eles transportam tudo aquilo que é necessário para a economia andar e a gente sobreviver, de comida à combustível. Por consequência, caminhoneiros e caminhoneiras fazem da estrada o seu lar para entregar produtos aos destinos mais longínquos. “Cheguei a passar três meses fora de casa, rumo ao Nordeste”, conta Elisabeth, que mora em Santa Catarina. Atualmente, ela fica no máximo dois dias fora, pois cumpre trajetos mais curtos, transportando matéria prima para eletrodomésticos.

A curitibana Patrícia Concheski, de 37 anos, faz questão de marcar seu nome na cabine do caminhão e deixá-lo bem feminino
A curitibana Patrícia Concheski, de 37 anos, faz questão de marcar seu nome na cabine do caminhão e deixá-lo bem feminino

Mas e a casa, como fica? “Meus filhos já são casados e não moram comigo e nos fins de semana meu marido me ajuda com aquela faxina completa! Durante os outros dias, ele lava roupa, limpa a casa, cozinha e faz até bolos deliciosos, só reclama da louça suja”, diverte-se Elisabeth, que tem em comum com outras mulheres que seguem a mesma profissão a aversão à maçante rotina doméstica.

É o caso de Ivana do Carmo, 41 anos, que conta com a ajuda de uma secretária do lar. Na lida há mais de 20 anos, ela carrega em seu caminhão tanque querosene, peróxido, asfalto… Medo das cargas perigosas? Nenhum! O que a assusta mesmo é a área de serviço: “Eu não gosto de ver nada sujo, mas também não gosto desse tipo de tarefa. O que amo mesmo é voltar para casa o mais rápido possível para dar um beijo no meu filho de 12 anos”, conta.

A vaidosa paranaense Maria Simone Speranseta, além de dirigir pelas estradas, ainda encontra tempo para participar de provas de competição. Ela sonha em participar do Rally Dakar
A vaidosa paranaense Maria Simone Speranseta, além de dirigir pelas estradas, ainda encontra tempo para participar de provas de competição. Ela sonha em participar do Rally Dakar

Família, filhos e amor

Assim como em qualquer ramo, há caminhoneiras casadas, com ou sem filhos, solteiras e separadas. O ofício não é empecilho para viver relações completas. “Quando conheci o meu marido, ele estava dentro de um caminhão, sempre passando em frente à minha casa. Decidida, não sosseguei enquanto não o namorei. E depois não sosseguei enquanto não aprendi a sua profissão, coisa com a qual ele concordou na hora. Passamos a viajar juntos, um atrás do outro e nas paradas nos postos de abastecimento, dormíamos no meu caminhão, que era mais organizadinho, mais limpinho. Os amigos tinham uma ponta de inveja, pois estavam sem as suas mulheres e ele podia ficar comigo”, conta Patrícia.

Ivana foi casada, já namorou depois da separação e se o homem certo aparecer, está decidida a dizer ‘sim’ outra vez, desde que ele seja companheiro e, acima de tudo, fiel. Mas ela garante que a paquera não rola na estrada. “Estamos ali a trabalho”, conta.

Com 52 anos, Elizabeth Lima já fez várias viagens com seus filhos no caminhão
Com 52 anos, Elizabeth Lima já fez várias viagens com seus filhos no caminhão

Suas companheiras de profissão concordam e torcem o nariz quando as coisas não saem dessa forma. “O meu sonho é que as mulheres entrem nesta profissão por amor, e não para conquistar liberdade, sair e namorar. As pouquíssimas que fazem isso envergonham a nossa classe”, garante a veterana Elisabeth, casada, que acredita que o relacionamento é construído com confiança e respeito, e tem três filhos – todos com mais de 18 anos, dirigem os seus caminhões e, no passado, viajaram muito com a mãe na boleia, especialmente nas férias escolares.
 
Território masculino

As caminhoneiras garantem que não há preconceito. “Os nossos colegas nos respeitam e até ensinam novos truques”, ressalta Patrícia. “Só uma vez fui ultrapassada e xingada por um outro caminhoneiro na estrada”, lembra Elisabeth. “Teve até perseguição e bate boca em um posto de gasolina. Mas essa foi a única vez”.

A curitibana Ivana do Carmo, de 38 anos, é apaixonada por andar pelo asfalto brasileiro. Filha e irmã de caminhoneiros, também namora um colega de profissão
A curitibana Ivana do Carmo, de 38 anos, é apaixonada por andar pelo asfalto brasileiro. Filha e irmã de caminhoneiros, também namora um colega de profissão

Embora elas devam impor respeito, a vaidade não fica de lado. “Só as roupas que não são tão femininas, pois é preciso estar confortável para dirigir”, explicam. Decotes estão fora de questão, assim como saias e blusas mais justas. A dupla jeans e camiseta é a maior tendência entre elas, mas o porta luvas sempre leva uma nécessaire com batonzinho, creme para as mãos e protetor solar. “Adoramos conhecer novas cidades, ouvir música sertaneja e pensar na vida ao volante, sem deixar de ficar bonita, né?”, arremata Ivana, caminhoneira feliz e com muito orgulho.

As caminhoneiras da matéria, junto a outras nove colegas, foram homenageadas pela empresa paranaense Tortuga, fabricante de câmaras de ar. Elas emprestaram suas imagens e suas histórias para o kit de agenda, calendário e cartão temático da empresa.

 Fonte: Ig Delas

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10 comentários em “Mulheres na pista: como é a vida das caminhoneiras

  • 09/08/2014 em 22:00
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    profissao perigosa mas a mas linda de todas um sonho a ser realizado

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  • 10/02/2013 em 19:54
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    boa noite a todos meu nome é jaqueline aparecida sabel kammers sou caminhoneira da transportadora atlas de joinville s.c gostaria de participar como essas mulheres e mostrar a todos que sentem vontade de ser uma caminhoneira que não desistam de seus sonhos e busquem pelos seus objetivos.Abraços a todos

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  • 11/03/2011 em 00:15
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    Olá…

    Sou Mari de Osasco/SP

    Advogada, professora, dirijo automóvel e piloto moto há mais de 30 anos, tenho 54 aninhos de idade e estou louca prá cair na estrada…pesquisando na net, encontrei esta excelente matéria que me motivou ainda mais! Parabéns ao editor e obrigado pelo incentivo. Tô voltando prá auto-escola.Cumprimento a todas as minhas futuras companheiras pelo arrojo e responsabilidade!
    ‘qualquer dia amigas a gente vai se encontrar’…té lá!!!!

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  • 03/12/2010 em 08:36
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    bom dia gostaria de ser caminhoneira, e parabeniza-la todas por esta profissao tao intensa.
    Att,

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  • 13/11/2010 em 22:49
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    boto fe nessa mulheres queria q minha mae fosse assim dou a mnhor moral
    elas viagão o mundo todo e nem reclamão
    essas sim e boa

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  • 27/09/2010 em 14:09
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    nosssa esse é o meu maior sonho ser um dia caminhoneira.e vou lutar com toda minha garra pra consegui esse objetivo na minha vida sei q vou consegui.parabens pra todas vcs q ja alcansarão esse sonho e q vcs continui essas guerreiras q vcs são,eu sou louca por caminhao,se um dia eu consegui vai ser uma grande conquista na minha vida,so q aq onde morro tem muito preconseito mulher,so homem pode so eles tem valor so eles tem capacidades de consegui essa profissão,mais um dia vou consegui nem q seja a ultima coisa q eu faça da vida,sabe porq,porq é um sonho e sonos tem q se realisar bjusssss pra todas q ama caminhão de verdade como eu amo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  • 29/07/2010 em 20:32
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    Eu queria parabenizar todas essa guerreiras que são essas mulheres e que elas nunca desanimem nem por preconceito de algumas pessoas e nem por obstaculos que iram aparecer… Vou tirar minha CNH E se deus quiser e quero deixar bem claro que quem está mandando não são mais os homens e sim as mulheres..
    sucesso pra todas carreiteiras!!!

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  • 10/11/2009 em 11:49
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    OLÁ GOSTARIA DE DAR OS PARABÉNS A TODAS AS MULHERES QUE TEM CORAGEM DE DIRIGIR CAMINHÃO.
    JÁ TRABALHEI COMO MOTORISTA DE ÔNIBUS, MINHA CARTEIRA É “E”, ESTOU PROCURANDO EMPREGO DE MOTORISTA DE CAMINHÃO EM SANTA CATARINA.
    SEI QUE VOU CONSEGUIR, E SER MAIS UMA DAS BRAVAS MULHERES CORAJOSAS DESTE BRASIL. QUE AINDA VÃO DAR MUITO ORGULHO A TODOS.
    UM GRANDE ABRAÇO A TODAS AS CAMINHONEIRAS.

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  • 04/11/2009 em 13:51
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    Olá Parabens tds as mulheres caminhoneiras desse nosso brasil.
    Tenho 27 anos aprendi a dirigir caminhão aos meus 13 anos, hoje ja tenho minha cardeira D, agora estou passando pra Cat. E, se Deus quizer, no final do ano ja estou de volta nas estradas. E digo uma coisa pra tds mulheres que não desanimem com a primeira problema que encontrarem, pois vale uma lagrima derramada pela derrota, do que vergonha de não ter lutado.
    Bjssss até

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  • 28/09/2009 em 13:20
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    Olá, queria primeiramente parabênizar as mulheres caminhoneiras desse nosso Brasil… que leva o progresso por esse chão brasileiro…
    Eu tenho 15 anos e já estou aprendendo a pilotar um possante… meu tio é caminhoneiro e pretende ser também. Já tenho algumas manhas no volante, mais ainda é pouco.
    Pretendo prestar vestibular para Direito e seguir a profissão de caminhoneira ou narradora de rodeio… Espero que eu seja persistente como todas essas mulheres.
    Bjssss e parabêns mais uma vez…

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