Animais silvestres correm perigo em estradas movimentadas




Tornar possível a convivência entre homens e animais selvagens nas nossas estradas é um desafio. Por enquanto, os animais estão perdendo feio. O crescimento desordenado das cidades tira o espaço que deveria ser dos bichos.

Os bichos, que não entendem a lógica humana, acabam atropelados, machucados, aprisionados. Só mesmo a ação do homem para proteger quem não tem como se defender.

O policial rodoviário alerta os motoristas: há vidas em risco. É uma família de patos selvagens que decidiu atravessar a pista e recebe escolta para chegar ao outro lado. Mas eles voltam para a estrada. Desta vez é o funcionário da concessionária que se arrisca para salvar as aves. Elas escapam por pouco.

As imagens foram registradas pelas câmeras de monitoramento de uma das rodovias mais movimentadas do país: a Anhanguera, que liga a capital paulista ao estado de Minas Gerais. O homem que aparece nas imagens é José Rodrigues de Oliveira. Ele trabalha há mais de 10 anos como inspetor de tráfego.
Esse dia José nunca vai esquecer: “Naquele momento a gente se sente o salvador da pátria. É uma emoção grande. São animais que estão praticamente em extinção. É muito gfratificante”.

A ONG Mata Ciliar, em Jundiaí, interior de São Paulo, recebe várias espécies de animais silvestres atropelados nas rodovias da região. Os macaquinhos de olhar assustado perderam a mãe. Os funcionários da entidade tratam deles como se fossem bebês.

A jaguatirica assusta, mas foi criada na jaula e não pode mais ser devolvida à natureza. Ela e o filhotinho de gato-do-mato são órfãos. Perderam as mães, atropeladas e mortas numa rodovia. O mesmo aconteceu com onças-pardas, que já estão na sede da ONG há oito anos. O número de atendimentos não para de aumentar.

Em 2007, 581 animais foram encaminhados à entidade. Em 2008 o número quase dobrou, 1074. Só nos primeiros seis meses deste ano foram 449: 10% deles não sobrevivem. Mas a maioria se recupera e é devolvida para a Mata Atlântica.

O casco do Jabuti teve que ser costurado com fios de aço e depois coberto resina de dentista
O casco do Jabuti teve que ser costurado com fios de aço e depois coberto resina de dentista

Alguns animais chegam tão machucados que não têm condições de voltar para a natureza. É o caso do jabuti. Foi atropelado por um caminhão e quase morreu. O casco teve que ser costurado com fios de aço e depois coberto resina de dentista.

Um terço das espécies trazidas para a entidade passa a viver em cativeiro. Um problema que preocupa os ambientalistas. A sede da ONG se transformou em uma espécie de zoológico de animais mutilados. Já são mais de 200 nos viveiros e gaiolas. Pelos menos os patinhos tiveram melhor sorte.

“O motivo é o desmatamento. A ocupação desordenada, há cada vez mais estradas atravessando florestas, cada vez mais condomínios fechados, desmatamento para crescimento urbano. Os animais não têm saída. É uma travessia que fariam normalmente, mas encontram estradas no meio”, alerta a veterinária Karen Cristine Bueno.

Para evitar um acidente com animais em estradas, diminua a velocidade quando atravessar parques e reservas ou quando passar próximo de áreas verdes ou rios. Cuidado especialmente ao anoitecer. Esse é o horário em que os animais costumam estar mais ativos.

Fonte: Portal MS

Inscreva-se




Deixe sua opinião sobre o assunto!