Centenas de operários constroem uma das mais importantes obras de Maringá-PR

Em verde mostra onde será o contorno




Em verde mostra onde será o contorno

São 600 homens encarregados de ajudar a construir o progresso de Maringá. Eles fazem parte da frente de trabalho que está dando forma ao Contorno Norte, rodovia que deve absorver o fluxo de caminhões que hoje têm de atravessar o perímetro urbano. A obra está na lista do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e prevê investimentos de R$ 143 milhões.

O Contorno Norte é a obra que mais emprega trabalhadores na cidade. Nele, trabalham gente de Sarandi, Paiçandu, Maringá, Nova Esperança, Mandaguaçu, Mandaguari, Astorga, Iguaraçu e de outros Estados, como Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso. São peões — assim são chamados nos canteiros de obras — experientes, que já construíram estradas Brasil afora, e inexperientes, que são treinados pelos encarregados da obra e pelos colegas de trabalho.

Máquinas e funcionários trabalham, hoje, nas fundações para a construção de pontes e viadutos. Uma das construções que mais chama atenção de quem passa pela BR-376 é o viaduto que está sendo construído no limite entre Sarandi e Maringá. Foi lá que encontramos, em um dia ensolarado e quente — nada típico de inverno —, o carpinteiro Ademir Ferreira da Silva, 49 anos; um dos 30 operários que trabalham no viaduto. A previsão de engenheiros é que em dezembro o viaduto esteja pronto.

Ademir Silva ajuda a montar estrutura de madeira onde será um viaduto
Ademir Silva ajuda a montar estrutura de madeira onde será um viaduto

Experiência subaquática

Desde maio, Silva integra o time de operários que está construindo a rodovia. Experiência no ramo ele tem. Começou neste tipo de trabalho aos 26 anos. Já esteve em Sinop (MT) e São Paulo. No Centro-Oeste, ajudou a erguer uma ponte de 240 metros de extensão sobre o Rio Teles Pires. A maior parte do trabalho era feita embaixo d’água. Tinha de vestir roupa de mergulhador e carregar um tubo de oxigênio nas costas. “Muito peixe grande e bonito passava do meu lado”, diz ele. “E não é história de pescador.”

No mesmo canteiro de obras trabalha o carpinteiro Benedito Messias dos Santos, 51, há quatro meses no ofício. Consciente do papel que desempenha na obra tão aguardada pela cidade, o operário sente-se orgulhoso de fazer parte da história de Maringá. “É fantástico saber que eu ajudei a construir essa rodovia.”

O mesmo sentimento ele já experimentou na construção de outras obras grandiosas. Um exemplo foi a barragem da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, localizada na Bacia do Rio Paraná, no município de Rosana (PR). Lá, ele trabalhou durante cinco anos na década de 80. Santos ajudou também a construir o túnel do Novo Centro de Maringá. Em 2007, deixou o Brasil para trabalhar na barragem de um gasoduto na Argentina.

Fé , oração e trabalho

No canteiro de obras, o dia começa cedo, às 7 horas. Os peões chegam de carro, de moto, de ônibus e de carona. Silva, que mora na Vila Morangueira, prefere encarar o transporte coletivo para economizar no final do mês. “Se vier de carro, o salário vai todo para pagar combustível”, diz. Antes de partir para a empreitada, os operários se reúnem para uma oração. Formam um círculo, rezam o Pai Nosso e pedem proteção para enfrentar mais um dia de trabalho. Sob a proteção de Deus, partem para a jornada, que vai terminar às 18 horas.

A tarefa diária de Silva e Messias, no estágio atual da obra, é montar a estrutura de madeira do viaduto, que está sendo erguido na saída para Sarandi. Os caules de eucalipto compõem a estrutura inicial. Depois virão ferragens e concreto. O mineiro Valmir José dos Santos, 52, é o responsável pelo ‘setor’ de armação da obra. O trabalho dele é supervisionar os mais de 50 operários que montam as estruturas de ferro e concreto para pontes e viadutos do Contorno. “Esta é uma obra muito importante para as pessoas que moram aqui (em Maringá). É bom saber que essa obra tem a mão e o trabalho da gente.”

Santos é natural de Belo Horizonte (a 1.216 quilômetros de Maringá) e quando não está ajudando a construir estradas em outros Estados, mora com a mulher em uma casa na capital de Minas Gerais. A residência temporária atual é no alojamento, disponibilizado pela empresa que toca as obras do Contorno, localizado no Parque das Grevíleas. Ele divide a casa com mais oito peões.

Santos já ajudou a construir oito pontes na BR-381, a rodovia Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo.

Arroz, feijão e carne

Ao meio-dia, os peões interrompem o trabalho. É hora do almoço. A construtora, responsável pela obra, serve as marmitas. A refeição é a mesma para todos os operários. Na segunda-feira (3), o prato do dia era arroz, feijão, bisteca e salada. “Se a comida é boa? É sim, se não fosse, os peões reclamavam”, elogias os carpinteiros. Abrigos de madeira foram erguidos em todos os canteiros de obras. É lá que os operários fazem as refeições. Depois do almoço, ainda dá tempo de tirar um cochilo para revigorar as forças. Às 13 horas, o trabalho recomeça.

De casa, alguns trazem uma garrafa de café. No caso de Silva, quem prepara a bebida é a mulher dele, Roseli, que é enfermeira. Ela acorda bem cedo e prepara o café do marido, bem forte, como ele gosta. “Tem que tomar uns golinhos de café durante o dia, senão não dá né”, descontrai.

Maria, a única mulher na obras

Maria Aparecida, devota de São Cristóvão, tem a companhia de dois filhos
Maria Aparecida, devota de São Cristóvão, tem a companhia de dois filhos

Maria Aparecida Lopes Scarabelli, 52 anos, é a única mulher que trabalha na construção do Contorno Norte de Maringá. Ela é responsável por dirigir um dos caminhões que transporta terra ao longo da obra. Já trabalhou na terraplanagem e no asfaltamento dos jardins Europa e Olímpico — onde mora hoje —, também em Maringá. Na época, exercia a mesma função que agora: dirigia o caminhão que fazia o transporte de pedras e terra. “Gosto de andar suja”, brinca.

Natural do Estado de São Paulo, Maria Aparecida está em Maringá há sete anos. Veio para um passeio, gostou da cidade, decidiu procurar emprego e se instalou de vez por aqui. No interior paulista, ficava mais na estrada do que em casa. Foi motorista de caminhão baú, transportou leite, açúcar, combustíveis e passageiros. “Fui motorista de ônibus de transporte coletivo por um ano e cinco meses em Maringá; foi o meu primeiro emprego aqui.”

Antes de ligar o caminhão e partir para mais um dia de trabalho, ela reserva tempo para as orações. Católica, Maria é devota de Nossa Senhora Aparecida e de São Cristóvão, o santo protetor dos motoristas.

O interesse por caminhões, segundo ela, começou na infância, no interior de São Paulo. “Quando criança, nunca gostei de brincar com bonecas”, conta. “Preferia carrinhos e caminhões. Arrastava os brinquedos com um barbante no sítio onde morávamos.”

Hoje, é mãe de três filhos. Um mora em Bauru (SP). Os outros dois trabalham junto com ela na construção do Contorno Norte. “É uma honra ajudar a erguer essa rodovia.”

Fonte: Diario de Maringá

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