Com 150 GPs, Martins é a história viva da F-Truck

 Paulista relembra Aurélio, histórias, dramas, sonhos e fala do futuro da categoria

Renato Martins e seu Volkswagen Constellation




Renato Martins e seu Volkswagen Constellation

Se a Stock Car tem Ingo Hoffmann, a F-Truck tem Renato Martins.

A história deste paulista, cuja idade ele não revela nem sob tortura, se confunde com a da categoria, tanto que ele é considerado a “identidade” do campeonato.

Assim como o eterno parceiro Aurélio Batista Félix  criador da Truck, falecido em 2008 , Martins veio das estradas: foi caminhoneiro e chegou a ter uma empresa de compra e venda de peças.

E não demorou muito para os dois transformarem em realidade o sonho de ver caminhões correndo na pista, em 1996. De lá para cá, foram dois títulos, 27 vitórias, 18 pole positions e 150 GPs, que foram completadas no final de semana de 19 de Julho, em Interlagos.

“Vou aguentar mais 150 corridas”, comentou Martins, durante a celebração da marca inédita, com direito a champanhe e bolo.

Neste clima de descontração, o piloto comentou sobre os primórdios da Truck. “Fizemos nossa primeira apresentação em 1994, aqui em Interlagos. Em 1995, realizamos quatro corridas com poucos caminhões e ganhei duas delas. Até que, em 1996, disputamos o primeiro campeonato e fui o primeiro campeão”.

Muitas histórias, muitos sustos

Giaffone, Martins, Villeneuve e Rodrigues
Giaffone, Martins, Villeneuve e Rodrigues

Mas, ao mesmo tempo em que Renato guarda grandes lembranças, existem muitas histórias de preocupações e sustos com os acidentes da Truck  que, quando acontecem, são de grandes proporções.

Um dos mais marcantes foi um que o paulista não participou: o acidente coletivo em Campo Grande, no ano de 2005, que envolveu mais de 15 caminhões. “Era pole e fiquei vendo o bate-bate no espelho. Tanto que até passei reto na primeira curva por causa disso. Era um “tsunami” atrás de mim, e me deixou muito preocupado. Só sosseguei quando vi que a maioria estava inteira”.

E não foi só em corridas que Martins se assustou. “Um acidente que me preocupou bastante foi o do Adalberto Jardim, durante treinos em Londrina. Estávamos testando um caminhão novo, que estava ótimo. Eu cansei de treinar, não quis mais, e falei para o Jardim dar mais umas voltas”.

“No entanto, faltou freio e o caminhão foi se desmanchando. Fiquei vendo aquela cena acontecer com agonia. Ele quebrou o pulso nesta pancada”, destacou.

Família unida dentro e fora das pistas

Outro destaque interessante de Renato Martins é o fato de correr “em família”. Casado com Débora Rodrigues, famosa por ter sido capa da Playboy em 1997, não demorou muito para Martins convencer a mulher a correr.

E, família que corre unida, bate unida: “Uma situação interessante e preocupante aconteceu na etapa de Tarumã. Durante uma corrida, a Débora capotou na curva nove e, como estava na corrida, não pude ajudar e só sosseguei quando consegui falar com ela no rádio. Só que aí, logo depois, eu que capotei na curva do Laço”.

“É uma sensação desagradavel, capotar. Esse acidente me chamou a atenção por ter acontecido com nós dois. Por isso que, nos últimos 13 anos, nos preocupamos demais com a segurança.”

Caminhão ou carro de corrida?

Testemunha ocular da história da F-Truck, o piloto da Volkswagen diz acreditar que a categoria está longe de ser perfeita  no bom sentido. “Existe muito espaço para a categoria evoluir”.

“Acho que falta mais apoio de patrocinadores. O retorno que damos é imenso”, destacou Renato, que só acreditou no potencial do campeonato ao, curiosamente, abandonar uma prova. “Na primeira corrida, achava que corrida de caminhão era uma coisa chata de se ver. Mas teve uma vez que abandonei, fiquei vendo pela televisão e me peguei torcendo!”

“O público é algo impressionante. Em 13 anos, a F-Truck nunca caiu, sempre cresceu, e toda etapa é uma festa em torno do autódromo.”

Para Martins, existe um ponto onde não se pode descansar em nenhum momento, mesmo em situações financeiras difíceis: “A segurança está sempre melhorando e poderia avançar mais, mas a crise atual impede. Para se ter uma ideia, os caminhões tinham faróis e cabine leito em 1996. Além disso, há a segurança com o público: barreira nenhuma segura um carro com 4,5 toneladas a 200 km/h”, destacou.

“Hoje é um carro de corrida, que corre demais. O acerto já é uma coisa específica de corrida, uma coisa que nunca pensava que aconteceria com a categoria.”

O futuro da Truck sem Aurélio

Falar de Aurélio Batista Félix deixa Renato Martins emocionado. Ao falar do companheiro, era visível a mudança de comportamento do piloto, que abriu um sorriso ao lembrar as inúmeras histórias que já viveram juntos.

“Convivi com ele. Sou um dos fundadores da categoria junto com ele. Já brigamos muito e um impulsionava o outro. É uma pessoa de visão incrível, um criador. Ele faz muita falta para todos da Truck”.

Sobre a saúde da F-Truck, Martins acredita que a família de Aurélio está fazendo um ótimo trabalho: “A Dona Neusa está dando uma grande continuidade. Neste primeiro ano sem o Aurélio, a coisa está rendendo”.

No entanto, o piloto descarta a ideia de a Truck ser vendida de uma hora para outra: “A Truck é uma categoria muito sólida. Por exemplo: se ela fosse vendida para você, você teria de me contratar, assim como todas as outras equipes. Os times são tudo uma coisa só, sem eles não tem F-Truck. Existe muito falatório nisso tudo”

Sonhos e aspirações

Martins assegura que sua vida no automobilismo se restringe apenas aos caminhões. “Não tenho idade para me arriscar em outro campeonato”, disse.

“Penso em ser dono da minha equipe, pois a molecada hoje em dia acelera como eu. Brinquei até com o Villeneuve: se ele pegasse o caminhão e fizesse um tempo mais baixo que eu meu, eu pararia de correr”, brincou.

E, se Martins tem um grande sonho, este é ver a esposa terminar uma prova na primeira posição. ‘Ela já chegou na minha frente, e faço de tudo para ele vencer. Mas teve umas vezes que ela deixou a desejar, e tenho uma história interessante”.

“Em uma corrida em Brasília, eu larguei na pole, com o Roberval em segundo e a Débora em terceiro. Larguei atrapalhando ele, só para deixar ela passar. Ela chegou a passar a gente, mas se empolgou e bateu logo de cara. Ganhei a corrida, mas fiquei triste, pois estas chances são poucas”, encerrou Martins, despedindo-se com uma garrafa de champanhe nas mãos para levar aos mecânicos da equipe, concentrados no trabalho em cima dos quatro caminhões da equipe.

Renato Martins e a esposa, Débora Rodrigues
Renato Martins e a esposa, Débora Rodrigues

Fonte: Tazio

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4 comentários em “Com 150 GPs, Martins é a história viva da F-Truck

  • 01/03/2012 em 17:33
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    muito obrigado pelo resposta o senhor e um bom rapas mas u senhor com todo respeito o senhor não conhece o renato e nem a debora rodriges ou se o senhor tem o numaro da formula truck eu ti pesso di coração se o senhor estiver alguma coisa o senho pode mi falar por favor

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  • 24/02/2012 em 14:04
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    oi meu nome e leonardo almeida serafim tenho 13anos e eu sou muito fã da formula truck sou tambem seu fã e fã da debora e eu num perco nenhumas corridas eu sou apaixonado por caminhão e o meu pai e caminhoneiro e os meus tios tambem e eu dirijo carro e qualquer tipo de caminhao e carreta mas u meu grande sonho mesmo e de ser da formula truck eu ja mandei varios gmail para vcs para ver se vc conseguise a realisar este meu grande sonho e tem muitas pessoas que falam que eu nunca vou conseguir entrar para a formula truck por que so quem consegue e so pessoas ricas e eu fico mito chateado com isto mas eu ti pesso de coração que o senhor renato venha a realisar este meu grande sonho de ser da formula truck eu espero a resposta anciosamente .um grande abraço para vc e sua familia

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    • 24/02/2012 em 16:50
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      Leonardo, boa tarde!

      Sou Rafael Brusque, dono do Blog do Caminhoneiro, e, infelizmente, não tenho nenhum vínculo com a Fórmula Truck, apenas faço a divulgação de notícias.

      Boa sorte com seu sonho.

      Abraço

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