Dia dos pais – O pai caminhoneiro

Pai, mãe e filha em 2007




Pai, mãe e filha em 2007

A vida do caminhoneiro Milton Azevedo, 48 anos, nem sempre foi de aventuras, liberdade e olhos perdidos em paisagens exuberantes. E isso por causa de alguém que nem sempre pode acompanhá-lo nas viagens: a filha Sabrina, que hoje tem 19 anos e trabalha como auxiliar de recursos humanos. “Muitas vezes meu pai saia para viajar chorando. A gente sempre foi muito apegado”, revela a jovem, que é filha única.

Tem muito caminhoneiro que faz longas viagens e fica até dois meses fora de casa. Milton sempre fez questão de escolher viagens mais curtas em que ficasse no máximo quatro dias fora de casa. Mesmo assim, Sabrina sofria com a falta do melhor amigo. Tanto, que certa vez resolveu ir junto com ele em uma viagem para o Mato Grosso. Ela tinha apenas cinco anos e nem fazia ideia do tamanho do Brasil. Mas o tamanho do seu amor ela já sabia qual era. Nos dias em que esteve ao lado de Milton no caminhão, prometeu que daria cem beijos diários no pai, só para não dar chance à saudade. A promessa foi cumprida, sem nenhum sacrifício.

Sabrina cresceu sabendo que o pai é caminhoneiro e que o trabalho dele é ir e voltar das estradas. Assim, desenvolveu também a noção de que tudo e todos na vida podem ir e voltar. Mas a vontade de abraçar o pai nunca deixou de existir. E, quando ele entrava em casa, correr para grudar no pescoço dele era a prioridade. “Quando minha mãe estava grávida de mim, ele prometeu que voltaria para me ver nascer. Dito e feito. Quando minha mãe começou a sentir as contrações e sabia que eu estava para nascer, meu pai apareceu para ver a hora que eu vim ao mundo”, relata Sabrina, emocionada.

Milton aproveita cada instante em que está em casa para ficar ao lado da filha. “Quando Sabrina era pequena, eu me tornava uma criança ao lado dela. Brincávamos de escon- de-esconde, pega-pega e andávamos de bicicleta”, relata o pai. A filha con-firma: “Ele sempre foi muito presente e sua falta nunca foi motivo de dor para mim, apenas de saudade”. Pai e filha garantem que nenhuma distância vai amenizar o sentimento que sentem um pelo outro. “Se eu me tornar metade do que meu pai é, já estarei feliz. Ele é um verdadeiro batalhador que eu admiro muito”, declara.

Foi por causa de um contratempo, desses que ocorrem no jornalismo, que a equipe de “A Notícia” não conseguiu aproveitar a noite de folga de Milton em Joinville (na sexta-feira, dia 31 de julho) para fotografar ele com a filha. Mas quando existe amor numa história sempre se dá um jeito. Foram reproduzidas fotos do arquivo pessoal da família, para ilustrar a reportagem. A foto acima é de 2007.

Fonte: A Notícia

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