Mato Grosso perde R$ 1 bi na economia com estradas ruins




O assunto é recorrente, mas serve de alerta ao atual Governo e ao que vai chegar no ano que vem. Especialmente em tempos em que a agricultura entra em xeque diante dos aspectos da preservação ambiental. A cada safra, a sojicultura, principal atividade econômica do Estado perde R$ 1 bilhão devido à precária logística de escoamento de Mato Grosso. Logística leia-se falta de estradas adequadas e também o próprio sistema de carregamento e transbordo do produto. São divisas que deixam de circular no bolso dos produtores e que se evadem da economia estadual, cujo desempenho é diretamente atrelado à performance do campo.

Esse cenário está a indicar que em que, em pouco tempo, não haverá mais condições de dar vazão à produção agrícola mato-grossense – que tem potencial de ampliação no volume de grãos de até 50% sem abrir um hectare sequer.”A falta de logística consome a renda agrícola, o que leva as entidades do segmento a atuarem também na busca por soluções para o fim dos gargalos”, frisa o coordenador da Bienal dos Negócios da Agricultura, Ricardo Arioli Silva. A preocupação com o tema é tão grande que novamente o assunto integra a programação do evento, focado na “Renda Agrícola” nesta edição.

Consideradas como um problema aparentemente sem solução, só as perdas no transporte do grão representam estatísticas consideráveis e um tanto quanto assustadoras. Das cerca de 17 milhões de toneladas de soja que Mato Grosso produz anualmente estima-se que 0,3% se perdem, ou seja, 51 mil toneladas do grão ficam às margens das rodovias. Segundo cálculos da Central de Comercialização de Grãos (CentroGrãos), da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), significa um prejuízo de US$ 19 milhões por ano para o setor.

Recentemente o  diretor da CentroGrãos, João Birkhan, lembrou que o problema vem de muitos anos e não há notícias de que algo esteja sendo feito para solucioná-lo. “Os números são significativos, pois estamos falando de um prejuízo de US$ 19 milhões em função de um produto que se perde nas estradas do Estado e do país até chegar ao seu destino final. Se formos pontuar o maior culpado para esses prejuízos, com certeza as péssimas condições das nossas estradas seriam o principal” – frisou.

Entre as BRs 163 e 364, os dois principais eixos rodoviários do momento em Mato Grosso, passam aproximadamente 10 mil caminhões por dia, numa rodovia que foi projetada para suportar a metade desse volume. Sendo que um terço dessa frota de caminhões tem mais de sete eixos, cada um deles com peso de dez toneladas – a pista que foi construída para suportar seis toneladas. E as perdas se sucedem ai. Na época de colheita chega a faltar caminhões para o transporte, com isso o produtor não tem muita escolha e contrata os que estão disponíveis.

Realizada pela Famato de 19 a 21 de agosto, a Bienal dedica um painel ao tema na manhã do dia 21, que busca entender a influência dos gargalos de logística sobre a produção agrícola. O vice-presidente Leste da Aprosoja, Marcos da Rosa, fará uma palestra sobre “As alternativas de Logística de Transporte em Mato Grosso: como o produtor se beneficiará?”. Em seguida, um painel de discussão será formado, coordenado pelo presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Carlo Lovatelli – entidade parceria do evento.

Entre os debatedores, já confirmaram presença Paulo Capriolli, da Vale do Rio Doce, Luiz Antônio Pagot, diretor geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Homero Pereira, presidente da Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem (Frenlog), Fernando Antônio Brito Fialho, diretor geral da Antaq, e Biramar Nunes de Lima, Secretário Executivo da Câmara Temática de Infra-Estrutura e Logística do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Fonte: 24 Horas News




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