Nova gripe muda rotina de caminhoneiros no Rio Grande do Sul




A primeira morte registrada no país em decorrência da nova gripe, em 28 de junho, foi a de um caminhoneiro gaúcho. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, ele havia viajado para a Argentina, onde foi contaminado. Depois dele, pelo menos outros três profissionais foram vítimas da doença no estado.

Para quem viaja entre as regiões que confirmaram casos da doença e mortes, já foi feito o alerta. “Quem tem condições, está evitando seguir até áreas de fronteira”, disse ao G1 o presidente da Federação Interestadual dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Fenacam), Diumar Bueno.

Ele conta que a entidade está realizando uma campanha de orientação sobre a nova gripe e distribuindo kits, com máscara e álcool em gel, para os motoristas que seguem para áreas de risco. “Também estamos disponibilizando cartazes e panfletos em vários pontos, para dizer quais são os sintomas e o que ele [caminhoneiro] deve fazer se sentir alguma coisa.”

O caminhoneiro Luciano Rogério da Rosa Javarez, 38 anos, passou a carregar máscaras no painel de seu caminhão durante as viagens que faz pelas rodovias da Argentina e do Brasil. “Agora, com esse problema de gripe no mundo, eu tenho de andar com as máscaras para me proteger. Uso mesmo quando estou nos portos secos e em aglomerações.”

A Fenacam distruibuiu 1,7 mil frascos de álcool gel, 8,5 mil panfletos didáticos e 3,4 mil máscaras de proteção para caminhoneiros de 17 sindicatos do estado.

Javarez diz que costuma circular pelas rodovias BR-287, BR-472 e BR-290, que cortam o Rio Grande do Sul. “Semana passada viajei com meu filho de 14 anos, que está de férias escolares por causa da nova gripe. É melhor ele seguir viagem comigo do que ficar em casa.”

Profissional de risco

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), José Carlos Silvano, dois fatores contribuem para os registros de morte entre profissionais dessa categoria: os caminhoneiros viajam por regiões que registraram muitos casos da doença e não costumam acompanhar o noticiário com a mesma freqüência que pessoas que ficam mais em casa.

Ele diz que procurou autoridades de Saúde logo depois que os primeiros casos foram registrados. “Desde então, temos uma campanha de orientação para os caminhoneiros, principalmente porque, se eles passam mal, preferem procurar médico na cidade em que moram e esperam chegar em casa”, disse Silvano. “No caso da nova gripe, a demora no atendimento pode ser perigosa. Nos primeiros casos de morte, tivemos informação que as vítimas não procuraram rapidamente uma unidade de saúde.”

Silvano conta que, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Secretaria Estadual da Saúde, estão sendo distribuídas máscaras nos portos secos da região de fronteira e formulários.

Rotina alterada

Francisco Cardoso, diretor do Setcergs e da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), diz que a rotina nas empresas do setor mudou. De acordo com ele, entre as medidas tomadas, está a distribuição de luvas e máscaras para os funcionários (internos e externos) e orientações sobre higienização. “Os caminhoneiros e outros trabalhadores têm contato com dinheiro e documentos que passam de mão em mão. Por isso, é necessário que eles lavem as mãos com frequência e tomem cuidados com a higiene.”

Mas, apesar da mudança nos hábitos, Cardoso e Silvano dizem que não houve prejuízo por causa da nova gripe. Silvano disse que o movimento de cargas teve queda de cerca de 30% na fronteira, desde o fim do ano passado, por causa da crise mundial. “Só está sendo levado o essencial. Por isso, não tem mais como reduzir.” Por dia, passam pela região de fronteira do Rio Grande do Sul (principalmente Uruguaiana e São Borja) entre 700 e 800 caminhões.

Fonte: Circuito Mato Grosso

Inscreva-se




Deixe sua opinião sobre o assunto!