Um plano para recuperar R$ 25 milhões

Embarque "emblemático"




Embarque "emblemático"

Dias atrás, um caminhão que saiu de Piraquara, região metropolitana de Curitiba, com destino ao porto de Paranaguá, chamou a atenção de muita gente. No lado externo do contêiner, uma enorme faixa estampava a seguinte mensagem: “Pneus usados inservíveis – exportação para a Europa”. O embarque de cerca de seis mil pneus para a Inglaterra marca apenas um capítulo numa história cheia de idas e vindas.

Tudo começou em 2000, quando a BS Colway Pneus deu início à fabricação de pneus remoldados – ou seja, feitos a partir de pneus usados importados da Europa. De lá até outubro de 2007, a empresa esteve amparada por decisões judiciais, já que desde 1991 o governo federal proíbe a importação de pneus usados. O argumento é de que os países desenvolvidos estão exportando lixo. No fim de 2007, uma decisão do Supremo Tribunal Federal decretou o fim das atividades da BS Colway como importadora de pneus usados. A companhia se viu obrigada a praticamente fechar as portas: 1.200 funcionários foram demitidos e a operação quase foi instalada fora do Brasil. Hoje, a BS Colway, na prática, não existe mais. Tornou-se Átila Pneus, que importa e revende pneus novos da Maxxis – multinacional taiwanesa que é a 12º fabricante mundial. Com apenas 70 empregados – quase 15 vezes menos que a BS Colway -, a Átila fatura praticamente os mesmos R$ 200 milhões que a antiga empresa quando produzia 2,2 milhões de pneus ao ano.

Se com a nova empresa os negócios andam de vento em popa, por que, então, a BS Colway está comemorando esta exportação de pneus inservíveis? A resposta passa por uma estratégia calcada no desafio de recuperar parte do que a BS Colway perdeu quando foi obrigada a paralisar sua operação. Em maio deste ano, juntamente com a Pneus Hauer Brasil, a BS Colway obteve uma liminar para voltar a importar pneus usados, sob a condição de exportar o mesmo número de pneus inservíveis antecipadamente.

Francisco Simeão, diretor da BS Colway, diz que a companhia tem no estoque nada menos que 285 mil pneus usados, que haviam sido importados da Europa antes da decisão judicial de 2007. A empresa, que já foi a maior fabricante de pneus remoldados do planeta, não voltará a produzir. A intenção, segundo o empresário, é fazer com que o mercado de pneus remoldados volte à ativa e, assim, a BS Colway possa vender o material que tem estocado, avaliado em R$ 5 milhões. Além disso, Simeão afirma já estar negociando com mais de dez empresários, interessados em comprar os equipamentos pertencentes à fábrica desativada. O maquinário está separado por lotes, cada um com capacidade para produzir 20 mil pneus ao mês. O valor total estimado é de R$ 20 milhões.

Simeão conta que recentemente chegou a renunciar à presidência da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados (Abip), mas foi convencido a permanecer no cargo até o final do mandato, em dezembro de 2010. “O setor estava morrendo e eu já havia me machucado muito”, explica. Agora, a meta é exportar exatamente 285 mil pneus inservíveis para conquistar o direito de vender o material que está parado em um armazém. “Não tenho o menor interesse em voltar a produzir. Encontramos uma saída mais lucrativa”, afirma.

Enquanto espera faturar R$ 25 milhões com a venda dos pneus usados e dos equipamentos, Simeão corre atrás de lucros com a Átila Pneus para compensar outro prejuízo. Segundo ele, a rescisão dos contratos dos 1.200 funcionários custou aproximadamente outros R$ 25 milhões. “O prejuízo da BS Colway é de uns R$ 50 milhões”, destaca Simeão. Com o primeiro embarque de pneus inservíveis, considerado por ele como “um passo emblemático”, Simeão espera o começo de uma “nova era”: a da retomada do mercado de remoldados e, principalmente, a recuperação de pelo menos metade de um amargo prejuízo de R$ 50 milhões.

Fonte: Revista Amanhã

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3 comentários em “Um plano para recuperar R$ 25 milhões

  • 19/11/2010 em 15:43
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    possuo um carro de arrancadas que participa do campeonato paranaense categoria turbo-B, com motores em torno dos 400 cv e que desempenham velocidade de até 180 km em 400 metros, e sempre usei pneus remoldados para competir, corro à cerca de 4 anos e jamais tive qualquer problema com esses pneus, ao contrário são mais macios e maior aderência
    e melhoram a frenangem, se usados para tal prática desenvolvem um ótimo desempenho, para rua é sem comentários rodam como pneus novos e + seguros.

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  • 17/08/2009 em 09:03
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    Sr. Luiz e Sr. Restanho. Com todo o respeito. Os Senhores não sabem do que estão falando. Não conhecem o processo de remold, que não é um privilégio só do Brasil fabricar. A entrada desses pneus no mercado, tão bons quanto os de primeira linha, ameaçou as multinacionais. Então elas passaram a fazer um lobby junto ao governo. Diante do dinheiro todo governo abre as pernas. O governo nomeia o ministro do STF. Dessa forma, fecharam a BS. Não há argumento contra a BS que não possa ser rebatido. Venham a Piraquara conversar com esse empresário. É claro que ele quer o dinheiro dele, já que trabalhou para isso. Mas, mais do que isso, esse homem foi e é determinado como nosso governo deveria ser. Dessa questão da BS eu posso falar porque conheço muito bem. O problema aqui é que as multinacionais dão dinheiro para o governo. O pneu remoldado da BS era ótimo e barato. Não havia concorrência. Devemos também abrir as pernas para os gringos dessa maneira? Por favor, informem-se.

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  • 16/08/2009 em 16:35
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    Meus amigos isto é conversa de quem não conhece este setor por dentro. O Sr. Simeaõ quando commeçou a importar pneus usados vendeu a casa.
    Agora pergunte quanto ele obteve distribuindo pneus usados, chamados semi novos, sem remoldar, a baixissimo custo, por este Brasil inteiro. Isto não sai na midia. Porque?

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