Das laranjas ÀS ESTRADAS




Foi pela produção de laranjas de seu sítio em Monte Aprazível, sua cidade natal, que o pequeno agricultor Marcio Antonio Cesaretto resolveu subir na boléia de um caminhão. “Precisava transportar as frutas para serem vendidas no CEAGESP e resolvi comprar um Mercedes-Benz 1113 de 1979. Paguei à vista e aprendi a dirigir com ele”, diz emendando: “é um caminhão fora de série, nunca deu trabalho e a manutenção é baratinha. Por isso é que muita gente prefere comprar este caminhão quando está começando.”

O caminhão chegou para ser a solução logística para as laranjas, para complementar a administração do sítio, porém o transporte de frutas prosperou e tempos depois, Marcio comprou mais dois caminhões. “Tirei dois Mercedes: um 1618 de 1996 e um 1518 de 1989, na época em que foram tirados eram zerinhos.” O negócio ia de vento em popa até que a produção da fruta começou a encarecer e Marcio, que já tinha vendido o 1113, se desfez do 1618. Ficou apenas com o 1518 e resolveu fazer carga com outros produtos e prestar serviços para empresas. A produção de laranja continua, mas hoje é bem menor e não precisa de tanta atenção, segundo ele conta.

ara Marcio, a Mercedes é a melhor marca que tem no mercado e diz que o custo com a reposição de peças é bem inferior ao de outras marcas. “Outro dia tive que trocar o conjunto de embreagem e gastei R$ 980,00; um colega meu também teve que trocar do caminhão dele, que é um VW, e gastou R$ 2.800,00.” E quando o assunto é manutenção, ele franze a testa e declara: “Rapaz, gasto mais de R$ 6.000,00 com óleo lubrificante, freios, filtros e pneu. Mas são os freios que me fazem por mais a mão no bolso: São R$ 200,00 cada lona de freio, e são seis rodas, imagina quanto eu não gasto com tudo isso?” Quando o assunto é o pneu, sobra elogio para a Bridgestone: “ É um pneu um pouco mais caro que os outros, porém dura 30% a mais se comparado com os demais, então compensa, e quando estou apertado, uso os recauchutados da mesma marca.”

Atualmente Marcio faz a rota São Paulo – Goiás prestando serviço a uma empresa fabricante de produtos agrotóxicos no centro-oeste brasileiro. “Duas vezes por semana faço as entregas nas fazendas e nos outros dias, venho ao Terminal de Cargas Fernão Dias a procura de cargas fracionadas”, diz explicando que dessa forma, garante o extra para o final do mês.

Quando está na entrega dos produtos agrotóxicos, a caminho de Goiás, sua parada obrigatória é o posto do Aparecidão que fica dentro do estado na BR 153 (Transbrasiliana), no km 1296. Segundo ele conta, o arroz, feijão e a bisteca é da melhor qualidade. “A comida é boa mesmo e lá tem a vantagem do posto ter cobertura, além de ser um local tranquilo onde podemos descansar de verdade.” Entre uma viagem e outra, Marcio lembra da época em que ganhava dinheiro com as laranjas, e quando está em Goiás não resiste e compra melancias por R$ 0,20 e revende em São Paulo a R$ 0,60. “Consigo um bom dinheiro com isso, mas agora o negócio é cana, tanto que já arranquei todos os pés de laranjas lá do sítio e estou preparando a terra para plantar cana para revender.”

Fonte: TranspoShop




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