MAN e motores diesel se misturam numa história única




Ela tem sede em Munique e sendo empresa que enfrentou duas guerras – e sobreviveu –, a MAN tem lá suas ‘idiossincrasias’. Por exemplo, como pronunciar o seu curtíssimo nome. Não é da forma direta, pelo monossílabo. As letras são ditas soletradamente: eme+a+ene. Assim, M+A+N formou-se da junção das iniciais de Maschinenfabrik Augsburg Nürnberg e no que toca a caminhões e ônibus sua história não alcança os 250 anos, como noticiado. Começa em 1915, com o primeiro cargueiro, em coprodução com a Saurer. Neste particular, dentro da MAN, rende-se tributo à visão de horizonte de Anton von Rieppel. Como seu diretor, estimulou a então Maschinenfabrik Augsburg a dar atenção ao – quem adivinharia? – iniciante e promissor mercado de caminhões.

Antes disso, no entanto, a MAN já havia conseguido tirar o motor diesel do papel, ou seja, produzi-lo industrialmente. Alegria que o seu inventor Rudolf não teve, pois morreu. O jornalista alemão, Michael Kern, especialista em veículos comerciais, arrisca-se ao exagero quando escreve: “Nenhuma empresa do ramo esteve tão ligada ao desenvolvimento da tecnologia diesel quanto a MAN”. Mas conferindo a ‘folha corrida’ da empresa, tem-se de admitir o virtuosismo do fabricante de Munique. Por exemplo, no empenho para melhoria da queima via injeção direta no ciclo diesel, uma enorme barreira técnica na época. Em 1923, os projetistas da Casa conseguiram. O primeiro motor veicular – antes já havia adotado o dispositivo no conjunto marítimo – vinha num caminhão. Tinha quatro cilindros e rendia 40 cv @ 900 rpm. Sua festejada apresentação ocorreu na feira de automóveis de Berlim. Com um detalhe histórico irônico: no mesmo evento, apresentavam-se também o primeiro diesel com pré-câmara da Benz e o tido como convencional de ar injetado da Daimler (ainda não haviam se juntado).

Na década de 1930, os nazistas empurraram a economia alemã ao giro máximo e a MAN foi junto. Não economizou em pesquisa, desenvolveu e patenteou o processo batizado de G. Seu autor foi o projetista Paul Wiebecke. Houve muito debruçar em pranchetas, num tempo pré-Tecnologia da Informação. Tudo para aumentar a eficiência da queima, já com a injeção direta ganhando terreno. Da cabeça de Paul saiu a câmara de combustão esférica, para dentro da qual o combustível é aspergido finamente. Michael Kern considera o domínio desse processo como “um marco divisor de águas, na evolução dos motores diesel”. Vários fabricantes mundo afora se interessaram em obter a licença para adotar a atualização mecânica. A FNM, fábrica de caminhões de Xerém, na Baixada Fluminense, empregava o processo G da MAN, no seu motor de bloco de alumínio, lá pelos anos 1950.

Nessa mesma década, o dr. Siegfried Meurer, outro projetista da MAN, desenvolveu o processo M. O que mudou? A posição da dita câmara esférica. Agora alinhada com a cabeça do pistão e, claro, proporcionando ganho de eficiência da queima. Enquanto isso, um ‘novo degrau alçado’. No caso, o periférico turbo-alimentador. Em 1953, a MAN põe na praça o primeiro caminhão turbinado da Alemanha e o conceito da marca associa-se definitivamente a refinamentos tecnológicos, obtendo daí resultados positivos para a saúde da empresa. Com os contêineres cheios de dinheiro, o fabricante de caminhões foi às compras. Expandiu-se na Europa, fazendo associação com a Saviem francesa e adquiriu a Büssing alemã, a Steyr austríaca, a Star polonesa e a ERF inglesa.

Coincidindo com as incorporações, a marca lança várias famílias de produtos, sendo as mais recentes a TGA, de pesados (2000), a TGL, de leves e a TGM, de médios (2005). No entremeio, outra proeza tecnológica: o inédito dispositivo de alimentação por common-rail no motor D20, de grande cilindrada. Mais recentemente, seguindo a tendência, soltou o TGX, com versão de 680 cv, obtidos de um conjunto de oito cilindros em V. Finalmente, a MAN comprou a parte de veículos comerciais da VW no Brasil (2008). Gente do meio acha que a cultura da Volks em Resende é oposta a da MAN mundo afora. A primeira é horizontalizada, enquanto esta produz seus principais componentes. A transição requererá muito tato. Quem se atreveria a mexer em time que está ganhando?

Cronologia

1915 – Fábrica de caminhões MAN Saurer
1916 – Transferência da fábrica para Nuremberg
1924 – Primeira injeção direta no motor diesel
1937 – Invenção do Processo G
1939 – Participação acionária da ÖAF
1951 – Aplicação inédita do turbo-alimentador na Alemanha
1953 – Motor V8 para caminhão pesado
1955 – Mudança para Munique
1967 – Cooperação coma Saviem francesa
1959 – Participação na Büssing
1971 – Controle acionário da Büssing
1971 – Motores e eixos comuns com a Daimler-Benz
1979 – MAN+VW – acordo de cooperação
1983 – Lançamento do MAN classe média
1987 – Série F-90, com eixo traseiro hipoide
1990 – Compra da Steyr
1993 — Lançamento da linha L 2000
1994 – Lançamento da linha F 2000
1996 – Lançamento da linha M 2000
2000 – Compra da ERF e Star
2000 — Lançamento da linha TGA
2004 – Motor D20, com common-rail
2005 – Família TGL e TGM

Fonte: Revista Carga Pesada

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2 comentários em “MAN e motores diesel se misturam numa história única

  • 04/10/2009 em 21:34
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    hoje a tecnologia me faz cada vez mais ter que estudar para não ficar a traz , e ter certeza que estamos engatinhando para aquilo que numca ficara finalizado para os olhos do mundo ,,, pois as gerações passam e ficam mais exigentes naquilo ,que gera lucros e menos poluentes a nosso mundo que agradece pelo esforço , obrigado por existir , MAN e vw

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