Sempre com a razão

João Vanderlei Issler deixa a paixão de lado na hora da estrada




João Vanderlei Issler deixa a paixão de lado na hora da estrada

Paixão e razão não podem andar juntas. É o que pensa o catarinense João Vanderlei Issler. Caminhoneiro há dez anos, ele respeita os limites de trânsito e não aceita levar cargas perigosas. Assim, evitou até hoje os acidentes graves. Vanderlei só deixa a razão de lado na hora de defender a profissão que escolheu: não esconde seu orgulho e o gosto pelo volante.

“Ninguém pode jogar a profissão lá embaixo, culpar o caminhão pela situação atual. Quando vejo um pai dizendo para um filho que essa vida não presta, pergunto se ele preferia ver o filho nas drogas. De jeito nenhum posso falar mal do caminhão. Foi com ajuda dele que hoje minha família tem carro e uma boa casa.”

Evangélico, desconfiado de tudo, “até da própria sombra”, casado e pai de dois filhos, Vanderlei foi criado com os tios, todos caminhoneiros. “Desde cedo eu me imaginava dirigindo, mas tinha dúvidas se conseguiria ter um caminhão meu.”

As dúvidas acabaram quando ele e o irmão Ari compraram o primeiro caminhão. “Foi um Volvo H de 1985, lembro até a placa, ADH-5000. Muito bom, o problema é que a manutenção dele era cara. Isso é uma tática, na verdade: se o caminhão é barato a manutenção é cara, e vice-versa.”

Tempos depois foi a vez do Scania 112 HW 1990. “Esse era bom também e tinha a manutenção um pouco mais barata.” Na hora de comparar os modelos, Vanderlei tem a resposta na ponta da língua. “Tem caminhoneiro que fala que caminhão tal não presta, isso e aquilo… Mas, o caminhão é uma máquina, ele não tem como se adaptar ao caminhoneiro. O motorista é que tem que saber qual o melhor jeito de guiar aquele caminhão. Se ele dirigir de qualquer jeito, sem tomar os cuidados necessários, nenhum caminhão vai prestar.”

Para Vanderlei, o que vale na hora de dirigir é a experiência com o caminhão. Como a que tem com seu Scania 113, de 1994. “Eu fico meses sem gastar um tostão com manutenção, porque não vou até o fim, não preciso tirar o máximo do caminhão. Os caminhoneiros misturam paixão com razão. Não dá, tem que usar a cabeça.”

O mesmo vale, segundo ele, para o valor do frete. “Todo mundo quer ir para casa no fim de semana, mas o caminhão é uma empresa, tem que dar lucro. Tenho amigos que sempre pegam frete para o Sul. Falo para não pegarem sempre a mesma rota porque o valor vai baixar, é a tendência. Digo para irem para o Nordeste, para outros lugares. Se o cara vai sempre para o mesmo lugar, as agências e transportadoras vão pensar: ‘Aquele cara sempre vai porque mora lá perto, então vou diminuir o frete, ele vai de qualquer jeito’. Isso já está acontecendo.”

A desunião, de acordo com Vanderlei, contribui para o baixo valor do frete. “Você está na estrada esperando um ônibus, por exemplo. De repente vem um com o preço da passagem de R$ 1,10 e outro que vai para o mesmo lugar por R$ 0,90. Em qual você embarcaria? No mais barato, é claro. É desse jeito que pensam as agências, e os motoristas caem. O problema é que caminhoneiro é só caminhoneiro, não sabe negociar. Eu negocio tudo.”

Por viajar o Brasil inteiro é que o catarinense toma alguns cuidados. “Transporto tudo quanto é carga, a maioria é fracionada. Quando vou buscá-la, se o cara falar para tomar cuidado porque ela é perigosa, não pego, falo para ele arrumar outro, caio fora.”

Ainda falando em segurança, Vanderlei diz que nunca se envolveu em acidente porque segue as placas de trânsito. “Quem respeita não vai se dar mal. Se lá está dizendo 60 km/h, por que é que vou desobedecer?”

Fonte: TranspoShop

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Um comentário em “Sempre com a razão

  • 29/05/2012 em 18:11
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    Parabéns Vanderlei. Quem derá todos pensassem desta sua maneira. Não teriamos fretes tão defasados para nós e, tão luvrativo para empresas e agenciadores.

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