Um olho no sonho, outro no bolso

Gaúcho planeja ter caminhão próprio para poder ganhar dinheiro rodando o país




Gaúcho planeja ter caminhão próprio para poder ganhar dinheiro rodando o país

A vida de Arsilese Kreuss nunca foi fácil. Desde pequeno sonhava em ter seu caminhão para ajudar nas despesas da casa. Agora, casado, o caminhoneiro de Porto Alegre mantém a luta diária e nunca desiste de seu sonho. Há mais de dez anos na estrada, Kreuss, hoje com 35 anos, confia que está cada dia mais perto de conseguir um financiamento para um caminhão próprio e de continuar na estrada por muito mais tempo. “Um amigo meu já está rodando com seu próprio caminhão e está conseguindo pagar as contas, ajudar a família e tirar o dele após pagar o financiamento”, afirma Kreuss. “Acho que nos próximos anos devo conseguir o meu. Nem que seja um usado, mais velho. O importante é não desistir.”

Atualmente, o gaúcho trabalha para uma empresa que só faz frete dentro do Estado de São Paulo. Para Kreuss, o frete paulista é um dos mais baixos do país e fica difícil guardar alguma coisa. Caso consiga arrumar seu caminhão próprio – há dois anos ele dirige um Mercedes L 1620 –, o gaúcho pretende fazer o Brasil inteiro. “Aí a gente ganha dinheiro.” Apesar de só trabalhar em São Paulo atualmente, Kreuss já rodou por várias cidades do Brasil. “Já viajei para Salvador, Teixeira de Freitas, interior da Bahia. Fui até Recife e passei pelo interior de Pernambuco, muito bonito.”

Mesmo viajando muito, Kreuss encontra sempre tempo pra cuidar do estômago. E cuida muito bem. Como não podia deixar de ser, Kreuss se garante no arroz carreteiro como ninguém, como todo bom gaúcho. “É, dá pra sair satisfeito, a gente se vira, quem está há muito tempo na estrada tem de se virar. Não fica mal, não, o carreteiro.”

Kreuss afirma que passou por várias situações perigosas e que marcaram sua vida, como tentativas de assalto e perseguições. Mas nenhuma delas se compara ao dia em que acredita ter visto uma assombração. O gaúcho vinha de uma longa viagem e, de repente, viu uma mulher e uma criança acenando para ele na beira da pista. “Me arrepio só de lembrar e contar o que aconteceu”, afirma. “Cheguei a parar o caminhão para eles passarem, mas não havia ninguém. Nunca aconteceu antes nem depois. Nunca vou me esquecer. Até hoje me lembro do rosto deles.”

Ele gosta muito da sua profissão, mas destaca alguns pontos que ainda perturbam o sono, literalmente, dos caminhoneiros. De falta de segurança, passando por pistas ruins até chegar à falta de lugar para tomar um banho, descansar. Fora o pedágio, que continua subindo e deixando o caminhoneiro cada vez mais sem dinheiro. “Hoje em dia a gente fica muito exposto, não tem segurança. Os postos pioraram muito, temos de tomar cuidado, não dá nem pra dormir direito”, reclama. Mesmo assim, ele recomenda procurar um local confiável, com vários caminhões e gente conhecida por perto.

Fonte: TranspoShop

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