Amortecedores regenerativos estão mais próximos da realidade

A recuperação de parte da energia desperdiçada nos veículos passa a interessar cada vez mais na era atual de busca incessante por economia de combustível e eficiência energética. Engenheiros e cientistas debruçam-se para achar soluções e aplicá-las nos carros comuns. O assunto chegou às corridas de Fórmula 1 com o sistema Kers, sigla em inglês para Sistema de Recuperação de Energia Cinética (SREC). É a forma mais rápida de divulgar a nova tecnologia e capaz de impressionar mesmo quem tenha menos interesse por avanços técnicos.

Eles aproveitam o trabalho intenso de um veículo ao rodar. E um circuito interno do sistema telescópico atua como uma espécie de bomba hidráulica




Eles aproveitam o trabalho intenso de um veículo ao rodar. E um circuito interno do sistema telescópico atua como uma espécie de bomba hidráulica

O potencial de aplicação parece promissor: alguns modelos de rua da BMW já oferecem esse recurso. Resolvidos alguns senões e diminuindo seu custo, o SREC pode se transformar numa forma inteligente de poupar combustível. Se os freios dissipam uma enorme quantidade de energia em forma de calor, existe toda a lógica de direcionar parte do que é utilizado na desaceleração para gerar eletricidade e aliviar as perdas do motor ao acionar acessórios elétricos.

Possivelmente isso acabou inspirando dois alunos do MIT (em português, Instituto Tecnológico de Massachusetts, de Boston, EUA) a aproveitar parte de outro desperdício. Zack Anderson, estudante de engenharia elétrica e computação, e seu colega Shakeel Avadhany, pensaram em utilizar o movimento de subida e descida das suspensões para gerar eletricidade. Surgiu, assim, a ideia dos amortecedores regenerativos.

O objetivo é aproveitar o trabalho intenso dos amortecedores de um veículo ao rodar. O circuito interno do sistema telescópico atua como uma espécie de bomba hidráulica, acionando um pequeno conjunto turbina-gerador. A energia elétrica acumulada recarrega a bateria ou ajuda na operação de acessórios como o alternador e ar-condicionado.

A invenção funciona melhor em veículos pesados, pois estes possuem mais eixos e, portanto, pares de amortecedores. Num caminhão de três eixos/seis amortecedores, por exemplo, conseguiu-se quase 1 kW (1,36 cv) de potência elétrica em rodovias comuns, suficiente para substituir a tarefa do alternador. Em um automóvel híbrido a combustão-eletricidade, os regenerativos ajudariam a recarregar as baterias, um dos componentes mais caros e que vem dificultando a expansão dessa tecnologia nos grandes mercados.

Robson Iezzo, especialista em inovação de amortecedores da Magneti Marelli-Cofap, de Mauá (SP), acha difícil a aplicação de amortecedores regenerativos de forma massificada em veículos leves convencionais. “O custo deve ser alto e os benefícios limitados porque automóveis de passageiros deslocam baixa massa total em comparação a caminhões e ônibus. Deste modo, há um potencial menor de recuperação e acúmulo de energia”, pondera.

Os estudantes patentearam o novo amortecedor regenerativo e fundaram uma empresa para aperfeiçoar e comercializar o produto. Além dos caminhões, eles vislumbram especificamente automóveis, picapes e utilitários híbridos – ainda sofrendo com severas limitações de autonomia no modo elétrico – como beneficiários em futuro próximo.

Certamente funcionariam melhor em países de estradas e ruas de pavimentação precária. Superfícies irregulares, buracos e lombadas por toda a parte, como no Brasil, obrigam os amortecedores a ciclos contínuos de trabalho inimagináveis. Gera-se, desse jeito, bom potencial de energia recuperável, se não fosse motivo de vergonha nacional.

Fonte: WebMotors

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