Quase na hora de se aposentar

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Gaúcho também critica atitude de motorista de carros de passeio em relação aos caminhoneiros e elogia profissão

Jurandir Carvalho está há quase um quarto de século nas estradas brasileiras e sul-americanas. Já levou sua família na boleia por todo o país e nunca desiste de uma boa viagem. Mesmo sem ter a tradição na genética, já que seu pai não dirige, o gaúcho de Novo Hamburgo espera agora completar seu tempo na estrada e curtir a aposentadoria. “Vou trabalhar mais dois, três anos, guardar mais um pouco de dinheiro e depois passar a minha vida num sítio, perto da minha cidade, só isso que quero”, afirma Jurandir, que foi iniciado na carreira pelos tios, que sempre trabalharam com caminhão.

Sobre a vida de caminhoneiro, Jurandir revela que as coisas estão mais difíceis agora, principalmente nos postos de atendimento. “A maioria dos postos de atendimento vive de caminhoneiro. Só que a gente chega num lugar destes e o pessoal nem olha direito na cara da gente. Tem de pagar R$ 5 pra tomar banho, quando é permitido.”

Outra reclamação do gaúcho é sobre os motoristas que andam nas ruas das principais cidades brasileiras. “O pessoal é muito agressivo, não gosta de caminhoneiro. Nós é que fazemos girar a economia deste país, tudo o que está na mesa do brasileiro passa pela gente”, desabafa Jurandir. “É pior do que ficar com receio de ser assaltado. Eu não respeito mais, não.”

Depois de dirigir na Argentina e no Chile, Carvalho atesta a qualidade das estradas paulistas. “As melhores são as pedagiadas, infelizmente. Mas tinha de ser, com este preço.” Com relação à segurança, Jurandir declara que o caminhoneiro nunca é ouvido. “É o primeiro a pagar e a levar chumbo e ninguém quer saber o que a gente pensa pra melhorar as condições das estradas”, afirma. Mesmo assim, acredita que a profissão deixou muita coisa bonita pra lembrar. “Conheço este país de ponta a ponta. Vale muito a pena, é muito bonito.”

Fonte: TranspoShop




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