Rodovias vão de regulares a péssimas

CNT divulgou ontem estudo sobre a qualidade das vias rodoviárias de todo o país. No Estado, classificação não passou de regular, sobre BRs e MTs

parachoque quebrado mt




No caminho entre Rondonópolis e Cuiabá, foi preciso arame para segurar danos causados por buracos

Cruzando as estradas de Mato Grosso há quatro anos, o caminhoneiro Vanderlei Apolinário da Silva, de 35 anos, não precisou de pesquisa para constatar que as rodovias federais e estaduais vão de mal a pior: nenhuma tem o percurso considerado ótimo ou bom, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Transporte, ontem.

No limite entre o regular e o ruim estão 15 estradas analisadas em Mato Grosso, oito delas são estaduais. De 4.183 quilômetros que tiveram a condição de superfície analisados, 3.281 estão desgastados, com trinca ou remendos, ou ainda com afundamentos, ondulações e buracos.

“Eu faço sempre o percurso de Jataí (MG) até Porto Velho (RO) e os piores trechos estão dentro de Mato Grosso”, afirmou Vanderlei. Por conta dos buracos, ele gastou R$ 230 na parada que fez em Várzea Grande para poder seguir viagem. “Por conta da trepidação, um dos pinos que segura o suporte de rodas se soltou no caminho”, informou o caminhoneiro.

Quando o assunto é acostamento 84,7%, ou 3.545 quilômetros, simplesmente ignoram o que é uma exigência prevista em lei.

Situações simples como a visibilidade das placas também foram analisadas. Neste quesito constatou-se que 1.616 quilômetros apresentam algum mato cobrindo as placas ou elas simplesmente não existem. Apesar de ser uma situação minoritária, já que 61,4% dos quilômetros analisados apresentam “inexistência de matos cobrindo as placas”, o prejuízo na sinalização é um dos motivos que mais incomodam quem precisa dela.

“Desde que comecei a mexer com transporte, há 15 anos, que observo sempre os mesmos problemas: fora os buracos, que é histórico, nunca tem acostamento e sinalização”, afirmou o caminhoneiro Joaires Padilha, de 42 anos. Ele também foi vítima de um buraco que não perdoou seu pára-choque. No trecho de Rondonópolis até Cuiabá, na BR-364, o pedaço do caminhão veio amarrado com um arame, a fim de segurar a placa.

Todas as rodovias federais tiveram uma avaliação regular nos quesitos pavimento e sinalização. Em relação à geometria, que é definida pelo traçado do seu eixo em planta e pelos perfis longitudinal e transversal, todas tiveram avaliação ruim, à exceção da BR-174, que teve o trecho considerado péssimo.

“Não me importo em ter que pagar pedágio, desde que as estradas estejam em bom grau de conservação. Para nós que dependemos dela, fica até mais em conta do que ter que pagar conserto do caminhão toda viagem”, afirmou Vanderlei. A pesquisa do CNT apontou que entre as rodovias sob gestão pública, 77,6% têm boas condições para motoristas e somente o restante, 22,4%, têm boa trafegalibilidade.

Fonte: Diário de Cuiabá

Inscreva-se




Deixe sua opinião sobre o assunto!