Uma Fenatran sem crise

Fenatran 2009




Fenatran 2009

No início deste ano, diante da crise financeira internacional e dos preocupantes números da indústria de caminhões, chegou-se a prever o cancelamento da Fenatran. Um executivo do setor fez ironia: “Do jeito que as coisas vão, se houver Fenatran, teremos um velório no Anhembi”. Nenhuma dessas previsões se confirmou. A Fenatran – na verdade, 17º Salão Internacional do Transporte – vai reunir 355 expositores de 16 países, de segunda a sexta-feira da semana que vem, em São Paulo, em clima de verdadeira euforia.

A razão está na retomada da produção voltada para o setor de transporte rodoviário de cargas. Os números mais recentes: em setembro, a produção de caminhões cresceu 23% em relação a agosto, os licenciamentos tiveram uma elevação de 19% e as vendas no atacado de 13,4%. No ano, a produção ainda está longe de 2008 (menos 34,5%), mas espera-se que 2009 supere 2007, o segundo melhor ano da história.

Ou seja, a crise não se revelou tão terrível quanto parecia no início. Muitos setores da indústria estão utilizando quase 90% da capacidade instalada, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Na indústria de caminhões, ninguém imaginava, no início do ano, que hoje já poderia estar faltando caminhão. Pois está.

As atuais regras do Procaminhoneiro, com juros baixíssimos de 4,5% ao ano, e do Finame, de 7%, deram resultado. Na Scania, a maioria dos caminhões vendidos é financiada pelo Finame. Dos 1.352 veículos vendidos no atacado em agosto e setembro, cerca de 400 foram negociados através do Procaminhoneiro.

Informações desse tipo atraem para o Brasil industriais estrangeiros que buscam alternativas à estagnação dos mercados do Primeiro Mundo, como o europeu. Isso ocorreu com a MAN, fabricante alemã de caminhões com 250 anos de história que, em dezembro de 2008, pagou 1,175 bilhão de euros pela filial brasileira da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Será na Fenatran a estreia dos caminhões da marca no mercado brasileiro.

Segundo o presidente mundial da MAN, Hakan Samuelsson, daqui a cinco anos a fatia dos mercados fora da Europa nas vendas da MAN vai dobrar dos atuais 25% para 50%. A sueca Scania também comemora os resultados no Brasil – país líder na fabricação de caminhões da marca. O total de veículos produzidos em São Bernardo do Campo, em 2009, é maior que a soma do segundo e do terceiro colocados, sendo um deles a Inglaterra.

Com esse cenário, os organizadores da Fenatran esperam receber mais de 40 mil visitantes e compradores de 45 países. Nunca houve, na Fenatran, tantas línguas diferentes faladas nos corredores do Anhembi.

Fonte: Revista Carga Pesada

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