Diversidade do transporte




A equipe da revista Transporte Mundial esteve na Suécia, a convite da Scania, e conversaram com alguns caminhoneiros. Vale a pena saber como é essa profissão por lá.

Diferentemente da realidade brasileira, na qual os motoristas rodoviários são obrigados a extrapolar, por vezes, horas de trabalho árduo ao volante para entregar a mercadoria no tempo certo, na Suécia os motoristas parecem levar a questão do descanso a sério, mesmo porque se são pegos dirigindo no momento em que devem descansar, a coisa piora. Lá existe fiscalização e os policiais rodoviários aplicam multa, equivalente a R$ 700.

De acordo com as leis daquele país nórdico, a cada quatro horas e meia, o profissional do volante deve descansar, pelo menos, 45 min e, depois de uma jornada de oito horas de trabalho, ele tem de parar mais nove horas. E essa fiscalização é feita pelo tacógrafo. Além dessa possibilidade de cumprir as horas de trabalho respeitando os limites do corpo do profissional, a atividade parece ser valorizada naquele país. Um motorista rodoviário ganha líquido um salário de 20 000 coroas suecas, o equivalente a R$ 5 000, tudo bem que o custo de vida é maior em relação ao Brasil, contudo, trata-se de um país que oferece educação e saúde e uma infraestrutura que possibilita ao cidadão desfrutar de outras coisas. Maja Hamilius, em vez de seguir a profissão a qual se formou, design de estamparia de tecidos, optou por ser motorista rodoviária e há um ano e meio, ela trabalha como motorista de caminhão pesado numa empresa equivalente aos Correios daqui.

Pequena notável

A jovem Maja, caminhoneira de apenas 24 anos

Nos seus cerca de 1,60 m, a jovem Maja, de 24 anos, afirma que trocou de profissão porque ganha melhor. “Também é uma atividade que me permite ser mais livre e eu queria fazer algo que fosse diferente”, ressalta.

Simpática, ela não demorou muito para fazer amizades e, além disso, já possuía amigos mecânicos e motoristas nesse meio. Razões pelas quais sempre a ajudam quando ela necessita. Afirma não sofrer preconceitos pelos colegas da companhia e nem ser encarada como “um sexo frágil”. Cumpre seus horários e tem tratamento igual aos dos outros companheiros. Além de Maja, há outra motorista mulher na empresa em que ela trabalha. Quando indagada sobre os infortúnios da atividade, ela logo rebate que o maior deles é dirigir na neve um caminhão de 60 t, é um desafio, já que a pista fica bem escorregadia. Mas como ela não sai da região de Estocolmo, tem a possibilidade de todas as noites ir para casa.

Boa profissão, mas chega de gerações

Johnny Nilsson, caminhoneiro há 13 anos

Johnny Nilsson, 34 anos, trabalha há 13 como caminhoneiro e parece ter herdado do pai a profissão, já que era motorista. Atua no transporte de carga geral para uma empresa e viaja em média 560 km, cumprindo cada perna em média sete horas. Por isso ele descansa no caminhão. Por ter uma atividade que requer mais dele, não apenas pelas horas trabalhadas, também por ter de dormir no caminhão, Nilsson acaba tirando um salário um pouco maior, em torno de 25 000 coroas suecas, um pouco mais de R$ 6 000, líquidos. O motorista afirma ganhar bem, ressalta poder ter uma vida confortável, até mesmo dentro da boleia, já que dirige um Scania R 500 V8. Nessa atividade, ele consegue proporcionar uma boa qualidade de vida à sua família, contudo, justamente por dormir em casa a cada dois dias, gostaria que o filho, hoje com 2 anos, não seguisse a mesma profissão.

De mestre de obras a dono de caminhão

Sven-Ove Bjorklund abandonou a vida como mestre de obras para virar caminhoneiro

Sven-Ove Bjorklund, que trabalhou a maior parte de sua vida como mestre de obras, decidiu abandonar essa profissão e ganhar a vida na boleia, onde está há cinco anos. Como conseguiu fazer um pé-de-meia, ingressou como caminhoneiro autônomo, ou seja, estreou como dono do negócio. Conseguiu comprar seu caminhão, um Scania R500 V8 8×2 2006 e atua no transporte para construção, em operações que necessitam de grua. “Optei por continuar na área da construção civil, porque foi nele que eu trabalhei por muito tempo e tenho conhecidos que se tornaram meus clientes”.

Bjorklund afirma que antes da crise, iniciada no final de 2008, conseguia tirar por ano em torno de 4 milhões de coroas suecas, (o equivalente a R$ 1 milhão), agora o seu rendimento caiu pela metade.

Bjorklund ainda acrescenta que, como roda de Estocolmo ao Sul do país, periodicamente, a profissão não se torna ingrata e ele consegue passar muitos dias da semana com a família.

Fonte: Revista Transporte Mundial




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