Montadoras cancelam férias coletivas

O aquecimento nas vendas de veículos vai ter reflexos para os trabalhadores do setor na virada de ano. Em São Paulo, metade das indústrias avisou que não haverá férias coletivas.

O momento é de franca recuperação, e a notícia já correu em várias linhas de montagem: férias na virada do ano nem pensar.

“Na verdade já foram canceladas por conta da demanda”. As montadoras que demitiram 12 mil durante a crise ainda têm falta de funcionários, mas já falam em recordes. Uma delas nunca vendeu tanto no mercado interno.

“Cerca de 615 a 630 mil unidades. No nosso caso é um recorde histórico. No mercado, nós estamos imaginando este ano algo ao redor de 3,2 milhões de unidades, também um recorde histórico”, declarou o vice-presidente da montadora, José Carlos Pinheiro Neto.

Demorou, mas a recuperação chegou até os veículos pesados, um sinal de retomada de investimentos que estavam paralisados.

“O setor de caminhões tem crescido recuperando, principalmente mercado interno, aquilo que tínhamos perdido, e a expectativa é que continue crescendo”, explicou o presidente da Anfavea, Jackson Schneider.

Uma fábrica de motores a diesel na Zona Sul de São Paulo é um bom exemplo da grande mudança no ritmo da produção. A empresa que no início do ano chegou a reduzir salário e jornada em cerca de 20% agora teve que cancelar as férias coletivas. O pessoal ai vai ter que trabalhar no Natal e no Ano Novo

A produção que caiu pela metade no começo do ano já voltou aos 12 mil motores por mês. Perder a ceia de Natal ou o brinde do Ano Novo é chato, mas se o ganha pão está garantido: “Nunca foi ruim trabalhar, difícil é ficar sem trabalhar. O maior trabalho é ficar sem trabalhar”, contou o metalúrgico José Maria Fernandes Gama.

O otimismo é tão grande que o diretor da fábrica não consegue ver nada que atrapalhe. “Eu acho muito difícil no Brasil agora nos próximos meses voltar uma crise porque o mercado está muito aquecido em todos os setores”, disse o diretor de vendas Michael Ketterer.

O vigor do mercado interno, segundo o economista Bráulio Borges, está compensando as exportações ainda em baixa. A indústria automobilística deve entrar em 2010 sem férias, mas com festa.

“Com contratações, obviamente, é a consequência de tudo isso”, explicou.

Fonte: Jornal Nacional

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