Teste: Agrale 13000




Agrale 13000

Ideais para operações mistas, atendendo desde a distribuição urbana até as curtas e médias rotas rodoviárias, o caminhão médio é um excelente negócio para alguns nichos do mercado — como operações de coleta e entrega, distribuição de bebida, transferência ou atividades no campo. Não por acaso, os médios tomaram conta de 10% do mercado até agosto deste ano, derrubando a tese dos mais apocalípticos de que os modelos dessa categoria tenderiam a desaparecer. Claro que, conforme a logística foi se tornando mais madura, houve a precisão de caminhões direcionados para cada setor do transporte, não havendo a necessidade de os veículos médios cobrirem praticamente todos os ramos — como ocorreu durante anos até meados de duas décadas atrás.

Quando a Agrale desenvolveu o 13000, primeiramente em 2006, com a configuração 4×2, e, na Fenatran de 2007, com o 6×2, sabia que o transporte nesse segmento estava bastante direcionado. E, por essa razão, bastava, como ferramentas de sedução, um veículo resistente, econômico e de baixo custo de aquisição e, claro, de manutenção.

No que tange à resistência, a marca tem argumentos de sobra, por meio da renomada linha de caminhões 8500 e 9200 e do off-road Marruá, que abastece o Exército Brasileiro e outros países da América do Sul.

Além das características citadas, o médio da fabricante de Caxias do Sul, RS, atrai por muito mais. Equipado com motor MWM International 6.10 TCA, de 6 cilindros, possui uma potência de 173 cv a 2 400 rpm. Já conhecido por prover alguns modelos do mesmo segmento, como o Volkswagen 15.180, o item se diferencia, segundo a própria MWM, por possuir integrado ao bloco componentes como bombas de água e de óleo, assim como o resfriador de óleo.

O fato é que a Agrale optou por esse propulsor de motorização mecânica, mas que atende à Euro 3, justamente pelo baixo custo de manutenção devido ao fácil manuseio. “O motor não precisa ser retirado, graças às suas camisas úmidas removíveis e aos cabeçotes individuais. Com isso, o conserto é mais simples, não há necessidade de levá-lo a uma retífica, basta apenas comprar o kit e trocar. Assim, o custo e o tempo do caminhão parado são menores”, destaca Valmor Michelon, analista de marketing do produto da Agrale.

A caixa de câmbio que equipa o 13000 é a Eaton F5 5406A, de 6 marchas, que se traduz em aproveitamento, devido ao melhor escalonamento, não havendo vácuo entre uma troca de marcha e outra, mantendo o veículo sempre na faixa verde, sem comprometer o consumo. “A primeira impressão que tenho é de um caminhão com um aspecto de automóvel, como deve ser um modelo que opera em atividades urbanas, até para não cansar o motorista. O engate das marchas é macio e as trocas são precisas”, ressalta João Moita — motorista de teste profissional — convidado pela Revista TRANSPORTE MUNDIAL para esta avaliação.

Multifaces

Versatilidade é uma qualidade que foi dada ao médio da Agrale, pois ele apresenta atributos parecidos aos daqueles pequenos veículos indicados para o tráfego do grande centro expandido, a começar pelas barras estabilizadoras nos eixos dianteiros e traseiros. Vale dizer que a marca gaúcha oferece o componente de série nos eixos traseiros. “Faz uma grande diferença esse item, pois o torna mais estável, principalmente nas curvas fechadas”, diz Moita.

De acordo com a fabricante brasileira, a ideia de colocar o item de série no 13000 teve como objetivo atender, especialmente quem trabalha no transporte utilizando o implemento tipo baú. “Nesse tipo de atividade, a carga fica posicionada em uma certa altura dentro do baú e pode sofrer impactos nas curvas. Com as barras estabilizadoras na parte traseira, o motorista se sente mais seguro, porque não tem a sensação de a mercadoria estar se movimentando”, explica Michelon.

Apesar de a sua inclinação urbana, uma vez que o 13000, ao menos o avaliado, não oferecia uma relação de diferencial mais longa e nem um câmbio com overdrive, a Agrale ressalta que pode dispor de fábrica, dependendo da necessidade do cliente, de um eixo com uma relação mais longa. De série, o caminhão médio é oferecido ao mercado com uma relação de 4,63:1. Disponível inicialmente com entre-eixos de 4 800 mm, o Agrale 13000 tem comprimento total de chassi de 8 554 mm e comprimento máximo de carroceria de 6 930 mm.

Um brasileiro que nunca desiste

Na descida da serra pela rodovia Anchieta, o freio-motor respondeu bem às necessidades. Carregado quase no seu limite de PBT (Peso Bruto Total) de 12 960 kg, trafegou a 50 km, em 4ª marcha e a 2 500 rpm. Manteve-se assim até o final do trecho, já que a movimentação de veículos estava mediana na ocasião do teste. Foi possível colocar à prova o freio-motor — que segurou bem, não havendo a necessidade de intervenção do freio de serviço, inclusive nos pontos mais declives da serra.

Ao nível do mar, a 80 km/h, o ponteiro do conta-giros indicou 2 000 rpm, em 6ª simples quase no limite da faixa verde, o que para Moita poderia influenciar em um resultado melhor, “porém isso se justifica pelo fato de o 13000 ter o seu trem-de-força desenvolvido para atender aos trechos urbanos”.

No final da viagem-teste, de volta ao Planalto Paulista, pelo mesmo sistema Anchieta-Imigrantes, o Agrale se mostrou desenvolto, até pelas suas dimensões e pelos 173 cv que oferta até 2 400 rpm. Em 5ª marcha, perto dos 60 km, no conta-giros oscilava entre 1 600 e 1 700 rpm.

Quando testamos o 13000 4×2 na edição nº 53, novembro de 2007, ele fez uma média de consumo de 4,01 km/l, nos 269 km percorridos. Repetimos a dose e valeu a pena, o veículo causou impressões positivas. No mesmo trecho do sistema Anchieta-Imigrantes, mais que comprovar a sua produtividade, legitimou tratar-se de um veículo econômico, fez 4,61 km/l e rodou um pouquinho mais na estrada, 282,2 km. Obviamente, o motorista é determinante no resultado final do consumo, o que prova a importância do treinamento. Mas um caminhão bem ajustado faz a diferença. O Agrale 13000 pode não ter itens de sofisticação dentro da cabine, mas, quem preza por eficiência encontrará nele um caminhão bastante producente e versátil.

Fonte: Transporte Mundial

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