Acre é nova rota de carros e caminhões roubados em MT




Com o “fechamento” pela polícia da fronteira de Mato Grosso com a Bolívia, os ladrões de veículos estão usando uma nova rota para entrar no país vizinho. Os criminosos agora estão atravessando a fronteira pelo Acre. Eles rodam mais de dois mil quilômetros com veículos roubados nas rodovias de Mato Grosso até entregá-los aos traficantes bolivianos.

De outubro para cá, foram ao menos 10 veículos – entre caminhões e picapes – roubados em Mato Grosso e localizados no Acre, segundo dados da Polícia Civil. Para policiais da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DERRFVA), o trajeto mais longo não desanima os ladrões, uma vez que o objetivo maior é fazer a troca por cocaína.

“Ladrão de carro, picape, caminhão, quer trocar o veículo por drogas. É a maneira mais fácil de você financiar o tráfico. Então, não importa se é mais longe ou mais perto. O importante é conseguir a droga”, observou um policial plantonista.

Para que o veículo não seja localizado pela polícia, os bandidos colocam o motorista num cativeiro improvisado, onde costuma ficar por mais de 12 horas. No final de novembro, uma empresa de transportes da Capital teve um caminhão roubado. O motorista foi levado para o cativeiro por volta das 19 horas e, só libertado, no dia seguinte, ao meio-dia.

Foi tempo suficiente para que os bandidos retirassem o rastreador do veículo e o levassem para o Acre. Em alguns casos, a vítima só consegue contato com a polícia e, com a empresa, dois ou três dias depois, dando mais tempo aos bandidos.

A nova rota deixou o caminho livre para organizações criminosas de Goiás que roubam carro e utilizam Mato Grosso para chegar até a Bolívia. Nos últimos meses, policiais da DERRFVA perceberam um grande número de veículos roubados em Goiás e que circulavam por estradas de Mato Grosso em direção a municípios da fronteira. Para driblar a fiscalização, utilizam o esquema “dublê”.

Na semana passada, a prisão do motorista Wiliam Nunes Lopes, de 38 anos, ilustra esse esquema. Ele dirigia um Ecosport roubado em Goiás e a levava para Pontes e Lacerda, na fronteira, e foi preso num posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-070. Os policiais desconfiaram do motorista e, ao checar o chassi, descobriram o esquema de uso de placas iguais.

O esquema é utilizado principalmente para driblar a fiscalização nas estradas, uma vez que nem sempre o policial confere a placa, documentos e o chassi. “Com um documento falso não é difícil conseguir passar pelas barreiras policiais”, disse um PRF.

Fonte: Diário de Cuiabá

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