Como nasce um caminhão




Engana-se quem pensa que parir um novo caminhão é algo simplório. Afinal, para muitos, basta o bruto ter força suficiente para carregar toneladas e toneladas de carga. Quanto mais, melhor. No entanto, a realidade é outra. São gastos, além de montanhas de dinheiro, que podem chegar a 1,2 bilhão de euros, meses – ou anos – em estudos, pesquisas, criação e desenvolvimento até que o utilitário ganhe vida.

O primeiro passo é conceituar o produto. “Não se cria um caminhão pela simples vontade de criá-lo, mas a partir de uma necessidade do mercado”, explica Renato Mastrobuono, diretor de desenvolvimento de produto da Iveco para a América Latina. “É preciso fazer um planejamento estratégico para identificar uma oportunidade e trazer um novo produto”, explica.

Encontrada essa possibilidade, o próximo passo é analisar a concorrência. Conhecer detalhadamente as ofertas das outras montadoras para determinado segmento. “Nesse momento são realizadas clínicas com potenciais clientes para conhecer suas necessidades”, revela Mastrobuono, deixando claro que o objetivo nessa fase é saber como “oferecer mais por menos” ao consumidor.

Com todos os parâmetros iniciais definidos, caminha-se para a criação de um primeiro boneco. “Projetamos um Frankstein que reúne todas as informações obtidas no processo inicial e o comparamos com as exigências dos clientes”, relata Mastrobuono. “Quando fechamos esse processo, no qual definimos atributos, conteúdo e até mesmo preço, temos finalmente um produto nas mãos com cabeça, tronco e membros”. Tudo isso demora até quatro meses, em média.

Inicia-se então o desenvolvimento de protótipos funcionais, que pode durar até um ano. Nessa fase é determinado o DNA do caminhão. O utilitário passa a ser submetido às primeiras avaliações. Começa o processo de escolha dos fornecedores e as peças passam pelos testes de certificação.

A pré-série é o passo seguinte. Experimenta-se, durante cerca de seis meses, a produção do modelo na linha de montagem, simultaneamente com a mesma em funcionamento pleno. São realizadas inúmeras validações do produto e do processo de fabricação

Por fim, o caminhão entra em produção para valer. Logicamente, em paralelo a toda a criação do caminhão, são desenvolvidos planejamentos de manufatura, logística, pós-venda, manutenção e marketing do produto.

Iveco Vertis: DNA brasileiro

O Iveco Vertis – caminhão médio que atua no segmento entre 9 t e 13 t de PBT (Peso Bruto Total) – é um bom exemplo de toda a complexidade que envolve a criação de um novo bruto. Idealizado no CDP (Centro de Desenvolvimento de Produto), em Sete Lagoas (MG), o modelo contou com investimento de R$ 53 milhões, consumiu 250 mil horas de trabalho e teve o envolvimento de 150 funcionários.

O projeto começou em 2007, antes mesmo da inauguração do CDP, em junho do ano seguinte. O começo da produção está marcado para o primeiro trimestre de 2010. Ou seja, da criação à concretização do Vertis, a Iveco precisou de pelo menos três anos.

Segundo Renato Mastrobuono, diretor de desenvolvimento de produto da Iveco para a América Latina, o Vertis é um projeto local que usa plataforma tecnológica mundial e suprimento global. “O resultado para a empresa é um caminhão moderno, com boa relação entre a viabilidade econômica de seu projeto e a competitividade do produto”, explica.

O principal trabalho da equipe brasileira foi tornar o Vertis competitivo frente à concorrência. “Trabalhamos na adaptação de algumas peças e nacionalização de outras”, detalha Mastrobuono. Até mesmo o motor Iveco-FPT 3.9 16V de até 180 cv de potência e torque de 57,1 mkgf – dependendo da configuração – é totalmente brasileiro.

CDP

Inaugurado em junho de 2008, o Centro de Desenvolvimento de Produtos de Sete Lagoas (MG) é o primeiro da Iveco fora da Europa. Possui 4.000 metros quadrados de área operacional e tem capacidade para projetar produtos, desenvolver protótipos e realizar testes funcionais.

Fonte: Diário do Grande ABC

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