Velozes e furiosos invadem Brasília




Um dos fundadores e primeiro campeão da Fórmula Truck, em 1996, o piloto Renato Martins lembra que os caminhões sofriam poucas mudanças no começo da modalidade

Nas ruas, eles geralmente não ultrapassam 80km/h. Mas com as devidas adaptações necessárias para disputarem uma corrida, chegam a 240km/h em uma reta. Os potentes caminhões da Fórmula Truck fazem da categoria uma das mais competitivas do automobilismo nacional. Além do motor, que praticamente triplica de potência, freio e sistema de embreagem também passam por mudanças. E quantas mudanças! Em 13 anos de campeonato, muitas evoluções, dentro e fora das pistas, aconteceram.

Um dos fundadores da Fórmula Truck, o piloto Renato Martins vê com admiração a evolução da categoria desde o início de tudo. “Chego a dar risada. É muito diferente”, analisa ele, hoje dono de equipe. “O caminhão que chega da fábrica tem o centro de gravidade rebaixado e os entre-eixos diminuídos”, completa.

Foi a bordo de um Scania, em 1996, que Renato venceu o primeiro campeonato oficial, organizado pela Confederação Brasileira de Automobilismo. Ele relembra que a máquina da época era bem diferente da atual, recheada de tecnologia. O caminhão, que era pouco modificado, competia com cabine dupla, faróis e rodas raiadas. “Hoje é um caminhão de corrida, com mudanças radicais. Ele é mais potente e oferece toda segurança, como um Stock Car”, compara Martins.

Dose para 900 cavalos

Com adaptações na cabine, motor e freio, caminhões da categoria chegam ao triplo da potência dos modelos convencionais

Se em um caminhão de rua a potência do motor não passa dos 320 cavalos, um adaptado para a corrida ostenta 900 cavalos, quase o triplo do original. Uma das principais modificações acontece nos freios. Enquanto nas pistas de corrida os gigantes precisam do freio a disco nas quatro rodas, nas ruas basta o freio a tambor para pararem com segurança.

Outra adaptação importante é no interior do veículo. O banco tem forma de concha, como nos carros de corrida. Uma estrutura de aço-carbono, chamada santantônio, é instalada para proteger o piloto. O cinto de cinto pontas substitui o normal, de três pontas.

No fim das contas, a confortável boleia do caminhoneiro passa por uma metamorfose e vira um apertado bólido, no qual o piloto conduz colossos de até quatro toneladas em altas velocidades. As mudanças são percebidas principalmente pelos mais antigos. A evolução nas pistas chega a quase dez segundos. Parece pouco, mas, no mundo das corridas, cada centésimo conta. “Antigamente andava a 1minuto e 20 segundos. Hoje, eu viro em 1 minuto e 11 segundo. É muita diferença”, comemora Martins.

Radar na pista de Brasília

Mesmo num dos traçados mais rápidos da temporada é preciso ter cautela. O que não significa pouca emoção. O que existe na verdade são normas, como em todas as corridas, para que os pilotos guiem em segurança. Se na maior reta do Autódromo de Brasília o Truck chega a 205km/h, os pilotos vão precisar de força nos freios. Porque exatamente embaixo da passarela perto do kartódromo vai haver um pardal, onde os pilotos, obrigatoriamente, devem passar a no máximo 160km/h. Caso contrário serão punidos com uma parada nos boxes.

Ainda assim, o que se pode esperar é uma briga muito grande neste domingo. Afinal, enquanto quatro pilotos brigam pelo título, os outros buscam visibilidade para renovar patrocínios e conseguir captar novos parceiros. “Todos querem encerrar o ano bem para buscar resultado. Vai ser uma prova muito disputada”, analisou Martins.

O regulamento da Fórmula Truck obriga que todas as equipes usem combustível e pneus iguais. O pneu utilizado é o Bridgestone original de rua, apenas raspado para ficar “slick” (liso) no caso de pista seca. Na chuva, é idêntico ao original. Já o combustível é o diesel P2, com 2% de mistura do biodiesel com o diesel comum.

Fonte: Correio Braziliense




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