Globalização no Transporte Rodoviário de Cargas




Até parece que a tal de globalização finalmente chegou ao Transporte Rodoviário de Cargas do Brasil, com alguns anos de atraso. Para o bem ou para o mal, mas chegou. E tudo aconteceu de 2004 para cá (a globalização começou com a queda do Muro de Berlim, em 1989). Sua principal marca é a concentração econômica nas mãos de poucos grupos, que depois vão crescendo e se diversificando. Também são suas características a terceirização, a renovação tecnológica constante, que exige investimentos permanentes, a adoção de métodos administrativos rigorosos, criando um cenário no qual o pequeno operador econômico pode até sobreviver, mas só à base de muito trabalho, arrojo e atenção ao que está acontecendo à sua volta, para não ficar para trás.

A economia brasileira cresceu nestes cinco anos – e, com ela, cresceu o mercado do transporte de cargas. Mas a concentração é fato: o presidente da NTC&Logística, Flávio Benatti, calcula que pouco mais de 10% dos transportadores detêm 80% do PIB do setor. Essa mesma concentração também se encontra do lado de lá, nos embarcadores. Na área de grãos, por exemplo, quatro empresas são responsáveis pela contratação de 80% das viagens, segundo o presidente do Grupo G-10, de Maringá, o maior transportador de grãos do Brasil, Cláudio Adamucho. “É uma briga para combinar o frete”, diz ele. Nelson Dalóia, que até outro dia era presidente da Coopertrans, de Mauá (SP), cooperativa de transportadores de químicos, reforça: “Quando o cliente (a indústria) é um só, ele é forte e vai espremendo…”

O aumento da capacidade de carga proporcionado pelas vanderléias foram uma das grandes novidades dos últimos anos

Ao mesmo tempo, equipamentos para o transporte de cargas não nos faltam. Com a projeção internacional que a economia brasileira ganhou, chegaram novos fabricantes de caminhões, como a Iveco (e a MAN, que está para se instalar) e surgiram outras categorias de caminhões, com outras potências. “Hoje temos veículos adequados para cada tipo de carga, de topografia, de aplicação, de distância, em vez do veículo que servia para tudo”, observa Sérgio Gomes, diretor de Planejamento Estratégico da Volvo. Já no âmbito do Contran, a regulamentação dada pelas Resoluções 210 e 211 aumentou a capacidade de carga das composições rodoviárias, criando uma variedade de possibilidades que não se conheciam por aqui. Para o especialista João Batista Dominici, editor do Guia do TRC, essa ampliação foi mais um improviso encontrado de trazer, para a rodovia, as cargas que, num país do tamanho do Brasil, deveriam estar nos trens ou nos barcos.

Há um fato expressivo, bem recente, lembrado por Antônio Dadalti, vice-presidente comercial e institucional da Iveco Latin America, falando dos pequenos: “Até meados deste ano, não existia financiamento possível para o autônomo (trocar um caminhão velho por um melhor). O Procaminhoneiro criou essa possibilidade”. Mas ele lembra que, com uma frota velha como a nossa, não há quem queira comprar o caminhão usado, inviabilizando ações mais efetivas no sentido da necessária renovação da frota.

Fonte: Revista Carga Pesada

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2 comentários em “Globalização no Transporte Rodoviário de Cargas

  • 20/08/2010 em 17:25
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    Estou estudando “logistica”, acredito em um grande crescimento na minha região Vale do Paraiba; o transporte rodoviário é fundamental para o desenvovimento.

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  • 19/01/2010 em 23:45
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    Eu também custo a entender a preferência brasileira pelo caminhão ao trem no transporte de carga. Embora eu ame caminhão!

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