Peça remanufaturada é a nova aposta da Eaton para o Brasil




O Brasil foi destaque na apresentação dos resultados do terceiro trimestre da fabricante de equipamentos, peças e sistemas Eaton, ontem na sua sede em Cleveland (EUA). O País foi o mercado que mais cresceu no segmento de caminhões. As vendas mundiais de peças para caminhões da Eaton somaram US$ 534 milhões no terceiro trimestre deste ano. Um salto de 33% sobre o mesmo período do ano passado. No Brasil, os mercados de caminhões e ônibus tiveram um acréscimo de 57% nas vendas nos meses de julho a setembro.

A atenção da empresa está voltada, principalmente, para o mercado local de caminhões, que está recebendo um reforço na produção de peças remanufaturadas na planta de Valinhos, interior de São Paulo. A empresa planeja, até 2015, um crescimento de 20% anuais com a linha de transmissões, sincronizadores e embreagens remanufaturados.

“Atualmente produzimos uma média mensal de 1,5 mil unidades, mas ainda é um volume muito pequeno”, afirma Ricardo Dantas, diretor para América Latina da empresa. A capacidade de produção, segundo o executivo, está sendo usada em 30%. “Poderemos crescer com tranqüilidade sem fazer investimentos no aumento da capacidade de produção”, completa.

“Nós estamos vendo o Brasil crescer e esta evolução deve ser sustentável. O País está investindo em infraestrutura, e isso significa caminhões na estrada”, afirma Dantas sobre as características do momento econômico vivido pelo Brasil atualmente, o principal motivo das expectativas da empresa para as peças remanufaturadas. “Este é um negócio interessante, porque é um produto complementar que agrega valor ao produto original.”

A companhia produz hoje cerca de 65 componentes remanufaturados, até 2012 serão 100, segundo Dantas. Entre as vantagens destes produtos, o preço destas peças de reposição pode chegar a 40% abaixo das peças originais, que em alguns casos também são produzidas pela Eaton. “Os remanufaturados dão segurança para os produtos originais, uma vez que aumentam a disponibilidade de peças para reposição”, afirma Dantas. “E, no caso dos caminhões, eles são parte do valor das empresas. São um investimento.”

Faturamento

Dentro do segmento de componentes veiculares da empresa, o mercado de peças de reposição (aftermarket, como é tratado pela empresa) representa 13%. Esta fatia é atualmente dividida entre as peças originais – que são ampla maioria na composição do faturamento – e as remanufaturadas, com participação ainda inexpressiva, segundo Dantas. “Em três anos, a participação dos remanufaturados será em média 1,5% da receita de aftermarket”, explica Dantas.

Com faturamento de US$ 3,6 bilhões no terceiro trimestre, a Eaton espera um crescimento um pouco menor no segmento de caminhões para o quarto trimestre, responsável por 14,7% do faturamento global da empresa. “Estamos satisfeitos com a margem de 13,9% no mercado de caminhões no terceiro trimestre, mas apesar de continuar crescendo, o segmento deve crescer mais devagar no último quarto do ano”, explica Alexander Cutler, presidente mundial da Eaton, em comunicado divulgado ontem. Contudo, a empresa revisou a expectativa de crescimento do segmento para 26% no acumulado do ano, ante a previsão de 23% feita no segundo trimestre.

No acumulado do ano, a empresa registrou um faturamento de US$ 10 bilhões, ante os US$ 8,7 do mesmo período em 2009. O segmento de equipamentos para caminhões garantiu US$ 1,48 bilhão no faturamento da companhia nos nove primeiros meses do ano, segundo a divulgação dos resultados trimestrais.

Além de caminhões, a empresa produz para os segmento automotivo, bem como elétrico, hidráulico e aeroespacial.

Fonte: DCI – Comércio, Indústria & Serviços




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