Teste: Mercedes-Benz 1718




Há quem diga que nos melhores frascos é que estão as melhores fragâncias, está máxima nem sempre é verdadeira. A mesma impressão se tem de um caminhão. Aqueles que denotam um ar de sofisticação normalmente são os mais bem vistos pelo operador de transporte, enquanto que modelos de aparência mais simples têm de dar boas provas a que veio.
Perece ter sido esta a trajetória do Mercedes-Benz 1718, da linha tradicional. Apesar da aparência simples a primeira vista, está entre os veículos preferidos dos distribuidores de bebidas. Isso porque ele foi desenvolvido levando-se em conta o desejo do transportador.

Há um pouco mais de quatro anos, a marca de origem alemã estava preocupada com a sua posição no segmento de bebidas. Foi então que ela resolveu chamar grandes companhias desse segmento como Confenar, Fensa e Ambev para que lhes dissessem qual seria o caminhão mais adequado na distribuição de bebidas. “Achamos que essa postura seria a mais correta para que pudéssemos entrar no mercado e conquistá-lo”, explica Euclydes Ghedin Coelho, gerente de vendas da Mercedes-Benz do Brasil.

Interior do Mercedes-Benz 1718

A sinergia entre indústria e cliente rendeu bons frutos, a fabricante fez exatamente o requerido pelo consumidor: um caminhão robusto, de cabine espartana e de simples manuseio e manutenção. Predicados suficientes para o motorista que trabalha apenas horas do dia e sai o tempo todo do veículo para fazer as entregas. Não havia necessidade de muita sofisticação, contudo, a robustez é preponderante, pois se trata de um caminhão que, além de rodar na cidade, trafega no intermunicípio, regiões não asfaltadas, enfim, localidades de toda a sorte. Por isso e que os operadores elegeram o conceito de cabine tradicional, da Mercedes-Benz. “É por essa logística que o condutor enfrenta no dia a dia, que ainda assim preservamos comodidades internas como banco com níveis de regulagem, ergonomia e espaço interno, porque a Mercedes não abre mão disso e porque sabemos que sem esses itens o impacto é diretamente no desgaste físico do motorista e na produtividade do operador”, ressalta Coelho.

O 1718 foi lançado no primeiro semestre de 2008. No segundo semestre veio a crise e o mercado voltou a se recuperar na metade de 2009, e mesmo em meio a todo esse imbróglio econômico, o semipesado foi conquistando o seu espaço e a posição de o quarto caminhão mais vendido de sua categoria no Brasil.

Dados da Mercedes-Benz revelam que 15% das vendas do modelo são direcionadas às empresas de transporte; 21% autônomos; 62% embarcadores e 2% não identificados.

Na avaliação do modelo até Peruíbe, litoral sul de São Paulo, foi possível compreender a razão de ele estar indo tão bem. Graças ao trem-de-força arrojado. Da fábrica da Mercedes-Benz ao início da rota, na rodovia dos Imigrantes, em Diadema, municípios do ABC paulista, foi possível tirar as primeiras impressões, o semipesado responde rapidamente às ações do câmbio, o G85 de 6 marchas, sendo a última overdrive 0,73 que combinada ao torque de 69 mkgf, entre 1 200 e 1 600 rpm, significa que há câmbio de sobra para o motor. Característica bastante interessante para operar nas rotas rodoviárias, o que garante bons resultados na hora de medir o consumo.

Em rumo a baixada santista a 50 km/h e 4ª simples o modelo desceu a 2 600 rpm, em apenas 15 min., ou seja, mesmo que numa descida, foi possível avaliar que a velocidade do modelo parece ter sido fator fundamental para os empresários de transporte o elegeram nas operações de distribuição.

O 1718 foi equipa motor eletrônico OM 904 LA, de 177 cv a 2 200 rpm, o mesmo presente em alguns modelos Atego. Possui 4 cilindros verticais em linha com turbocooler e sistema de freio-motor Top Brake. Contudo, como o motorista que transporta bebida e o operador de ônibus urbano têm em comum o anda-e-para, a embreagem do caminhão tinha de ser a altura da operação, uma vez que é um dos itens mais sacrificados nesse tipo de tarefa. “Por isso equipamos o modelo com uma embreagem de 395 mm, ou seja, o nosso maior disco, porque quanto maior mais resistência, reduzindo o índice de manutenção”. A marca ainda mantendo o ritmo da robustez para a construção do 1718, o equipou com o eixo HL5, equipamento normalmente usado nos caminhões trucados de 24 t, neste caso, pela resistência dessa peça, a Mercedes achou conveniente aplica-lo no 1718, indicado para operações de até 16,5 t. O eixo HL5 tem dupla velocidade, para atender a dupla função do caminhão, que deve ser forte como um “trator” nas cidades e macio em uma rodovia. Com um eixo mais forte, obviamente as molas tiveram de ser reforçadas para suportar as severas condições do piso e a combinação carga e vias urbanas. O diferencial de todo esse conjunto motriz está no chassi LNE 50+Ti, produzido em aço e titânio, material que garante mais resistência a esforços. Essa mescla dispensou o uso de duas longarinas ou longarinas de maior espessura, muito comuns nesse tipo de aplicação. A soma disso rendeu uma tara menor ao veículo que pode, em razão disso, transportar mais carga.

De série o caminhão dispõe de um kit bebida, cardan adicional, chicote elétrico, tubulação de combustível e de freio. “Fizemos isso para evitar que se mexa em alguns itens de segurança e de desempenho do caminhão na hora da implementação”, completa Coelho.

Preparado para transportar 10 paletes o 1718 ainda não estava na totalidade de seu PBT, carregava 12 640 kg, em nossa avaliação que ao nível do mar, percorreu numa velocidade média de 80 km, em 6ª overdrive a 1 750 rpm. Nessa etapa, a impressão era de estar dirigindo um carro de grandes dimensões.

Ao final do teste, com destino ao planalto paulista pela subida íngreme da rodovia Imigrantes, entre 45 e 50 km/h, em 4ª simples, não precisou subir muito o giro do motor a 1 800 rpm, fator decisivo para o excelente resultado de consumo que você pode conferir no quadro a seguir.

Consumo geral

24,71 litros

KM percorridos

280 km

Velocidade média

70 km/h

Fonte: Transporte Mundial

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4 comentários em “Teste: Mercedes-Benz 1718

  • 31/01/2017 em 10:22
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    Difícil é vc ficar andando em uma rodovia a 80km/h sendo que o limite dá rodovia é 90. Já fiz vários percursos andando a 90km/h e 1900rpm de 6 marcha simples é essa média nem chegou perto. Não sei oque vcs fizeram pra chegar a essa média. Mais isso aí pra mim é uma grande mentira. Isso que o veículo não chega a carregar nem 5.000 de carga.

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    • 01/02/2017 em 12:31
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      ESTE CAMINHÃO É UMA BOA COMPRA? ESTOU INTERESSADO EM UM 2005 – 1718M TRUCK, COM PIPA DE 16MIL LITROS. QUAL O CONSUMO REAL DELE, ELE É BOM DE MANUTENÇÃO?

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  • 22/11/2010 em 11:20
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    ele usa o mesmo interior q os modelos citados pelo colega junior.usa a mesma caixa do 1620 se bobiar,então,pra q fazer um caminhão igual aos outros modelos da linha da mercedes(os modelos citados pelo junior)?????

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  • 20/11/2010 em 23:59
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    cara nao é querer falar nada nao mais esse caminhaozinho ae é uma melequinha….nao gostei de andar nele nao…a mercedes nao inova o interior deles desse e do 1318,1634,1718… desde 2002 ja vem esses interiores ai….puta ja enjoei deles…

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