André Azevedo fala sobre o Dakar‏




O Rally Dakar é para poucos!

Olá, amigos que transportam cargas por esse Brasil sem fim. Aqui escreve um piloto profissional de caminhão. Eu sou o André Azevedo, do peso-pesado da Equipe Petrobras Lubrax de Rally. Alguns de vocês já devem ter encontrado comigo nas minhas andanças pelas estradas. Eu sou de São José dos Campos (SP) e entre uma competição e outra vivo circulando pelas rodovias importantes desse país.

Daqui a poucos dias, em 01 de janeiro, começa o Rally Dakar 2011, que acontece mais uma vez entre a Argentina e o Chile. É o maior desafio off road do mundo. Percorreremos 9.500 quilômetros, com cerca de 5 mil quilômetros cronometrados. Vai ser uma boa disputa entre 430 competidores. Mas uma disputa legal, com muito companheirismo e lealdade, porque ralizeiro que se preze é amigo na hora do aperto.

Vocês que vivem na estrada sabem muito bem o que é esse espírito de companheirismo. A irmandade das estradas é uma coisa muito séria. No rali, também é. Mais do que competidores, somos companheiros. Especialmente porque as condições de terreno e clima são terríveis nessas competições e precisamos nos ajudar até por uma questão de sobrevivência.

Em um rali tem de tudo. Há situações extremas como temperaturas que variam do calorzão de 50 graus ao frio de vários graus abaixo de zero. Tem deserto, dunas, montanhas, desfiladeiros e toda a sorte de terrenos para desafiar nossa capacidade de concentração e de pilotagem.

Eu estarei lá a bordo do meu caminhão Tatra, fabricado na República Tcheca. Ele recebeu algumas evoluções, visando uma maior competitividade no rali. São elas: troca de amortecedores, novos freios, redução de 900 quilos em seu peso total com a inserção de um baú mais leve e aros de alumínio nas rodas, e mudança do reservatório de combustível traseiro, melhorando o centro de gravidade do veículo.

Ao meu lado estarão tripulando o caminhão o Mira Martinec, velho conhecido tcheco de outras competições, e Maykel Justo, navegador de várias jornadas com quem tenho uma grande sintonia na cabine do bruto. E não tem como fazer diferente, porque o navegador é quem enxerga o mapa e vai dando as dicas do trajeto. Uma lombada ignorada ou um buracão no canto da pista podem representar uma grande dor de cabeça para nós. Lembrem que corremos, às vezes, a mais de 150km/h em terrenos super acidentados.

Vai ser a minha 24ª participação nessa competição que já faz parte não só da minha vida, como da minha família. Para vocês terem uma idéia, há 24 anos passo a virada do ano longe de casa, sempre no Dakar, onde quer que ele aconteça. Já foi no continente africano por muitos anos e agora é aqui na América do Sul. Quem sabe não tenhamos o Brasil incluído no trajeto de 2012?!

Mas eu não vim aqui para roubar seu tempo. Vim, na verdade, para pedir o apoio dos transportadores, dos caminhoneiros com carteira assinada e dos caminhoneiros autônomos. Façam uma fé com a gente. Torçam por nós. Estaremos representando o Brasil e, de alguma forma, estaremos representando vocês. Saibam que estaremos lutando para honrar a sua torcida.

Fonte: Texto recebido por e-mail, enviado por Maurício Cintrão

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