Blindagem chega aos caminhões




A blindagem não é mais exclusividade dos veículos que transportam valores e dos automóveis de luxo. Além de ser feita em modelos com preços mais acessíveis, a proteção agora também tem sido aplicada em caminhões.

Segundo Christian Conde, presidente da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem), esse ainda é um mercado restrito, mas há informações de que primeiras blindagens nesse tipo de veículo foram feitas há dez anos, em volumes pequenos. “A demanda tem sido um pouco mais forte há cerca de três anos e algumas empresas começaram a trabalhar esse nicho, já que as transportadoras enxergam a blindagem como uma possibilidade de reduzir o custo do seguro”, analisa.

“Como está cada vez mais difícil roubar um banco, a maioria dos ladrões que praticava esse tipo de crime migrou para o roubo de cargas. Assim, o transportador de cargas mais visadas, como produtos farmacêuticos e eletroeletrônicos, por exemplo, tem adotado medidas mais eficazes para proteger seus produtos. Aumentar o nível de dificuldades é uma das saídas”, afirma Ricardo Mendonça de Barros, diretor da Autolife Blindagens, empresa que atua há mais de dez anos no mercado automotivo.

Processo

Segundo o presidente da Abrablin, o processo de blindagem do caminhão é similar ao de um automóvel. “Os vidros normais são substituídos por blindados, aplica-se manta de aramida nas partes opacas e pode-se reforçar a segurança nas trancas”, explica. Segundo Conde, a blindagem é feita na cabine, onde normalmente ocorre a abordagem para o assalto.

Na Autolife, o serviço de blindagem alia procedimentos e produtos usados pela empresa na proteção de automóveis de passeio e na construção de veículos usados no transporte de valores. São utilizados materiais como manta de Kevlar – fibra de aramida especial, fabricada pela Dupont e introduzida no mercado internacional em 1972, empregada nos coletes à prova de balas -, aço 304 inox balístico e vidros à prova de bala de 21 mm, que substituem os originais de 6 mm.

Segundo Barros, a blindagem pode ser realizada na cabine de qualquer caminhão e aumenta o peso do veículo em, no máximo, 200 quilos, o que, segundo ele, pouco compromete sua capacidade de transporte. O tempo de execução do serviço varia de 25 a 60 dias, dependendo do tamanho ou de detalhes de cada cabine.

Além da cabine, a empresa desenvolveu revestimento antiarrombamento para a carroceria desses veículos. Os baús dos caminhões recebem proteção de aço desenvolvido especialmente para dificultar o corte e uma porta com fechadura randômica. Segundo a empresa, só é possível abri-la com um código gerado pela transportadora depois que o caminhão chega ao seu destino com segurança. O serviço é feito em 45 dias. O revestimento pesa em torno de 1,5 t.

Fonte: Diário do Grande ABC

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