Master teste de furgões




Com as atuais regras que restringem a circulação de caminhões nos centros expandidos, o uso de furgões para fazer o transporte de carga vem crescendo a passos largos. Não por acaso, 2009 foi o ano deles, período em que houve lançamentos, como a versão Sprinter exclusiva para o uso urbano, a apresentação do novo motor do Fiat Ducato e – seguindo as mesmas alterações da Fiat – do Citroën Jumper, que também ganhou um novo motor, por compartilhar a mesma plataforma industrial. Também foi em 2009 que a Renault promoveu um facelift no Master, incluindo inovações ergonômicas, e a Ford fez o lançamento oficial do Transit, trazido por importação.

Com isso, a Transporte Mundial, inaugura uma nova seção na revista – o Master Teste. Vamos trazer reportagens – avaliações, lançamentos ou impressões – relacionadas ao segmento de veículos comerciais leves.

Reunimos nesta avaliação, inédita na revista, alguns dos principais modelos comercializados no mercado: Citroën Jumper, Renault Master, Mercedes-Benz Sprinter, Ford Transit e Fiat Ducato, todos configurados com chassi longo, teto alto e lastreados com 1 050 kg de carga. Com exceção do Sprinter, que equipava câmbio automatizado Sprintshift, todos os modelos dispunham de câmbio manual.

Para tirar a prova, realizamos uma viagem de 270 km, ida e volta até o campo de provas em Limeira, em SP. Além de avaliarmos a desenvoltura desses veículos na estrada, fizemos testes de ruído e de frenagem e, no final, a média de consumo de cada uma delas.

Confira a seguir os resultados:

Ford Transit PBT de 3 500 kg

A Ford Transit entra na disputa mostrando que não brinca em serviço, e que sua fabricante quer uma boa fatia do mercado de furgões. Com design enxuto, porém harmonioso, o modelo se destaca pelo movimento, pela modernidade de suas linhas e por seu conjunto técnico, composto basicamente por um motor turbodiesel eletrônico 2,4 litros, com um torque bastante considerável, e um câmbio de seis marchas sequenciais de engate suave, incluindo a ré, o que facilita a vida do motorista no anda e para do trânsito das grandes cidades.

Ao dirigir o furgão, a sensação que se tem é a de se estar conduzindo um automóvel e, para tirar a prova dos nove, não nos limitamos a rodar com esse modelo apenas no roteiro do Master Teste. Também fomos dar um passeio com ele pela cidade. Trata-se de um veículo de fácil dirigibilidade, prático para estacionar e manobrar. Estável, tem um bom desempenho nas curvas, saídas rápidas, mas, graças à presença de freios a disco com ABS, sua frenagem impressiona. E em termos de itens de de segurança, de série, equipa o EBD (distribuição eletrônica de frenagem), ESP (controle eletrônico de estabilidade), entre outros. Além disso, ainda tem um sistema de frenagem de emergência para arrancada em rampas. A suspensão é macia, muito parecida com a de um carro de passeio, o que ajuda a amortecer as quedas em buracos.

Para os padrões do mercado, a Ford sai na frente ao importar um veículo com tantos atributos, como o trio elétrico – vidros, travas e espelhos retrovisores – e o airbag para o motorista. Na parte de acessórios, o CD player conta com entrada auxiliar e o motorista pode controlar o som na própria barra da direção. Para não deixar nenhum profissional com a sensação de falta de espaço para guardar seus pertences, a Transit se destaca pela quantidade de compartimentos – e tudo isso por R$ 89 364.

MB Sprinter – PBT de 3 550 kg

Após um dia de convivência com o furgão Mercedes-Benz Sprinter 313 CDI, foi possível notar alguns pontos de destaque no modelo. Sem sombra de dúvidas, o principal deles é a conveniência e a eficiência da transmissão Sprintshift de seis marchas. Extremamente fácil de manejar, o sistema sem pedal de embreagem facilita, e muito, a vida do motorista que passa o dia todo atrás do volante. Ele faz a troca de marchas suavemente e sem trancos, mesmo com o carro carregado. Aliado a ele, o motor eletrônico (Common Rail) a diesel, com turbo de geometria variável, 129 cv de potência e 31 mkgf de torque, foi o responsável pelo bom desempenho durante todo o percurso, inclusive na hora de vencer um aclive. O bom escalonamento curto das marchas desse câmbio privilegia o torque desde as baixas rotações. Outro ponto forte do motor é o funcionamento silencioso. Nem parece que se trata de um furgão.

Projetado para suportar até 3 550 kg de PBT (Peso Bruto Técnico), esse furgão da Mercedes oferece boa dirigibilidade, principalmente quando está carregado. Durante o percurso de São Paulo a Limeira, ida e volta, o Sprinter ofereceu confiança ao motorista. A rodagem simples na traseira — que tem o eixo traseiro motriz — não comprometeu a estabilidade do veículo. O furgão reagiu bem durante a troca de faixa nas ultrapassagens.

Para o frotista que necessita de um furgão grande, mas que oferece o conforto e o comportamento de um carro de passeio convencional, e a valentia de um conjunto motor/câmbio para rodar no dia a dia, seja fazendo entregas nos grandes centros seja percorrendo longas distâncias, o Sprinter com a transmissão Sprintshift vem bem a calhar.

Os R$ 114 939 que ele custa (nessa configuração, com câmbio automatizado), revelam um custo/benefício a ser levado em consideração no momento de fechar o negócio.

Renault Master – PBT de 3 500 kg

A sensação de dirigir o Renault Master remete a um pequeno caminhão, e os que estão acostumados com veículos robustos vão se sentir bem à vontade dentro desse modelo. O motor turbodiesel é forte e eficiente nas retomadas – e olha que essa versão L3H2 estava entre as maiores dessa disputa, Além disso, possui chassi longo e teto alto, com 12,6 m³ de capacidade de carga. Esses atributos físicos do furgão o tornam uma opção bem vantajosa para adaptações, podendo virar, por exemplo, uma ambulância de resgate ou uma base comunitária da Polícia Militar.

O propulsor turbodiesel 2.5 dCi 16V é dotado de acelerador eletrônico e sistema de injeção common rail. Trata-se de um propulsor de quatro cilindros que desenvolve 115 cv a 3 500 rpm e torque de 29,6 mkgf a 1 600 rpm.

Um dos itens que chamou a atenção nesse francês foi o seu nível de acabamento. Apesar de não carregar os mesmos requintes de, por exemplo, um Sprinter, ganha pela simplicidade, que não deixa de ser bem-acabada; aliás, nesse quesito o grande furgão levou a melhor. De série, ele vem equipado com direção hidráulica, ar quente – no caso, a versão avaliada nesse Master Teste equipava ar-condicionado –, hodômetros digitais total e parcial, alerta sonoro de luzes acesas e faixa de proteção lateral na cor preta. E, como opcional, equipa freios ABS, air bag, vidros, travas e retrovisores elétricos – itens também presentes no modelo avaliado. Uma das inovações que o Master recebeu, no ano passado, com a nova linha, foi o câmbio de seis velocidades, que fica instalado no painel. Conduzir o Master se tornou uma tarefa mais prática, graças também ao sistema de direção, que exige 15% menos de esforço nas manobras.

No quesito segurança, a porta corrediça lateral direita conta com trava para que possa ser aberta impedindo que a porta volte e se feche novamente, atingindo uma pessoa. Tudo isso sai por R$ 95 900.

Fiat Ducato – PBT de 3 500 kg

O Fiat Ducato se destacou nesse tes­te por conta da cor Verde Lagoon, mas nem isso fez ele escapar do nosso crivo na hora das avaliações e impressões. Um de seus principais apelos é o motor – F1A 2.31 MultiJet turbodiesel intercooler, que alia economia e desempenho, além de emitir menos poluentes. Oferece 127 cv a 3 600 rpm e torque de 30,7 mkgf a 1 800 rpm. Mais compacto – pesa 20 kg e tem cabeçote de alumínio -, tem uma relação peso/torque que garante respostas rápidas e agilidade nas saídas. A tecnologia Drive by Wire permite uma dirigibilidade mais suave, com menos tranco. Em termos de segurança, o furgão da Fiat – considerado o mais vendido dessa avaliação – ocupa a 3ª posição do ranking de emplacamentos da Fenabrave, mas não pode ser considerado o mais completo da categoria, pois não possui o banco duplo de passageiros, aquele 1+2 que equipava todos os outros concorrentes. Contudo, vem com freios ABS e air bag para o motorista.

A posição de dirigir – mais alta do que as demais –, as regulagens do banco do motorista e o posicionamento do câmbio no painel do veículo possibilitam comodidade e conforto ao motorista, facilitando a troca de marchas. No entanto, o fabricante nos enviou uma versão do furgão com um acabamento interno mais simples, o que o deixou para trás perto de furgões como o Ford Transit. Mas não podemos deixar de destacar, como itens de série, os faróis com regulagem de altura, freio a disco nas quatro rodas e porta lateral corrediça do lado direito. Acessórios, como faróis de neblina, vidro traseiro térmico e parede divisória com janelas vêm como opcionais. Se incrementado, pode ser considerada uma boa compra para o frotista. Preço: R$ 80 320

Citröen Jumper – PBT de 3 500 kg

Pelo fato de dividir a mesma plataforma do Fiat Ducato, o Furgão Citroën Jumper também ganhou um novo coração, com 2.3 l turbodiesel com intercooler, desenvolve 127 cv a 3 600 rpm e é produzido pela FTP (Powertrain Technologies). Com um sistema de injeção comonn rail de alta pressão (1 600 bar) e curva de torque bastante plana, entre 1 800 e 2 800 rpm, o motor trabalha a maior parte do tempo na faixa de eficiência. E na rodovia dos Bandeirantes, rumo a Limeira, SP, esse propulsor foi bem ágil. Sendo essa a única versão da Citroën, o Jumper furgão possui carroceria com teto alto de 1 620 kg de capacidade de carga, ou 10 m³ de capacidade volumétrica.

De série, o modelo traz itens como direção hidráulica, bancos dianteiros 1+2, chave tipo canivete com dispositivo antifurto transponder, faróis de regulagem interna elétrica de altura de facho em três níveis, abertura interna da porta traseira, ganchos para amarração no compartimento de carga, prancheta dobrável sobre o painel e ventilação forçada com quatro velocidades.

O que o coloca em vantagem é a facilidade de acesso à cabine, graças ao piso mais baixo – devido à ausência de eixo cardan. Já a porta lateral corrediça é uma das maiores da categoria, com 1 265 mm, facilitando o acesso ao habitáculo e ao vão de carga.

A tração traseira é outro ponto forte do furgão, oferecendo boa dirigibilidade e manobrabilidade, o que facilita a vida do motorista. Os faróis, com regulagem de altura, proporcionam boa iluminação e permitem direcionar o facho de acordo com o peso transportado.

Para as grandes cidades, é uma boa opção, já que o veículo é considerado um VUC (Veículos Urbanos de Carga). No ranking da Fenabrave, o Jumper é o décimo furgão mais vendido da categoria. O preço é o mais convidativo, se comparado aos seus concorrentes: R$ 74 990.

Fonte: Transporte Mundial




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