Teste: Mercedes-Benz Actros 2646




A campanha publicitária em que a fabricante de caminhões Mercedes-Benz anuncia o início das vendas do Actros rodoviário no país destaca o caminhão como o gigante da marca. E de fato é. A robusta cabine de 3 800 mm de altura externa traz de série equipamentos de segurança que o engrandece e que dará um upgrade ao transporte brasileiro. Mas não para por aí. Quem pensou que a evolução tecnológica nos caminhões andava a passos lentos enganou-se. O progresso dos veículos comerciais parece ser um imperativo, inclusive quando o tema é consumo de combustível. E nisso a Mercedes-Benz tem buscado o seu ponto de perfeição.

É o caso do Actros 2646 LS, que conta com 456 cv a 1 800 rpm e torque de 224 mkgf a 1 080 rpm equipados com o propulsor OM 501 LA, que tem como base tecnológica o bloco de seis cilindros em V – composição arquitetônica única no mercado de caminhões novos comercializados no Brasil.

Com um diâmetro de 130 mm, rende a esse brutão uma cilindrada de 12 litros. Isso se converte em um motor “largo” e de torque efetivo. Além disso, dispõe de 4 válvulas por cilindro, e um freio-motor Top Brake de 360 cv, de cinco estágios – presente em alguns membros da família Axor. Se o modelo estiver agregado ao retarder, o poder de frenagem passa para 750 cv de potência, o maior da categoria.

Se, por um lado, o Actros chega com uma única mecânica, potência e configuração, por outro traz três versões de cabine, e todas elas equipadas com sistemas de segurança ativa e passiva, o que já rende muitos pontos positivos para a marca alemã.

A versão de entrada denominada “Conforto” é equipada com cabine leito teto alto e, por ser um pouco mais baixa em relação às opções Megaspace Alto Conforto e Megaspace Segurança, o túnel do motor tem 370 mm. Este habitáculo vem de série com suspensão pneumática de cabine, ar-condicionado, teto solar com acionamento elétrico, vidros elétricos dos dois lados, trava elétrica central das portas, espelhos retrovisores elétricos com desembaçador, farol de neblina de longo alcance, piloto automático, computador de bordo com indicadores de consumo e itens de manutenção, preparação de instalação de gerenciamento de frota, sistema de freio eletrônico, câmbio automatizado, sensor de chuva e acionamento automático de faróis, imobilizador com transponder, bloqueio de deslocamento para partida em rampa, alerta sonoro de marcha à ré, freios a disco nos eixos dianteiros e traseiros, e, no quesito segurança, agrega freio-motor Top Brake, ESP, ABS, EBS, ASR, bloqueio de diferencial e suspensão traseira pneumática. Um veículo que não deixa a desejar nesse aspecto.

O habitáculo intermediário dessa estação de trabalho – o Megaspace Alto Conforto –, dispõe dos mesmos itens do modelo entrada, porém, com o túnel do motor plano e ar-condicionado noturno, que funciona mesmo com o caminhão desligado, o que proporciona ao motorista momentos de descanso mais agradáveis, sobretudo em clima mais quente, tornando-o a sua hora de trabalho mais produtiva.

A opção Megaspace Segurança – avaliada pela Transporte Mundial – é a top da família e também conta com os mesmo equipamentos da Megaspace Alto Conforto, contudo ainda disponibiliza assistente ativo de frenagem, retarder, sistema de controle de proximidade e sistema de orientação de faixa de rolagem (Veja mais quadro Painel Segurança na página ao lado).

O Actros já mostra seus atributos logo ao se sentar em seu banco e volante de couro sintético, pneumático. A começar pelo conjunto de suspensão a ar do Actros rodoviário, com quatro bolsões por eixo, oferece um bom comportamento em termos de estabilidade, resistência ao balanço, precisão direcional e conforto dentro do habitáculo.
Outro componente inerente às três cabines é o câmbio automatizado Powershift G 330, de 12 relações e quatro à ré, o que dispensa o pedal de embreagem. Trata-se de uma transmissão totalmente automatizada que não possui anéis sincronizadores, de forma que a engrenagem se torna “mais larga”, e as trocas, precisas.

Este ano, o caminhão chega por importação, e nesse período a marca pretende trazer 1 300 unidades para o país, configurado com entre-eixos de 3 300 mm, permitindo ao 6×4 acoplar uma variedade de semirreboques, como carga seca, furgão, sider, tanque e porta-contêiner, entre outros. Outra sacada da grife da estrela foi trazer o Actros em um momento em que o Brasil vai adotar o 6×4 em composições com 7 eixos e PBTC de 57 toneladas, atendendo à resolução do Contran 326/09, que a partir de 1º de janeiro de 2011 passa a ser obrigatória.

Por conta disso, rodamos em nosso tradicional trecho São Paulo/Peruíbe com o caminhão equipado nessa configuração, atrelado a um bitrem com 52 860 kg de PBT. Esses pouco mais de 90% de sua capacidade foram suficientes para tirar conclusões sobre a força que entrega esse caminhão nas três etapas da viagem: descida de serra, nível do mar e subida de serra. Como comentado anteriormente, e graças ao teste realizado na subida da serra pela rodovia dos Imigrantes, a potência de 456 cv que entrega o motor do 2646 LS é, sem dúvida alguma, um atrativo para o transportador.

No início da avaliação, o Actros estava com 262 km rodados, porém, muito bem amaciados. O OM 501 LA respondeu bem às pisadas do acelerador, mesmo pesado. Antes da etapa de descida de serra, o caminhão rodou tranquilamente a 80 km/h; nas retomadas, o câmbio inteligente atendeu rapidamente às solicitações.
Na descida da serra, entre 35 e 40 km/h, na sétima marcha, não houve a necessidade de colocar o pé no freio, bastou manter a rotação a 2 000 rpm e o freio-motor entre o terceiro e o quarto estágio e ainda conservar o sistema de freio à disco.

Ao nível do mar, o piloto automático foi utilizado em pelo menos 30% do trajeto para que pudéssemos avaliar o sistema de controle de proximidade. Ideal para o tráfego intenso ou quando um veículo entra na frente do caminhão, o sistema coloca o Actros na distância que ele entende como segura. Aliada a essa tecnologia está também o sistema de freio ativo, que é acionado automaticamente à medida que o caminhão se aproxima do veículo da frente. Durante a nossa avaliação pela rodovia Padre Manoel da Nóbrega, o que impressionou é o fato de o Actros fazer o cálculo rapidamente e frear de maneira segura, sem comprometer em tempo algum a segurança de quem está dentro da cabine e muito menos fora dela, pois a desaceleração é suave até que se freie, neste caso, usando 30% de potência de frenagem.

Contudo, se durante essa ação o sistema identificar que o motorista não tomou nenhuma providência, a frenagem é total.
Também nesse trecho avaliamos o sistema de orientação de faixa de rolagem – que por meio de uma câmera montada no pára-brisa detecta a posição do caminhão em relação às faixas da estrada, tanto para a direita quanto à esquerda. Um alerta sonoro avisa se o veículo se mover fora da via. O equipamento só não dará assistência ao operador caso ele invada a faixa acionando o freio, porque entende que a manobra está sendo feita para tirar o veículo de alguma situação de perigo. Nesse trajeto, o caminhão trafegou a 80 km/h utilizando a 12ª marcha a 1 300 rpm. E graças à ajuda do Eco Roll, outro item inteligente, o Actros economizou alguns litros de óleo diesel. O sistema ajusta a velocidade do veículo se identificar que ele está trafegando sem a necessidade de tanto torque, apenas desacoplando automaticamente a embreagem; mas, caso o caminhão perca força e o condutor volte a acelerar, a velocidade é retomada.

Por fim, na subida da serra, no início do trecho optou-se pela troca manual de marcha, apenas para regular a rotação. Em nona marcha a 1 500 rpm e mantendo a média de 45 km/h, o bitrem deixou muito semirreboque com potências equivalentes para trás. O que se conclui – nos 269 km em que o Actros percorreu e os 135,8 litros de óleo diesel consumido – é que não há razão de potência e consumo não trafegarem em perfeito equilíbrio.

Fonte: Transporte Mundial

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