Régis é campeã de roubos de carga no estado de São Paulo




O número de acidentes fatais, uma morte a cada dois dias no ano passado, fez com que a Rodovia Régis Bittencourt ficasse conhecida como a “rodovia da morte”. Em 2010, a via – que liga São Paulo ao Paraná – também foi classificada pelo Sindicato das Empresas Transportadoras de Carga do Estado de São Paulo (Setcesp) como a mais perigosa para os caminhoneiros. Desbancou a Dutra – que desde 2007 era onde mais ocorriam roubos de carga, segundo levantamento da entidade – e assumiu a liderança de um triste ranking, com 353 ocorrências em 2010, quase um assalto por dia, só no trecho paulista.

Segundo o coronel da reserva do Exército Paulo Roberto de Souza, assessor de segurança do Setcesp, os 30 primeiros quilômetros das rodovias próximos à capital paulista são os mais perigosos. “As quadrilhas costumam atacar o mais perto possível de onde vão ter de entregar o produto roubado. E os grandes receptadores têm lojas legalmente estabelecidas na metrópole”, revela. De acordo com ele, o crime organizado atua onde há menos fiscalização. “Se a polícia aperta o cerco em determinado trecho de rodovia, os bandidos migram para outro ou até para outra rodovia”, afirma Souza.

Causas

Caminhoneiros ouvidos pelo JT na manhã de ontem em três postos de gasolina da Régis Bittencourt apontam as causas para o roubo de carga na rodovia: congestionamentos, falta de sinalização, e, principalmente, de iluminação e de policiamento.

Genésio Andrzejich, de 47 anos, afirma que a chegada da Régis a São Paulo é um dos pontos críticos. “O caminhão fica meia hora parado no trânsito, sem nenhum policial por perto.” Ele lembra que, em 2005, foi assaltado no local, por volta das 20h. “Apontaram o revólver e mandaram encostar. Depois de roubarem o caminhão, ficaram rodando comigo em uma Kombi.” O caminhoneiro, que vem de Santa Catarina, passa por São Paulo para entregar produtos químicos no Nordeste.

De janeiro a março de 2011, o Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic) prendeu 72 pessoas envolvidas em 28 crimes de roubo e receptação de carga. O delegado Adilson da Silva Aquino, chefe da Divisão de Investigações Sobre Furtos e Roubos de Carga e Veículos (Divecar), disse que as quadrilhas são compartimentadas. “Há um grupo para roubar, outro para intermediar a carga ou o caminhão roubado e os receptadores”, explica o policial.

Segundo o inspetor Edson Varanda, porta-voz da Polícia Rodoviária Federal, o número de roubos de carga na Rodovia Régis Bittencourt é inferior ao divulgado pelo sindicato. “Mesmo sem as estatísticas, garanto que não passa de 170 casos”, afirma. Segundo o Setcesp, o levantamento é feito com base no registro de BOs.

Fonte: Portal Seven

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