Inspeção veicular rendeu R$ 55 milhões para o PIB de São Paulo, afirma estudo




A obrigatoriedade dos caminhões de São Paulo fazerem a inspeção veicular em 2010 rendeu ao PIB (produto interno bruto) da cidade R$ 55,56 milhões (U$ 33,34 milhões), segundo estudo apresentado nesta quarta-feira (18) na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Considerando que em São Paulo foram inspecionados 121.426 caminhões, isso significa que cada caminhão inspecionado rendeu R$ 456,62 ao PIB da cidade. Mesmo descontando a taxa de R$ 56,44 cobrada no ano passado, é ainda interessante para a cidade o ganha de R$ 400,18.

Para chegar a esse valor, o professor Paulo Saldiva, que é coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da FMUSP, cruzou os dados do quanto foi retirado da poluição do ar da cidade com a inspeção, o custo médio das internações e o quanto o trabalho de um paulistano médio rende.

Saldiva apresentou os dados nesta quarta-feira (18) em um auditório da FMUSP. Diante de autoridades da cidade, como o prefeito Gilberto Kassab (PSD), ele destacou que faz questão de fazer o cálculo em termos de dinheiro porque é esse elemento que sensibiliza os gestores públicos.

– Com o tempo, você aprende que a melhor maneira de sensibilizar o gestor público é falando de grana.

O cálculo é feito com base no Daly (anos de vida ajustados à incapacidade, na sigla em inglês), que é uma medida usada por órgãos internacionais que considera o quanto uma pessoa gera de riqueza em média ao longo da vida.

Para chegar a esse valor, Saldiva calculou que 252 pessoas morreriam de doenças cardiorrespiratórias em razão da fuligem que o diesel deixa no ar caso a poluição dos caminhões não houvesse sido ajustada na inspeção. Isso é cerca de metade do total de mortes por tuberculose no município, segundo Saldiva. Outras 298 teriam que ficar internadas. O impacto dessas internações seria de R$ 1,6 milhão (U$ 987 mil) no SUS (Sistema Único de Saúde) e sistema de saúde privado.

Em 2010, a frota registrada de veículos movidos a diesel era de 319.990.

Se todos os caminhões tivessem feito a inspeção veicular, o resultado seria ainda maior. Segundo Saldiva, o número de mortes evitadas subiria para 498; internações, 588; e o PIB da cidade ganharia U$ 65,7 milhões.

As projeções do impacto na saúde e no PIB ainda não foram feitos com os carros leves. Saldiva disse que pretende fazer isso em breve. Os veículos a diesel foram escolhidos para serem objetos de estudo primeiro por serem responsáveis por cerca de 40% de toda a poluição particulada de São Paulo. A chamada frota circulante (descontando veículos que não trafegam mais e ainda não deram baixa no Detran) estimada é de 239.993.

Segundo cálculos do engenheiro Gabriel Murgel Branco, da empresa Enviromentality, a inspeção veicular sacou do ar da capital paulista poluição equivalente a 1,4 milhão de carros.

Bebês que nascem abaixo do peso normal, internações por doenças cardiorrespiratórias, infecções das vias aéreas, infertilidade masculina, redução significativa de recém-nascidos do sexo masculino, são algumas das consequências da poluição nas cidades, apontam estudos divulgados por pesquisadores brasileiros recentemente.

Fonte: R7 Notícias

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