Respire Fundo. Está chegando o Euro V




Atualmente o Brasil utiliza o padrão Euro III, que na Europa foi abandonado em 2005. Com o novo sistema, a emissão de material particulado será reduzida em 80% e a de Oxido de nitrogênio, o NOx, em 60%. Mas para se chegar a esses níveis de redução serão necessárias algumas mudanças.

As mudanças de tecnologia

A primeira diferença é no diesel. No geral, tem-se a idéia de que nosso combustível tem uma qualidade inferior ao dos demais países, mas inferior quanto? Hoje no Brasil é comercializado o diesel S500 e S1800, combustíveis com alto teor de enxofre, 500 e 1800 partes por milhão (PPM) respectivamente. Para que o Euro V funcione, o diesel terá que ser S50 e futuramente S10, ou seja, apenas 50 e 10 PPM. O novo combustível deve ter um valor mais alto e uma bomba separada nos postos. Os caminhões EuroV também poderão trabalhar com biodiesel.

O gerente de Desenvolvimento de motores da Mercedes-Benz, Gilberto Leal, explica que esse novo combustível, aliado às mudanças feitas no motor, promove uma queima melhor, gerando economia de 3% a 8%. Essa eficiência faz com que caia a níveis próximos de zero o material particulado que sobra da queima, o que faz bem para o ar que respiramos e também para o óleo lubrificante, que suja menos e poderá ter maior intervalo de troca. O problema é que essa queima maior gera mais calor e com mais calor aumenta a produção do outro componente responsável pela poluição, o Óxido de Nitrogênio (NOx).

É daí que vem a segunda grande mudança do Euro V, a necessidade do ARLA32, também chamado popularmente de uréia. O ARLA 32 ficará em um tanque separado, assim como o diesel. Depois que o NOx sair do motor, ele passará por uma espécie de câmara, onde sensores verificarão o nível de NOx e injetarão a quantidade necessária de ARLA32 para quebrar essa substância, que ao reagir liberará no escapamento apenas nitrogênio puro e vapor de água.

Mesmo os caminhões mais antigos, como o Euro 0, I e II, que são a maior parte da frota, podem se beneficiar com as mudanças. Ainda segundo Leal, não há como adaptar os caminhões já produzidos para que utilizem ARLA32, mas ao abastecer com o diesel S50, as emissões já diminuiriam em até 27%.

O preço da tecnologia

Infelizmente, um produto com mais tecnologia embarcada, tem também um valor mais alto. Segundo a Volvo, os caminhões Euro V terão um incremento de 20% no preço, já o vice-presidente da fabricante de motores Cummins, Luis Pasquotto, diz que esse aumento será repassado aos poucos, no princípio a margem de lucro das empresas absorverá uma parte desse valor.

Além disso, o diesel S50 também deve ter um valor mais alto que o convencional e agora passa a ser necessário o abastecimento também do ARLA32, que, especula-se, deve chegar ao mercado a 50% do preço do diesel, em uma proporção de 95% diesel, 5% ARLA32. Mas esses custos devem ser compensados ao longo da vida útil do caminhão devido a menor manutenção.

Os fatores de risco

Mas para que toda essa tecnologia funcione, tanto o combustível quanto o ARLA32 precisam estar disponíveis no mercado. Nos primeiros meses ele será distribuído nas principais capitais e rotas e em quantidades pequenas. O encarregado do Posto do Gugu, na Castello Branco, local de grande venda de diesel, afirmou que ainda não recebeu nenhuma notificação sobre a mudança e não tem idéia do que é o Euro V. Os motores EuroV brasileiros até conseguem “sobreviver” com outros tipos de diesel, mas não se a freqüência for alta.

Já o Arla32, por não depender da Petrobrás, representa um risco menor. Muitas empresas têm a intenção de fabricá-lo, entre elas a Cummins, que já fornece o produto para os testes de algumas montadoras. A intenção é que o fluido esteja disponível em uma bomba do posto assim como o combustível, mas enquanto isso não acontecer, muitas montadoras vão disponibilizá-lo em suas concessionárias e a Cummins, por exemplo, irá fornecer desde tonéis de 5 mil litros, até galões de 4 litros, que o motorista poderá transportar como reserva em sua cabine, já que o ARLA32 não é tóxico nem inflamável.

Agora a peça chave para fazer tudo isso funcionar é, mais uma vez, o motorista, pois de nada adiantará toda a tecnologia e todo o custo, se o estradeiro não estiver consciente da importância de se abastecer corretamente o veículo. Para diminuir o risco de o motorista colocar fluidos não recomendados, o sistema avisa quando os níveis de emissão estão muito altos, seja por falta de ARLA32 ou de S50, se isso não for corrigido em 48h de funcionamento, o sistema tira 40% do torque do motor. Por isso parceiro, quando você tiver um EuroV nas mãos, ajude o mundo a respirar fundo tranquilamente.

Fonte: Pé na Estrada




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