A cada dois dias um caminhão tomba na região metropolitana de Belo Horizonte




Pelo menos um caminhão tomba a cada dois dias na região metropolitana de Belo Horizonte. Entre 1º de abril e 15 de junho, 33 carretas viraram em rodovias que cortam a região. Os acidentes com veículos pesados revelam os reflexos das condições de trabalho dos motoristas.

Especialistas apontam que as principais causas para o problema são a imprudência dos caminhoneiros, excesso da jornada de trabalho, condições ruins das estradas e carga com acondicionamento inadequado.

A equipe de reportagem monitorou, desde abril, os acidentes envolvendo caminhões. Somente na semana passada, até quinta-feira (16), foram três tombamentos. A maioria dos casos foi registrado nas BRs 381 e 262.

Uma pesquisa feita pela Seguradora Pamcary, especializada no transporte de cargas, apurou as causas de 508 acidentes envolvendo caminhões e carretas, entre outubro e dezembro de 2010.

Foi constatado que a maior parte das ocorrências são os tombamentos e capotagens. As principais causas têm sido velocidade incompatível com a pista e a fadiga dos motoristas. Em Minas Gerais, as rodoviais que mais registram esses tipos de acidentes são as BRs 381, 040 e 116.

O estudo ainda levanta outros fatores que contribuíram para os tombamentos, como chuvas, má conservação do veículo, condição da estrada, o trânsito livre e o período noturno.

Além disso, os dados mostram que a maioria dos caminhoneiros tem entre 18 e 25 anos e estava circulando com carretas articuladas com excesso de peso. Um dado curioso é que 34% dos acidentes ocorreram em uma quinta-feira.

Para o presidente do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros, José Natan Emídio Neto, as cargas mais propícias para o tombamento, são as líquidas e vivas. No entanto, ele afirma que o grande vilão causador de acidentes é o excesso de trabalho dos motoristas.

– Há falta de mão de obra no mercado e existe pressão das empresas para entregar a carga em prazos curtos. Contratam qualquer um que tenha carteira e, para cumprir o horário específico, o profissional acaba se tornando imprudente.

Segundo o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte de Belo Horizonte, José Vicente Gonçalves Pinto, assim como taxistas e motoristas de coletivos são obrigados a fazer cursos de reciclagem a cada cinco anos, os caminhoneiros também deveriam passar pela renovação.

Ele conta que atualmente só é exigido curso de profissionais que transportam cargas perigosas, mas a maioria dos motoristas são autônomos e sem preparação.

– Os caminhões estão cada vez mais novos e mais potentes. Os caminhoneiros antigos não sabem que esses veículos têm tecnologia que poderia reduzir os acidentes e não usam nem metade dos recursos oferecidos. As saídas são a capacitação dos motoristas e a conscientização de empresas e funcionários para não haver tanta pressão de horários.

A pressão é mais sentida pelos caminhoneiros jovens, que se arriscam mais. É o que conta o perito de acidentes de trânsito e professor de prevenção de acidente de trânsito, do curso engenharia de segurança da PUC-Minas e da Universidade Federal de Minas Gerais, Paulo Ademar, que também ressalta o fator humano nos acidentes.

– O caminhão tem um centro de gravidade alto e, somada às condições das estradas, pode influenciar em tombamentos. Porém, o motorista precisa ver que a estrada está ruim e tem que diminuir a velocidade. São quatro as principais causas de tombamentos: cargas especiais, imprudência, estradas e sobrepeso.

Fonte: R7 Cidades

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