Luxo e conforto rodoviário




A Geração 7 de carroçarias rodoviárias ficou completa com a chegada, no fim de março, dos modelos Paradiso Double Decker 1800 e o Low Driver 1600. Para aqueles que gostam de marcar a história, a próxima fornada (ou Geração 8 ) chegará lá por 2021. E a razão é que, na média, os rodoviários da marca foram renovados a cada 10 anos contados desde os primeiros modelos, lançados nos idos de 1949.

Os estudos de concepção do novo estilo iniciaram-se em 2006. E os primeiros G7 a rodarem foram os Viaggio e os Paradiso de menor porte em agosto de 2009. Desde as rabiscadas iniciais até o conceito final, os fabricantes desembolsaram R$ 40 milhões – sendo dez deles apenas nesses dois últimos lançamentos.

Foi dinheiro bem investido, a julgar pelos resultados ou mesmo pelo entusiasmo dos times da Marcopolo. Dois dos designers que estiveram de cinzéis à mão e a frente do trabalho que o digam:

“Podemos dizer que a Geração 7 é um ícone no design de um veículo comercial”, afirma o designer José Carlos Bohrer. “Desafiamos, nas premissas iniciais de projeto, ortodoxias até então vistas como difíceis de mudar em nosso setor”, emenda seu confrade Petras Amaral Santos. Os dois colocaram mãos à obra com o desafio de projetar um ônibus do futuro, ou futurístico, o qual, segundo Petras, está baseado em sustentabilidade, acessibilidade e conectividade.

“Até 2026, a quase totalidade dos veículos estará conectada à Internet, trocando informações entre si e com o ambiente. Além disso, o conforto para os cinco sentidos dos passageiros e a dirigibilidade deverão definir novos patamares de performance que serão responsáveis por tornar obsoletas todas as soluções atualmente disponíveis.”

Foi com base nessas premissas que os dois designers começaram a alimentar os computadores. Os resultados mostram muitos pontos a destacar. A começar pela sustentabilidade com melhoria na aerodinâmica calculada em 10% na comparação com o perfil da Geração 6. Necessário considerar que o projeto manteve a capacidade dentro das normas de dimensões internacionais, sem qualquer perda de espaço. É destacável, por exemplo, os 15 metros cúbicos de bagageiros no modelo Paradiso LD 1600.

“Chegamos a 0.42 de arrasto aerodinâmico no Paradiso 1200, com possibilidade de economias de 6% em combustível. É um fator muito interessante porque um caminhão com defletores tem Cx 0.70. Praticamente temos a metade com uma área frontal bem semelhante”, ressalta Bohrer. “Seguramente é o menor coeficiente de arrasto em ônibus do mundo. O que mais se aproxima é a carroçaria Irizar PB, mas ocorre que alguns números não comprovados, enquanto o nosso passo por túnel de vento”, emenda Petras.

Conta ainda na sustentabilidade a diminuição do peso. Consta que o peso da G7 é 20% mais leve do que o da geração anterior. A diferença foi obtida com a introdução de escadas de fibra de vidro, plásticos de engenharia nos para-choques traseiros e peças, dentre outros recursos.

Na acessibilidade a solução inovadora para os passageiros rendeu mesmo uma patente internacional, como foi anunciado no lançamento da linha em 2009. Os desenhistas da Marcopolo desenvolveram uma porta deslizante na cabine que divide o motorista e o salão de passageiros. Por ser deslizante permitiu uma inédita abertura de 580 mm, dando acessibilidade total aos cadeirantes, além de maior acesso aos viajantes.

As poltronas também foram concebidas com base em pesquisas etnográficas promovidas entre funcionários da fábrica. Na G7, conforme explica Bohrer, por sua ergonomia proporcionam maior conforto e agregam uma série de inovações, incluindo a utiliza­ção de espumas especiais tipo visco-elásticas na região da cabeça e pescoço, novos apoios de pernas/pés, audiofones, tomada para laptop, além de apoios de braço mais largos e macios.

“É uma poltrona que conseguiu criar empatia com os passageiros – em pesquisa que realizamos – por agregar um conforto diferenciado no segmento do transporte rodoviário de passageiros.”

A geração inova ainda ao agregar lâmpadas LED (Light Emitting Diode) em quase todas as funções ópticas. Como faz questão de destacar o designer Petras Amaral Santos: “Fomos pioneiros a utilizar a tecnologia em ônibus o que resulta em maior vida útil, aumento na segurança e redução de 70% no consumo de energia do veículo.”

As versões Paradiso Double Decker 1800 e Low Driver 1600 chegam com tudo isso e algo mais, dois anos depois do lançamento dos primeiros modelos G7. O design externo tem a mesma base, mas devido a configuração desses top de linha, os para-brisas ficaram maiores e curvos, que ampliam a visibilidade para o motorista e passageiros. Isso faz com que os viajantes da parte dianteira superior tenham a percepção de visão total do trajeto e da paisagem.

Internamente ganharam portas mais largas e escadas com desenho inédito nos degraus para melhor acesso na entrada e saída. Um item de segurança chama a atenção: corrimãos reposicionados e iluminação em LED acionada por sensores de presença que acendem e apagam as luzes automaticamente. A iluminação dos salões de passageiros é feita em LED que estão presentes também nas luzes de leitura dos porta-focos. Esse painelzinho individual conta com saídas individuais para ar-condicionado, plugues para fone de ouvidos e controle de volume do som.

Outra inovação específica das novas versões DD e LD é um teto solar panorâmico no salão de passageiros. Os dois modelos dispõem ainda de um novo monitor frontal em LED de 23 polegadas e monitores em LED de 15 polegadas, posicionados no teto ao longo do salão.

Os dois designers e sua turma trabalharam bastante no desenho do sanitário. Mexeram na entrada do ar-condicionado, reprojetaram o exaustor para diminuir o ruído e ampliar renovação do ar natural e na sensibilidade do toque da torneira e da descarga.

Por fim sobrou conforto para o motorista e o auxiliar, com a melhoria na ergonomia do espaço. Desenharam um novo painel, com satélites retráteis e que incorpora todos os instrumentos, como o display da câmera de ré, câmera interna e o sistema multiplex, que conjuga todas as funções elétricas do ônibus.

Naquilo que interessa ao negócio e ao bolso, falta acrescentar que o Paradiso DD 1800 possui opção de versões 6×2 e 8×2 – com 2 600 mm de largura e 13 200 mm ou 14 000 mm de comprimento, respectivamente. E o LD 1600 pode ser 4×2 ou 6×2, com mesma altura, 14 000 mm de comprimento e altura interna de 1 890 mm. O LD chegou ao mercado em maio por aproximadamente R$ 850 mil e o DD começa a ser produzido em julho, com preço a partir de R$ 900 mil. Contudo, antes mesmo do início da produção, a Marcopolo já tinha fechado 150 unidades de pedidos firmes, à base de meio a meio de cada modelo.

Fonte: TranspoData




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