O fator China




De brinquedos a roupas, aparelhos eletrônicos e outros artigos de consumo bastante conhecidos do público, como automóveis de passeio e dos utilitários de pequeno porte, o mercado brasileiro se tornou atrativo também para modelos de maior porte. Atualmente, quando se fala em caminhão chinês, o primeiro nome lembrado no Brasil é Sinotruk, marca cujos modelos começaram a desembarcar no Porto de Itajaí/SC, no primeiro semestre do ano passado e vive, em 2011, o momento da consolidação de seus produtos junto aos transportadores, com uma rede de 25 concessionários e mais de 400 unidades já comercializadas.

Com estratégia bem definida e com disposição para fincar pé no País, com respaldo da matriz na China, num primeiro momento a oferta está restrita aos cavalos-mecânicos Howo, estradeiros equipados com motor de 380cv de potência, nas configurações 6X2 e 6X4. E como não poderia deixar de ser, com preços competitivos, apesar de serem montados na China. “Além disso, a Sinotruk está capacitada para atender a demanda que for necessária”, diz Joel Anderson, diretor comercial da Sinotruk Brasil.

“Quem vê a cara não vê o coração”, diz um ditado popular, e isso se aplica aos modelos Sinotruk, produzidos pela CNHTC (China National Heavy Duty Truck Group Co. Ltd), o maior fabricante de caminhões pesados da China, com capacidade instalada de produzir 300 mil unidades/ano. A meta para este ano é de produzir 230 mil unidades e superar as 219 mil montadas em 2010, das quais 209 mil atenderam o mercado interno e o restante exportado para mais de 90 países, sendo os principais do Oriente Médio, África, Ásia, América do Sul e a Rússia, estes dois últimos em rápido crescimento.

Para ser competitiva no mercado interno e de exportação, a empresa tem quatro fábricas na China (totalizando 10 linhas de montagem) sendo uma delas destinada à produção de veículos somente para aplicações fora-de-estrada. O vice-presidente do Grupo CNHTC, Liu Wei, disse estar certo de que os caminhões da Sinotruk estão preparados para atender as necessidades dos transportadores brasileiros. Isso porque a companhia está constantemente atualizando seus produtos com parceiros europeus para acompanhar a tecnologia. “Nós selecionamos parceiros europeus para podermos acompanhar a tecnologia. Nossos produtos estão em perfeitas condições de atender os mercados”, acrescenta. O executivo cita ainda o bom relacionamento com a MAN como sinal de uma continuidade após o encerramento do acordo. Outra parceria da Sinotruk com uma montadora europeia ocorreu em 2003, com a Volvo, e também teve como objetivo a obtenção de novas tecnologias para montagem de caminhão. Outras parcerias tecnológicas atualmente são com ZF, Wabco, Bosch e Denso, entre outras.

A empresa produz, além da cabine, todos os componentes do trem de força dos seus caminhões. São duas fábricas de motores de 260 a 460cv de potência, atendendo legislação de emissões Euro 3, 4 e 5. Uma delas, a planta de Jinan, produz 105 mil unidades ano, outra em Hangzhu, 110 mil. A cada dois minutos e meio um motor é montado. Também fazem parte do grupo duas fábricas de caixas de transmissão, com capacidade produtiva de quase 400 mil unidades/ano, mecânicas e automatizadas, de 16 velocidades, com carcaça de ferro e alumínio. Em 2010, as duas produziram juntas 370 mil caixas, sendo que a planta instalada em Jinan tem espaço para treinamento de pessoal da rede e dos novos funcionários da empresa. Já os eixos traseiros e dianteiros saem de duas fábricas com capacidade instalada para produzir 360 mil unidades dianteiras e 720 mil traseiras, sendo a produção mínima, respectiva, de 200 mil e 400 mil unidades/ano.

Liu Wei comenta que em 2009, a Sinotruk montou também uma planta de ônibus e já está buscando oportunidades no mercado para seus produtos. “Fazemos o veículo totalmente e por enquanto estamos produzindo 10 mil unidades por ano”, diz. Outro negócio da Sinotruk – este mais recente – é a aquisição de duas fábricas de caminhões leves. Uma produz modelos de 2 a 8 toneladas de PBT e outra de 2 a 10 toneladas de PBT. Wei diz que as duas unidades produzem juntas 60 mil unidades/ano, mas chegarão a 200 mil após receberem os investimentos previstos. Todo o conglomerado dá emprego direto a mais de 30 mil chineses. A Sinotruk vai além dos acordos com empresas européias, pois possui área de pesquisas e desenvolvimento, a qual é responsável pela complementação da tecnologia provinda dos acordos. Tem área de forjados e de fundidos, esta última bastante evoluída e de grande importância para a empresa ter domínio dessa tecnologia. Liu Wei explica que a empresa é líder em pesquisas e conhece todas as etapas da produção de caminhões. Investe mais de 10% dos lucros em tecnologia. Tem mais de 100 laboratórios e cerca de 3.500 engenheiros. Seu centro de pesquisas e desenvolvimento é reconhecido como o mais capacitado da China e detém o sistema produtivo das principais peças. “Isso é estratégico”, complementa.

No primeiro trimestre deste ano, a Sinotruk produziu 58 mil caminhões, 8% a mais do que o resultado obtido no mesmo período em 2010. “A Sinotruk alcançou a liderança na China e saiu para buscar novos mercados. A nossa filosofia para exportação é oferecer o produto completo e depois, possivelmente, em CKD”, disse o dirigente. Ele acrescentou que a meta da empresa é atingir um nível de exportação entre 15 e 20% da produção.

Sobre o mercado brasileiro, Liu Wei comenta que o País foi identificado como um parceiro importante devido ao mercado global. Questionado se poderemos sediar uma base de exportação da Sinotruk para outros mercados do continente, diz que o Grupo pensa que o Brasil tem um papel estratégico nas operações da empresa, mas muitas coisas ainda dependem da evolução da marca no mercado. “Os próximos cinco anos são críticos para o futuro da Sinotruk no Brasil, com o rápido crescimento econômico e a presença de muitas marcas importantes de caminhões”, diz.

A executivo acredita também que o sucesso da marca terá efeitos positivos em outros mercados sul-americanos, e adianta que a meta é buscar um volume de cinco mil unidades em 2015 e montar a linha de produção no Brasil dentro dos próximos cinco anos.

Preço e estoque de peças

A vantagem do custo benefício, para vender caminhões da marca, além de estoque de peças de reposição a preços competitivos, faz parte da estratégia da Sinotruk Brasil. Joel Anderson, diretor comercial da empresa, explica que apesar de não haver Finame para os caminhões que traz da China, existe a alternativa do CDC, com taxas de 0,99% ao ano. Diz também que o concessionário (atualmente são 25 representantes no Brasil) tem a liberdade para conseguir melhores negócios através de parceiro financeiro. Adianta que já foram iniciados estudos para implantação do banco Sinotruk, porque hoje, a preocupação na China não é mais de apenas produzir, pois entenderam que é preciso financiamento para fazer seus produtos escoarem.

Anderson está confiante no desempenho dos caminhões da Sinotruk no mercado brasileiro e afirma que já vendeu mais de uma vez para o mesmo cliente, em apenas um ano de operação. “O boca a boca e o caminhão rodando é a maior propaganda do produto. Nosso foco hoje é o pequeno e médio transportador, mas estamos chegando aos grandes através de test-drive, porque hoje ninguém compra um caminhão sem experimentar”, analisa. Cada concessionária da rede têm dois caminhões exclusivos para testes dos clientes.

Lembra que a preocupação num primeiro momento foi trazer modelos 6X2 e 6X4, com motores 10 litros e 380cv de potência (ao preço de 270 e 290 mil, respectivamente). Comenta que a partir de agora vai abrir outros nichos de mercado, como o modelo canavieiro, por exemplo. “Estamos homologando oito motores Euro 5 de 320 a 460cv de potência. Temos de buscar volume e estamos com o pé no chão”, afirma. Ele acrescenta que a operação no Brasil tem respaldo da China e envolve 11 sócios que estão investindo no negócio. A meta é comercializar cinco mil caminhões/ano em 2015.

Parceria com a MAN

Em 2009, a CNHTC e a MAN fizeram um acordo no qual a empresa alemã investiu 560 milhões de Euros e ficou com 25% mais uma ação da Sinotruk em troca de fornecer toda a tecnologia do MAN TGA. Ainda no âmbito dessa parceria, o presidente do conselho de supervisão da Sinotruk, Chunji Ma, e o CEO da MAN SE, Dr. Georg Pachta-Reyhofen anunciaram – durante o Motor Show Auto Xangai, em abril passado – uma nova marca conjunta de caminhões, a Sitrak, para a China e mercados em crescimento na Ásia, Oriente Médio, África e a Comunidade de Estados Independentes (CEI).

O primeiro modelo a ser produzido, o Sitrak T7H, tem início de produção marcado para dezembro de 2011 e as vendas começam no primeiro semestre de 2012, com projeção de 200 mil unidades até 2018, sendo 160 mil para o mercado chinês. Na China, o veículo será comercializado com o nome Shandeka, cujo logotipo reúne três folhas estilizadas de Ginkgo, que simbolizam vitalidade na Ásia e as vendas serão exclusivamente através da Sinotruk e os mercados de exportação pela rede MAN e Sinotruk.

Fonte: Revista O Carreteiro




2 comentários em “O fator China

  • 22/08/2011 em 13:34
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    quando o banca da sinotruk chegará ao brasil????

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    • 22/08/2011 em 14:56
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      Esses caminhões já estão rodando no Brasil.

      Abraço

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