O jeito próprio da Volvo nos EUA faz 30 anos




O primeiro e 500000º Volvo produzido nos EUA

A coisa iniciou-se com a compra da White Motor Corp., que também estava na mira da então Daimler-Benz. A montadora alemã acabara de comprar a Consolidated Freightways Inc., melhor conhecida como Freightliner. Os especuladores da época falavam em US$ 225 milhões. Uma ninharia por um negócio, que por sua vez estava falido. A Volvo teria desembolsado valor aproximado pela White, igualmente vítima da queda de vendas globais ocorrida entre 1979 e 1980. De 212 mil caminhões pesados (classe 8 ) anuais, baixou para 135 mil unidades.

Em 1988, ainda falando de EUA, a Volvo comprou a operação de caminhões da GMC. Ficou usando as três marcas até 1995, quando assumiu a própria identidade. Ao contrário da Daimler, os suecos de Gotemburgo foram importando não apenas os componentes, tais como projetados na Suécia, mas os conceitos e os testaram no mercado americano, conhecido por suas linhas de montagem horizontalizadas.

Ou seja, até o trem-de-força, que é o coração do produto, tinha e tem suprimento de diversos fornecedores. Primeiro vieram os motores puro sangue, em seguida, a transmissão. Com jeito, a Volvo foi além. Empenhou-se para derrubar algo tão americano quanto o uísque Jack Daniels. O fabricante sueco está levando os compradores de Nova York a Los Angeles a migrarem das caixas ditas secas (não-sincronizadas) tradicionais para os câmbios automatizados, os conhecidos modelos próprios I-shift.

Bem, num ponto estes conjuntos têm itens em comum: não precisam de sincronizadores. Atualmente 26% dos Volvo VN (classe 8 ) da fábrica de New River Valley (Dublin), no estado da Virgínia, saem com a I-shift e a perspectiva de aceitação é tão favorável que a montadora está destinando US$ 7 milhões para a construção de ‘criadouro’ local de I-shifts em Hagerstown, no estado de Maryland.

De quebra fornecerá o mesmo componente de sigla mDrive para a coligada Mack (também pertence à Volvo, através da Renault) montá-lo no modelo Pinnacle. Por enquanto o sucesso de aceitação I-shift é fabricado somente em Kopnig, na Suécia. Brevemente o teremos também em Curitiba, sob confecção paranaense.

Para estabelecer um marco solene no acerto de rumo do processo de europeização do ‘american way of trucking’ (jeito próprio de tocar o negócio com caminhões), a Volvo entregou no final de maio a sua 500.000ª. unidade montada nos EUA. Trata-se do modelo VNL, equipado com motor D13 e caixa I-shift, incorporado à frota da vizinha Wilson Trucking, esta fundada em 1926. Seu parque rodante tem 740 caminhões, 1.500 semirreboques-baús e 35 filiais dispostas no sudeste americano.

Na ocasião, Patrick Collignon, COO (Chief Operating Officer) da Volvo Trucks, lembrou que o primeiro produto montado por lá – um F7 – saiu da linha da fábrica de Dublin em 1982. Como elemento de comparação de mercados, no Brasil, a Volvo começou a montar o N-10 em 1980 e sua contagem acumulada beira hoje as 170 mil unidades, englobando todos os modelos.

Fonte: Revista Carga Pesada




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