Pureza no asfalto




Quando se fala em poluição, efeito estufa e aquecimento global, muita gente aponta logo o dedo para os veículos movidos a combustíveis derivados do petróleo (gasolina, diesel ou querosene). Eles são os vilões preferidos dos ambientalistas e nunca tiveram tanto em discussão como nesta agora, durante a Semana do Meio Ambiente. E entre os “bandidos” que estariam destruindo o planeta, há quem culpe ainda mais os veículos coletivos e comerciais, como ônibus e caminhões -o que pode ser justificado pela nuvem de fumaça preta que eles soltam, diariamente, nas ruas das grandes cidades.

As montadoras deste segmento vêm procurando alternativas para limpar a imagem dos meios de transporte e de carga no Brasil e o ar por onde passam, uma vez que o país é altamente dependente deste tipo de veículo. A Mercedes-Benz apresentou, na última terça-feira, as tecnologias e medidas que visam diminuir as emissões de poluentes por parte dos caminhões e ônibus urbanos. Destaque para os resultados dos testes com o óleo diesel proveniente da cana-de-açúcar.

O combustível, que está em processo inicial de aprovação na Agência Nacional de Petróleo, reduz em até 90% a emissão de gases causadores do efeito estufa, se comparado com o diesel derivado do petróleo utilizado hoje no Brasil. Nos testes realizados de forma pioneira pela montadora alemã em sua fábrica de São Bernardo dos Campos e em operações regulares de ônibus urbanos na Grande São Paulo, a mistura 10% diesel de cana e 90% diesel comercial (com teor de enxofre S50) proporcionou redução de 9% nas emissões de material particulado, sem aumentar as emissões de NOx.

Para a Mercedes, um importante resultado dos testes com o diesel de cana é a manutenção do desempenho. Nos ensaios comparativos, os parâmetros de controle do motor permaneceram exatamente iguais. Outro ponto a favor ao -diesel verde- é que seu uso não requer qualquer alteração no motor da frota atual dos ônibus e caminhões que rodam no país. Em relação ao consumo, os testes comprovaram também que os níveis com o novo combustível se mantiveram semelhantes aos atuais.

A própria Mercedes avalia que muito ainda precisa ser feito para que o diesel de cana chegue às bombas dos postos brasileiros. Afinal, o país ainda não conseguiu resolver, de forma definitiva, o problema da falta de etanol, proveniente da cana-de-açúcar, durante o período da entressafra do produto, o que eleva muito o preço do combustível. Para se tornar viável, o diesel ecologicamente correto tem um longo caminho entre as usinas e o tanque dos caminhões e ônibus brasileiros.

Fonte: VRUM

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