“Sou do mundo”, dizem os caminhoneiros apaixonados




“Meu pai é caminhoneiro. Meu tio é caminhoneiro. Meus três irmãos são caminhoneiros. Eu tenho paixão por ser caminhoneiro, mas sou uma exceção: gosto do que faço”, diz Eloir Antonio Sbardelotto, de 28 anos.

Sentado na cabine de um caminhão Mercedes, em um posto de combustível à beira da “Rodovia da Morte”, a Régis Bittencourt, o trecho da BR-116 que liga São Paulo à Curitiba, Sbardelotto tem entusiasmo pela profissão que adotou mesmo antes de completar 18 anos.

Diz que já rodou todo o Brasil. “Caminhoneiro é turista de periferia, conhece todos os lugares onde são feitas as entregas de cargas”, diz. Para completar em seguida: “Eu, não. Gosto de saber os costumes locais e o que se come em cada região”.

Com o primeiro grau completo, Sbardelotto chega a tirar R$ 4 mil nos melhores meses do ano, quando a safra precisa ser escoada pelas estradas e os caminhoneiros costumam dobrar ou triplicar sua remuneração. “Há muito médico que não tira isso”, compara, dizendo que chega passar dia sem dormir para cumprir a entrega de cargas.

De acordo com o sindicato dos caminhoneiros autônomos, o salário médio da categoria varia entre R$ 900 a R$ 1.300.

Há dois anos, Sparbelotto deixou a esposa, sua namoradinha desde a adolescência, para trás, em São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, onde nasceu.

No início, ela acompanhava nas viagens de caminhão, mas cansou da vida, de dormir na boléia e tomar banho em posto de gasolina. Pediu para ele deixar a estrada. Ele não quis.

“Sou do mundo”, afirma.

Sonho frustrado

Tiago Marciano dirige um caminhão Mercedes 1113 desde os 18 anos. O veículo foi fabricado em 1976, 13 anos antes de ele nascer.

“Segui a profissão do meu pai, que também tem caminhão”, afirma o jovem de 22 anos, que tentou ser mecânico.

“Mas não deu. Não conseguiu estudar”, antes de fazer uma entrega numa fábrica de produtos de limpeza às margens da Rodovia Raposa Tavares, em Cotia e voltar à Valinhos, ambos municípios em São Paulo, distantes a 100 quilômetros.

Entregas internacionais

O argentino Damian Molina, caminhoneiro há 21 dos seus 38 anos, costuma fazer a rota entre a Grande Buenos Aires, onde nasceu, até a Grande São Paulo, “puxando” – como se diz na gíria das estradas – cargas de autopeças, produtos de higiene e limpeza e máquinas.

Com residência em Paso de los Libres, na fronteira da argentina com o Rio Grande do Sul, Molina tem cinco filhos gerados em três casamentos. “É uma profissão muito dura. Ninguém aguenta ficar longe da família. Minhas mulheres já me mandaram embora várias vezes.”

Filho de caminhoneiro, ele dá preferência a correr grandes distâncias. “Para nós (argentinos), é mais fácil transportar cargas internacionais”, conta.

“Como se fica três a quatro dias esperando na fronteira para desembaraçar as mercadorias, a gente costuma ganhar diárias. Já os caminhoneiros brasileiros, não. A maioria ganha uma comissão por frete. Para eles, dia parado é prejuízo.”

Molina diz que na Argentina vive também uma falta de caminhoneiros, mas que as empresas pagam três vezes mais do que no Brasil, algo equivalente a R$ 6 mil por mês.

Ele aponta a organização sindical como um dos fatores que fortalece a profissão na Argentina.

Fonte: IG




Um comentário em ““Sou do mundo”, dizem os caminhoneiros apaixonados

  • 29/05/2012 em 15:52
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    Sr.DAMIAN MOLINA, ai que está a diferença, sindicatos. Aqui os sindicalistas só querem saber de seus ganhos, seja salario de sindicato, seja jeitinhos com politicagem. A diferença cultural também é grande, tirando uns raros da região sul, o resto é igual a musica aquela “Vida de gado”. asta ver no incio desta matéria o que comenta o sindicato sobre ganhos {De acordo com o sindicato dos caminhoneiros autônomos, o salário médio da categoria varia entre R$ 900 a R$ 1.300.}; quem consegue viver dignamente com isto. Empresas transformaram os motoristas de caminhão deste país em zumbis mal engendrados, movidos a pinga, rebite e agora cocaína. Informações e tempo para adquiri-las são pouquíssimos que tem, o restante é o que você aos rodar por ai já sabe.
    Desta maneira o sindicato, empresários e governo, vão tangendo a boiada, com farelos, migalhas. Da mesma forma o autônomo é lavado e os poucos que tem mais de 1 caminhão e empregado, vão dividindo as migalhas e farelos com o empregado amigo. Um tristeza a situação do caminhoneiro brasileiro, empregado e autônomo.
    Todos somos do mundão como diz a matéria, mas mais ainda na juventude, depois que entramos na casa do “enta( quarenta, cinquenta, sessenta), já não vemos as coisas desta maneira. Pensamos tenho certeza: Por que não nos unimos e exigimos melhores condições de vida, regulamentação da profissão a uns 30 anos atrás. Hoje não estaríamos a viver de salário minimo de aposentadoria, extropiados pelos anos de rodagem e com um convívio melhor e mais duradouro família.Não, não entenda como ranço, amargura da profissão, mas sim como uma constatação de que esta profissão pode ser bem melhor e mais bem vista. Nenhum de nós se pudéssemos voltar atrás, optariamos por outra profissão. Mas com certeza nos tempos de hoje é escravidão, travestida de profissão. Mesmo com todas as novas leis, elas na verdade só atingem e melhoram para o empregador que, em cima delas vai retirar vantagens econômicas, deixando de lado o fator econômico do trabalhador. Horas de descanso, horas paradas, etc… Diz ai: quem já recebeu o tal 1 real tonelada/hora parada/lotação por esperar descarga ( lei criada pelo senador Gilberto Paim), poucos , muito poucos. Alem do que tal lei traz embutida um parágrafo que diz: O não pagamento se dará salvo constar no contrato de fretamento… O que quer dizer, deve estar lá bem miudinho o parágrafo no contrato. SEM UNIÃO DOS AUTÔNOMOS E paralisação geral de todos, nunca atingiremos um patamar de dignidade para os hoje autônomos e, para os empregados atuais que desejam se transformar em um.

    Abraços Paz na estrada.

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