Transamazônica é marcada por abandono e atraso

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A Rodovia Transamazônica, projetada há quase 40 anos, ainda não cumpriu o papel de integrar o Norte e o Nordeste do Brasil. O Jornal Nacional percorreu um dos trechos mais acidentados da estrada, no estado do Amazonas. O resultado você vê na reportagem de Maríndia Moura e Hélio Santiago.

Floresta e barro seco a perder de vista. É tudo que se vê no pedaço isolado da terceira maior estrada do Brasil, BR-230, a Transamazônica.

A rodovia, que foi projetada durante o regime militar e inaugurada na década de 70 como símbolo de desenvolvimento, é hoje sinônimo de atraso e de abandono.

A Transamazônica começa em Cabedelo, na Paraíba, e percorre sete estados brasileiros. São quase 5 mil quilômetros de extensão, ligando as regiões Nordeste e Norte do país.

Um dos trechos mais críticos é no Amazonas, entre os municípios de Humaitá e Lábrea.
A equipe do Jornal Nacional cruzou os 215 quilômetros que separam as cidades. Logo no começo do caminho, encontrou uma pequena comunidade. Não fica longe do centro de Humaitá, mas sair de local é um desafio que só se encara em casos de necessidade.

“Eu só vou de mês em mês. Uma vez por mês. A não ser as vezes que estamos com muita necessidade, alguém doente, fazer exames. Aí a gente vai”, contou aposentada Benedita Coutinho Soares.

No caminho, surgem pontes e pontilhões de madeira sobre córregos e igarapés. Não há sinalização. A estrada se afunila e surgem tábuas soltas. Na cabeceira de uma ponte, uma cratera. A passagem só possível de balsa, onde só cabe um veículo.

Entre Humaitá e Lábrea, o ponto mais conhecido, mais temido pelos motoristas, o mais crítico é chamado de ‘estreito’. Nesse período de verão, é possível passar com dificuldade. No inverno, quando chove praticamente todos os dias, toda a terra vira lama e atoleiro.

“Quando chove, nem tatu calçado de chuteira não anda. Se chover, não anda ninguém”, brincou um morador.

O trecho exige perícia e paciência. É preciso equilibrar o carro na trilha para não cair nos buracos. Os acidentes são frequentes.

“Ontem mesmo tombou um caminhão nosso de boi. Tombou e morreram cinco bois, um prejuízo danado”, disse o caminhoneiro Sebastião Pereira de Souza.

O ônibus passa quatro vezes por semana, mas não tem dia, nem hora certa para chegar ao destino.

A equipe levou seis horas para percorrer o trajeto, sem nenhuma pancada de chuva. Lábrea tem 39 mil habitantes, que já se acostumaram às consequências do isolamento.

O vice-prefeito, Nelson Amud, é dono de um pequeno mercado. Diz que produtos perecíveis só chegam pelo ar. “O quilo de tomate, que custa R$ 2, nós vamos pagar R$ 6 ou R$ 7 com o transporte de via aérea. Então, isso se torna muito difícil para a população porque o poder aquisitivo do povo é muito menor, muito pequeno”, explicou Nelson Amud.

Seu Fernando, dono da farmácia, prefere garantir o estoque de remédio pelas águas do Rio Purus. “100% do nosso abastecimento é via fluvial. Não tem como vir por estradas. E avião se torna muito inviável o preço”, contou.

Se de dia a situação é complicada, à noite, é perigosa. Choveu em alguns pontos da estrada e o resultado é muita lama. Um caminhão atolou e por pouco não tombou. Não restou alternativa ao caminhoneiro a não ser esperar o dia amanhecer e esperar por socorro. “Demora um pouco, mas tem socorro. Sempre aparece alguém”, contou ele.

A equipe do JN teve mais sorte e conseguiu vencer o rali na Transamazônica.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que as obras de melhoria da Transamazônica no estado do Amazonas vão começar este mês. Segundo o DNIT, também está prevista a substituição das pontes de madeira por outras de concreto.

Fonte: Jornal Nacional

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