Contratação de seguros e preço de apólice estão em alta




As operações de transporte de cargas e de logística no Brasil apresentam uma série de riscos de grande impacto que devem ser previstos e prevenidos para que as empresas tenham continuidade na prestação de seus serviços. Em nosso País, o roubo de cargas, a péssima malha rodoviária, a falta de infraestrutura nos portos e aeroportos e diversos outros fatores obrigam as transportadoras a ter uma complicada e cara parafernália de gerenciamento de risco.

Um dos componentes deste sistema é o seguro, um assunto bastante debatido no setor. O roubo de cargas é a modalidade de sinistro que mais registra ocorrências entre as seguradoras. De acordo com Eder Ferraz, sócio-proprietário da Ferraz Corretora de Seguros, esse crime é responsável por 85% da procura pelos seguros.

“Por se tratar, hoje, da operação mais comum no transporte, a maior procura de seguro é para apólices de RCTR-C, ou seja, a Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga. Em segundo lugar, vem o RCF-DC, sigla para Responsabilidade Civil Facultativa do Transportador por Desaparecimento de Carga”, indica ele. “Apesar disso, temos registrado o crescimento de comercialização de seguro em outras modalidades”, lembrou.

As ocorrências de maior frequência estão concentradas nas capitais, municípios e regiões metropolitanas. Cerca de 80% dos sinistros ocorridos na carteira da Ferraz foram registrados na cidade de São Paulo e Grande São Paulo, depois vêm os Estados do Rio de Janeiro, Pará, Maranhão e Minas Gerais.

O tipo de mercadoria alvo dos criminosos, explicou ele, depende de cada região, mas em geral as principais são aquelas com maior valor agregado e com alto nível de tecnologia. Entre elas estão os produtos eletroeletrônicos e telefones celulares. Outro alvo são os medicamentos, produtos destinados a supermercados, cigarros e até mesmo carnes. Especialistas indicam que todo produto de alto giro e alto consumo tende a ser mais cobiçado pelos ladrões.

Apesar desse cenário, o número de registros de sinistros vem apresentado queda nos últimos anos, tanto para acidentes quanto para roubos de cargas rodoviárias. Em 2010, a Secretaria de Segurança Pública do Estado, relatou Ferraz, chegou a registrar uma redução de 6,2% comparado ao mesmo período do ano de 2009. “Em junho de 2011 foi noticiada uma redução de 2,06%, na média mensal”, comentou . Apesar disso, o número de ocorrências permanece alto, tirando o sono de quem transporta.

O roubo de cargas faz com que o preço das apólices de seguros esteja mais caro do que um ano atrás. Esse aumento pode ficar entre 5% e 15% comparado ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, a contratação de seguro para cargas rodoviárias vem crescendo a cada ano. O motivo dessa expansão está no grande número de novas empresas no mercado e a crescimento de uma nova modalidade de transporte, chamada de transporte de carga projeto.

“Quando estamos falando de seguro, temos que entender que falamos de riscos e isso vale para todos os tipos de seguro. Algumas experiências no passado levaram as companhias de seguro a restringir o desenvolvimento das novas apólices. Esse fator afeta, não só o valor do seguro, como também as condições para os transportadores, e isso somente após um grande estudo para a aceitação do risco”, disse Ferraz. “Porém, em regra geral, as companhias abrangem quase todo o tipo de mercadoria. Algumas seguradoras possuem restrição a um tipo e aí cabe ao corretor de seguros enquadrar aquele perfil do transportador ao da seguradora”, sugeriu ele.

Recomendações

O gerenciamento de risco continua sendo a melhor maneira de evitar sinistros. Os chamados PGRs, ou Planos de Gerenciamento de Risco, podem ser um fator complicador, pois em alguns casos as seguradoras não oferecem uma padronização. Na avaliação do corretor, existem ferramentas disponíveis como planos de gerenciamento de risco flexíveis, que preveem alternância de horários, rotinas, estilos e mercadorias para dificultar a ação dos criminosos, equipamentos de rastreadores, monitoramento de cargas, isca e escoltas. O transportador pode contar também com treinamento gratuito que algumas seguradoras oferecem e que vão desde a prevenção a roubo de cargas, os efeitos do sono, curso de direção defensiva e de direção preventiva, entre muitos outros assuntos abordados.

Se mesmo assim o transportador se vir em uma situação na qual a solução seja acionar o seguro, a primeira coisa a ser feita é comunicar a seguradora através do serviço 0800 que a contratada oferece. O segundo passo, diz ele, é comunicar também o corretor para que ele possa acompanhar e intervir na liquidação do sinistro.

Fonte: Portal Transporta Brasil




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