Diesel menos poluente fomenta novas tecnologias




O Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) foi tema de palestra realizada nesta sexta-feira (7), no Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo). No evento, o engenheiro da Volvo do Brasil, Jeseniel Valério, falou sobre como o programa estimulou o desenvolvimento de novas tecnologias na indústria de veículos pesados e o que ele exige do setor de revenda de combustíveis.

Para atender às normas de emissões do Proconve, que entrarão em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2012, a Volvo desenvolveu uma tecnologia chamada SCR (Selective Catalytic Reduction, em português, Redução Catalítica Seletiva). “O sistema de gerenciamento de emissões determina um equilíbrio entre potência, economia de combustível e controle de emissões de NOx (dióxido de Nitrogênio e óxido de Nitrogênio)”, destacou o representante da Volvo. Outras tecnologias podem ser utilizadas por outras indústrias.

Valério explica que, para se ter uma ideia de como o novo sistema aliado ao combustível diferenciado pode beneficiar o meio ambiente, basta fazer uma comparação: “cinco novos veículos poluirão o mesmo que um que utiliza a antiga tecnologia”.

Já o dono do posto de combustível precisa se preocupar com o armazenamento do novo produto (em tanques especiais) e com o transporte (que deverá ser realizado em um tipo de caminhão próprio). A revenda terá que remanejar tanques ou instalar outros.

Mato Grosso possui quase mil postos. Estabelecimentos localizados em rodovia deverão ser os primeiros a se adaptarem para atender as frotas de caminhões e ônibus que estão por vir. “Já estou realizando estudos para saber qual a infraestrutura que devo garantir e quais os investimentos necessários para comercializar o novo diesel”, afirma o revendedor Vilson Kirst. “A expectativa é que as adequações nos postos ocorram conforme a demanda”, emenda o presidente do Sindipetróleo, Aldo Locatelli.

O diretor do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de Mato Grosso (Sindmat), Gilvando Alves de Lima, avalia que o custo de novas tecnologias pode influenciar no custo do frete. “Mas não podemos ver isso como uma barreira. Reduzir a emissão de poluentes é uma tendência global e temos que estar prontos a atendê-la. Os transportadores esperam que a indústria invista cada vez mais em tecnologias que atendam a questão ambiental e ao mesmo tempo reduzam os custos operacionais”, diz Lima.

A coordenadora de Atividades Agropecuárias da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Kelly Deluqui, também assistiu à palestra. “Vim com o objetivo de saber mais sobre as transformações previstas no setor de combustíveis. Preciso entender a lei, mas também preciso compreender os caminhos a serem seguidos pelos revendedores”, destaca. “Afinal, caberá à nossa coordenadoria avaliar os pedidos de licenciamento ambiental quando houver a necessidade de instalar novos tanques”, acrescenta.

Proconve

O Proconve foi instituído há 25 anos pela Resolução Conama Nº 18/1986 e funciona limitando a quantidade de emissão de determinados poluentes nocivos à saúde pelo escape dos veículos. O programa está dividido em várias fases, cada qual com um determinado nível de emissões inferior à fase anterior. Em 2012 começa uma nova etapa, quando a emissão de material particulado será reduzida em 80% e a de óxido de nitrogênio, o NOx, em 60%.

Hoje no Brasil é comercializado o diesel S500 e S1800, produtos com alto teor de enxofre – 500 e 1800 partes por milhão (PPM), respectivamente. Para que a redução da poluição ocorra, o mercado de combustíveis contará com o diesel S50 (50 PPM), já em 2012. Em 2013, os consumidores terão acesso ao diesel S10 (10 PPM).

Os veículos ciclo diesel produzidos até 2011 continuarão a serem abastecidos com óleo diesel S500 e também com o S1800.

A proposta abrange veículos rodoviários automotores de carga, de passageiros ou de uso misto, com capacidade para transportar massa total superior a 2,8 toneladas ou mais de 12 passageiros.

Fonte: Jornal O Documento

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