Luxo ou necessidade?




Em 1993, com a abertura às importações de veículos de todo gênero, a Volvo teve peito suficiente para trazer da Suécia para o Brasil os caminhões FH12 de cabina avançada equipados com um inusitado motor eletrônico. Foi uma novidade que enfrentou muxoxos de uns e outros concorrentes, pelo fato de inovar em tecnologias e no conceito de produto chamado Premium, na comparação com aqueles oferecidos aqui pelos concorrentes.

Durante uma festa de entrega das primeiras unidades a desembarcarem no porto de Paranaguá, PR, realizada em uma concessionária da capital paulista, os olhos de um grande transportador, de saudosa memória, brilhavam estimulados pela compra de um dos exemplares. Perguntado sobre a razão da aquisição, não titubeou em responder: “não podemos ficar atrás dos concorrentes”.

Àquela época, ainda era costume dizer que “no Brasil não há mercado para caminhões sofisticados”. Ou “não há estrada para esse tipo de veículo”. Ou “o transportador brasileiro prefere versões mais espartanas”, eram argumentos ouvidos com frequência.

E o que mudou nos dias de hoje? As estradas continuam deixando a desejar, mas uma nova geração de empresários passou a gerir suas transportadoras que, por sua vez, acompanhando as exigências dos embarcadores, evoluíram do conceito simplista de “fazer um frete” para a “logística de transporte”.

A própria definição de caminhão Premium evoluiu. No passado, bastava uma pintura especial com faixas invocadas, um toca-fitas no painel, alguns acessórios cromados e, pronto, estava feito. Agora o conceito envolve funcionalidades práticas, além do capricho estético, contemplando itens que contribuem para maior conforto, segurança e produtividade. A Transportes Jaloto, de Maringá, PR, costuma estar entre as primeiras a investir nos caminhões que incorporam novidades tecnológicas.

“Buscamos a melhor tecnologia para obter o melhor resultado em aspectos como economia e segurança”, diz o diretor e proprietário Joel Jaloto.

Operando no segmento de óleo vegetal, combustíveis e derivados de petróleo com caminhões Scania e Volvo, a empresa prioriza os recursos de segurança, com os quais evita, por exemplo, o tombamento em curvas que sabidamente é incidente comum nesse tipo de cargas. E também o câmbio automático “que mantém o motorista mais descansado”. Jaloto, contudo, pondera que “não basta ter tecnologia, se o motorista não adotar direção defensiva” e, por isso, investe pesado em treinamento, receita que tem garantido a redução de acidentes e economias de combustível.

“Com essas tecnologias mais avançadas e treinamento, conseguimos reduzir o consumo entre 4% e 5%, tanto nos Scania como nos Volvo”, afirma o diretor que acha mais importante ter novos recursos tecnológicos do que o conforto de uma cabina Globetrotter, por exemplo.

Bem ao contrário, a Transportadora Gislon, de Gaspar, SC, tem optado por caminhões que possuam também as maiores e melhores cabinas. Para a sua especialidade, o transporte de cargas indivisíveis como transformadores elétricos, utiliza o Mercedes-Benz Actros 2646, o Scania R470 Highline, o Iveco Stralis 460 e o Volvo FH 520 Globetrotter. Todos top de linha de alta potência como é possível reparar.

“Esse tipo de transporte muitas vezes acontece em velocidades muito reduzidas, sob sol intenso, e requer níveis de segurança extremos”, explica o diretor proprietário Marcelo Gislon.

Assim sendo, o executivo coloca o ar-condicionado como fundamental e agregado a elevada disponibilidade de potência no motor. Ele explica que o conforto da cabina não é luxo, trata-se de necessidade. E complementa que agora só compra caminhão com câmbio automatizado.

“Na minha empresa, quem escolhe o veículo é o motorista. Por isso tenho todas as marcas. Quando o motorista dirige um caminhão diferente daquele que gosta, acaba detonando. Então eu pergunto antes de comprar: qual caminhão você quer? E isso é importante porque está muito difícil conseguir e também manter bons motoristas. Com os caminhões Premium eu consigo até atrair profissionais de outras empresas.”

Novos tempos

Em sua visão, o motorista que antes usava camiseta regata e sandálias para sobreviver ao calor das cabinas durante a viagem, agora deve estar bem vestido e usar uniforme e assim passar uma boa imagem da empresa. Deixou de ser um simples operador, tornando-se alvo das atenções dos empresários na hora da escolha dos caminhões. Itens antes considerados supérfluos, como o ar-condicionado, agora fazem toda a diferença. Nesse ponto, o Actros, o caminhão Premium da Mercedes-Benz, ganhou pontos na avaliação da Gislon.

“Esse caminhão tem um ar-condicionado inovador, com um sistema de condensação que permite que o ar da cabina continue refrigerado durante oito horas com o veículo desligado, enquanto o motorista dorme. E isso faz toda diferença, em regiões de clima quente.”

A Pedromar, de Rondonópolis, MT, utiliza composições bitrem no transporte da safra daquela região para exportação e também considera importante oferecer um ambiente de trabalho confortável para o motorista. Por isso, desde 2009 vem comprando apenas o Volvo Globetrotter com transmissão automatizada e ar-condicionado, além de outros recursos de segurança disponíveis no modelo.

“Não precisa ser o mais potente, mas é importante ter ar-condicionado e essa nova tecnologia de transmissão”, afirma o empresário Volmar Michelon, justificando sua opção nas últimas aquisições de uma frota que hoje soma 62 veículos.

“O câmbio automatizado corrige as imperícias dos motoristas, evita que façam barbeiragens que poderiam comprometer outros componentes, como coroa, pinhão, ponta de eixo, etc. Além disso, economizo com manutenção pois não troco componentes que são necessários em câmbios mecânicos e também obtenho melhores níveis de consumo de combustível”, resume.

A Versátil Transportes, de Canoas, RS, transporta alimentos em baús refrigerados de três eixos do Sul para as demais regiões do País, contando com cinquenta caminhões Volvo FH e VM. Nas compras mais recentes também tem optado pelas versões mais sofisticadas, com câmbio automatizado, freios ABS, airbag, sistema de freio eletrônico e alcoolock, recursos de segurança que começam a frequentar a lista de opcionais dos top de linha. O diretor Daniel Oliveira da Silva também está satisfeito com os resultados positivos em produtividade e segurança proporcionados por esses equipamentos, mas aponta outra vantagem dos caminhões Premium:

“Quando nosso FH 520 Globetrotter estaciona no pátio do cliente ele chama atenção. Trabalhamos com grandes empresas, como Nestlé e Danone, que valorizam o investimento em novas tecnologias e a manutenção cuidadosa. Por isso, colocamos também a foto desses Volvo nos folhetos de apresentação da empresa. O caminhão Premium gera um bom impacto positivo para a imagem e isso contribui para o bom andamento do negócio”.

Ao contrário da Versátil, a Transportes Mann, de Joinville, SC, não fideliza a frota com apenas uma marca, preferindo manter a concorrência entre as montadoras. “Trabalhando com todas as marcas, eu consigo mais poder de negociação na hora da compra de novas unidades, além de obter base de comparação em desempenho e produtividade”, diz o proprietário Hilário Hahnemann.

Ele foi um dos primeiros a comprar os novos Iveco Stralis Eurotronic, recém-lançados e cuja novidade está na transmissão automatizada. Com frota de 320 caminhões, a maior parte pesados, a Mann faz transporte de carga fracionada da região Sul para o Nordeste brasileiro.

“Com uma cabina confortável e o câmbio automatizado, o motorista trabalha melhor, pois fica mais descansado e pode dar maior atenção ao trânsito do que ao caminhão em si”, avalia.

Hahnemann tem optado por veículos com câmbio automatizado em todas as marcas que possui na frota. E justifica sua preferência pelos resultados alcançados. As primeiras vinte unidades, de um total de 83 Iveco Stralis Eurotronic que encomendou, começaram a rodar na semana em que o entrevistamos “mas já mostraram que são bons – o investimento foi acertado”, conclui o empresário.

Fonte: Transpodata

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