Metade da vida, ao lado do caminhão, percorrendo o país




A vida na estrada, como caminhoneiro, para Adelino de Souza Machado, “Deio”, natural de Armazém, mas que hoje reside com a sua família em Gravatal, começou numa brincadeira. Há 19 anos, essa “brincadeira” virou fonte de renda e sustento para a família. Hoje, aos 38 anos, ele celebra metade da vida nas estradas do Brasil.

Adelino conta que o início da profissão começou como uma brincadeira porque ele sempre gostou de viajar, mas sempre na carona. “Eu trabalhava na roça e em um Carnaval fui para a Praça, para a casa da minha irmã. Meu cunhado me convidou para viajar e eu não parei mais”, relembra.

No entanto, o caminhoneiro afirma que, na profissão, é preciso lidar com os perigos da estrada. Em sua jornada, Adelino já foi assaltado três vezes e convive com esse risco todas as vezes que sai para viajar. “A primeira vez que fui assaltado, em 1994, eu estava tomando banho, em um posto e quando voltei o caminhão não estava mais, meu chão caiu. Na outra vez, eu tinha parado para ir jantar em um restaurante e me levaram junto com o caminhão. Isso foi na frente da fábrica que eu ia descarregar, os ladrões acharam que eu estava carregado com cerveja, mas era água. Depois de andar comigo, ele me liberaram. Na última vez, eu parei para dormir, por volta das 23 horas, em Rezende, no Rio de Janeiro, quando me levaram junto com o caminhão”, recorda Deio.

Mas não são somente os perigos com assaltos que afetam os motoristas. As estradas, em más condições, põem a vida dos trabalhadores em perigo. “Faço mais o trajeto Santa Catarina/Rio de Janeiro/ São Paulo. Lembro que teve uma época que na Régis Bittencourt tínhamos que andar pelo acostamento, na contramão. Hoje as rodovias melhoraram, mas ainda deixam muito a desejar”, analisa o caminhoneiro.

Além de todo o perigo, os profissionais precisam viver com a solidão. Deixam a família em casa para ir em busca do sustento do lar. “Sou casado e tenho uma filha de nove anos, que pouco pude acompanhar o crescimento.

O Natal, sempre tentei preservar e estar com a minha família, no entanto, muitos aniversários, eu passei na estrada, sozinho. Nossa profissão é sofrida. Não temos hora para sair de casa e nem para chegar. Além disso, não dependo somente de mim, motorista, mas de todo o sistema rodoviário”, observa Adelino.

“Ainda que somos a mola- mestra do transporte, nós caminhoneiros somos desvalorizados e desmoralizados. Não temos o devido valor que merecemos. Mas, cada um deve parar para pensar que a roupa que veste precisou de um caminhoneiro para chegar até a sua casa. Tudo depende de nós e sem os motoristas e os caminhões, o Brasil para”, completa.

Fonte: Folha do Vale




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