SP-310, a rodovia ”mais cara” do Estado de São Paulo




Não é por acaso que usuários da Washington Luís (SP-310) a tratem como a rodovia mais cara do Estado de São Paulo. Ela tem o preço médio de pedágio mais alto do Estado – de R$ 8,62 por praça – e possui em Araraquara a terceira praça mais cara – R$ 12,40. Os valores são cobrados por passagem de veículo de passeio ou eixo de caminhão ou ônibus.

Nos seus 300 quilômetros de extensão, a SP-310 tem cinco pedágios – três da concessionária Triângulo do Sol e duas da Centrovias – cujas tarifas, somadas, custam R$ 43,10 para o motorista. No ano passado, a Triângulo faturou R$ 291,3 milhões com a passagem de 49.406 veículos em média por dia em seu trecho de concessão, que é de 226 quilômetros entre Mirassol e Araraquara. A Centrovias não informou seu faturamento.

Na média, a Washington Luís só perderia para a Anchieta, que possui uma única praça de pedágio, de R$ 20,10, o mais caro do Estado, com preço idêntico à praça na Imigrantes. Nem mesmo a Imigrantes, com quatro pedágios, tem média (R$ 7,27) superior à da SP-310. Na Anhanguera, rodovia apontada como a que causou mais mortes no Estado no ano passado, com 11 pedágios e 442 quilômetros de extensão, a média é de R$ 6,65. Na Bandeirantes, com cinco pedágios, a média é de R$ 6,36; na Castelo Branco, de R$ 6,91 para nove pedágios; na Raposo Tavares, com 11 pedágios, média de R$ 5,40 e na Rodovia Marechal Rondon, com 13 pedágios, a média é de R$ 4,36 – a menor entre as principais rodovias estaduais de São Paulo.

‘Trata-se, sem dúvida, da rodovia mais cara do Estado. Basta ver que o custo do pedágio é mais alto que o de combustível’, diz o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas da Região de São José do Rio Preto, Kagio Miúra.

De acordo com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), isso não é verdade, porque o valor da tarifa da rodovia, estabelecido por quilômetro, é de R$ 0,14 – todas do mesmo porte têm o mesmo valor. Mas, para Miúra, o que encarece a rodovia é o fato de ter preços diferentes nos seus cinco pedágios. ‘Se é o mesmo valor, por que os preços são diferentes?’, questiona, lembrando que na praça de Araraquara o valor é de R$ 12,70, enquanto na de Santa Adélia é de R$ 8,50. ‘A pessoa mais atenta vai perceber que as praças em locais de maior movimento têm tarifas mais altas, enquanto outras, em pontos de menor movimento, têm tarifas mais baixas, o que aumenta o faturamento de determinadas concessionárias e pune usuários.’

Para Miúra, isso explica porque a Washington Luís é considerada por transportadores a mais cara do Estado. ‘Essas rodovias antigas têm todos os serviços e obras previstos. Seus custos são basicamente de manutenção. Isso basta para que concessões sejam revistas, pois é absurdo custo de pedágio ser mais alto que de combustível.’

As duas concessionárias responderam, por suas assessorias, que a localização das praças e o valor das tarifas são de responsabilidade do governo do Estado.

Fonte: Estadão




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