O perfil dos chineses




As marcas chinesas de comerciais vão desembarcando no Brasil aos borbotões. Sem contar as estabelecidas há algum tempo com veículos de pequeno porte – como Chana, Effa, Hafei e Jinbei –, mais três chegam para concorrer em outras faixas de peso. Sinotruk e Shaanxi, nos pesados, e a Foton, no segmento de leves.

Todas as três, consideradas potências chinesas no ramo, chegam com planos de ir beliscando aos poucos boas fatias do mercado brasileiro. Para isso, têm cuidado da tropicalização dos produtos e investido firme na formação da rede de concessionários e centros de distribuição de componentes, que em boa parte levam marcas já conhecidas no País.

A Foton Motor Group – maior fabricante de veículos comerciais da China, com produção anual acima das 700 mil unidades – será representada aqui pela Foton Aumark do Brasil, formada por um grupo que detém negócios como a Autolife, empresa de blindagem e produção de carros-fortes, e uma revenda Hyundai em Belém, PA.

A companhia chinesa possui um extenso portfólio que inclui caminhões semileves, leves, médios e pesados, além de ônibus, utilitários, picapes e automóveis. Para o Brasil, contudo, virão apenas três versões leves das faixas de 3,5 a 9 toneladas. Márcio Vita, diretor executivo da Foton Aumark, explica que escolheram entrar pela linha de leves por diferentes motivos.

Entre os quais por ser um mercado em franco crescimento, com uma quantidade menor de concorrentes, e para evitar as dificuldades da transição para as normas de emissões Conama P7, ou Euro 5, devido às incertezas da existência de combustível de qualidade adequada em todas as regiões do País.

O diferencial maior dos modelos Aumark que aqui chegam está no fato de terem sido desenvolvidos especialmente para o mercado brasileiro pela Foton chinesa, que possui parcerias com Daimler, Bosch, Visteon e Cummins. Por isso os Aumark utilizam motores Cummins fabricados no Brasil e dentro das especificações das novas regras do Conama P7. Seu début em terras brasileiras, contudo, está marcado apenas para os salões da Fenatran, entre 24 e 28 de outubro, na capital paulista, no qual estarão presentes também todas as novas marcas de comerciais chinesas.

De início, a importadora brasileira investirá um total de R$ 50 milhões, boa parte deles em peças. Segundo Vita, preocupados com o bom atendimento, planejam triplicar os 4% a 5% normalmente gastos com estoque de componentes. Mesma preocupação com a rede nessa partida de negócios.

“Em um primeiro momento teremos dez pontos de vendas e assistência técnica, metade deles localizados no estado de São Paulo. Mas a meta é chegar a 2015 com 80 representantes.”

No mesmo embalo de tirar uma casquinha da demanda crescente, desembarcou por aqui o conglomerado Shaanxi, cujos veículos carregam a denominação de uma de suas companhias, a Shacman. No Brasil será representada pela Metro Shacman, importadora criada para representar a marca que produz caminhões há mais de 40 anos.

No Brasil vão ingressar no segmento de pesados que serão apresentados oficialmente também na Fenatran. São cavalos mecânicos nas configurações 4×2 e 6×4, com opções de motor de 385 e 420 cavalos, da fase Conama P7, que têm como base a plataforma Cummins ISM, empregados nos caminhões Ford e Volkswagen brasileiros.

João Comelli, diretor de produto da Metro Shacman, também enfatiza que “é um caminhão brasileiro montado na China”.

Do projeto de assistência técnica consta um centro de distribuição de peças na cidade paulista de Sorocaba, distante 102 quilômetros da capital. Adquiriram um terreno de 50 mil m2, onde 2 mil m2 serão destinados ao armazém e outra parte a uma área de revisões, ambas em pleno funcionamento em janeiro de 2012. Na fase 1, que engloba a criação da empresa, desenvolvimento dos produtos e homologações, já foram investidos R$ 10 milhões.

“Os gastos com a rede de concessionários e o centro de distribuição não estão consolidados nesse valor, porque ainda estão em fase inicial. Mas poderão chegar a R$ 100 milhões nos próximos três anos.”

No final de julho a Metro Shacman contava com 17 concessionárias praticamente firmadas em contrato. E a meta é chegar a 25 casas, em curto tempo.

Representada no Brasil pela importadora Elecsonic – empresa constituída com capital inicial de R$ 11 milhões –, a Sinotruk Group, que é um braço da CNHTG, China National Heavy Duty Truck Group, chegou por aqui em 2008. Naquela época, os representantes brasileiros trouxeram dois cavalos mecânicos Howo e colocaram em clientes, para sentir a operação no dia-a-dia. Hoje a Sinotruk Brasil conta com algumas centenas de unidades vendidas e operando, principalmente entre autônomos e transportadores de pequeno e médio porte, que acumulam quilometragens acima dos 300 mil quilômetros.

Os Howo oferecem versões para vocações rodoviárias e, recentemente, começaram a ser testados em outros nichos, com o transporte de cana. Os motores atuais são fabricados pela Sinotruk e ainda estão na fase Conama P5, ou Euro 3, no que diz respeito a emissões. Joel Anderson, diretor comercial da Sinotruk Brasil, antecipa que a marca está homologando os motores da fase P7, ou Euro 5, que entrarão em linha em 2012, mas estarão presentes no estande da Fenatran.

“Teremos potências de 20 em 20 cavalos na faixa de 320 a 460 cavalos”.

Ao mesmo tempo, seu time de engenheiros busca desenvolver peças e componentes junto ao mercado nacional. Um exemplo recente a Fras-le anunciou o lançamento de lonas de freios traseiras para os Howo.

“Na parte mecânica do caminhão não existe nada que o mercado desconheça. Na eletrônica básica é bem similar aos Volvo”.

De fato o modelo Howo é fruto de uma parceria com a fábrica sueca que durou até 2008 e, desse modo, tem elementos Volvo e uma cabina assinada do famoso designer italiano Giorgetto Giugiaro. Além disso, a Sinotruk firmou parceria recente com a MAN e possui acordos de cooperação com marcas como ZF, Wabco, Denso e Bosch.

A Sinotruk Brasil agora está montando novo centro de distribuição de peças em Campina Grande do Sul, PR, porque o original tornou-se pequeno para o estoque de componentes que correspondem ao caminhão inteiro. Praticamente em fase final de organização, o novo armazém faz entregas com urgência por avião e as normais com transportadora.

Em maio último a rede de concessionários contava com 28 casas e alguns postos avançados de serviço. Os planos naquela época eram de chegar a 40 revendas no final de 2011, mas o número acabou suplantado e, no início de agosto, já haviam 41 representantes instalados pelo Brasil.

O que oferece cada um

Foton – Aumark 311, 614 e 917

São três produtos das categorias semileves e leves. O Aumark 311 é um veículo compacto, com tração 4×2, 4,8 metros de comprimento e 1,82 metros de largura. Motor turboalimentado Cummins ISF 2.8, com sistema de injeção eletrônico Common Rail Bosch e potência de 108,7 cavalos, da fase Proconve 6, ou Euro 4 de emissões. Utiliza caixa de mudanças ZF 400. O 614 é um leve para 6 toneladas equipado com motor Cummins ISF 3.8 eletrônico, com potência máxima de 143 cavalos já adaptado para o Euro 5. E o modelo leve 917 com chassi de 8,3 metros de comprimento, 2,3 metros de altura e 2,1 metros de largura. Também utiliza motor Cummins ISF 3.8s 5089 de 170 cavalos da fase Euro 5 e possui opção de cabina estendida.

Shaanxi – Shacman TT 385 (4×2/6×2) TT 420 (6×4) e LT 385 (6×4)

As quatro versões de cavalos-mecânicos Shacman, utilizam o motor eletrônico Cummins ISM 11 E5 385, diesel com turbo e aftercooler de 10,8 litros e 6 cilindros em linha, com 385 cavalos de potência, da fase Conama P7, Euro 5. Dependendo da tração tem peso bruto total combinado de 46, 57 e 67 toneladas e capacidade máxima de tração de 67 e 72 toneladas, nas versões 385 e 420 cavalos.

Sinotruk – Howo 380 (6×2 e 6×4)

Duas versões de caminhão trator para um peso bruto total de 60 toneladas. Utilizam por enquanto motor eletrônico da Sinotruk, de injeção common rail, com potência máxima de 380 cavalos, ainda da fase Conama P5, ou Euro 3, de emissões. A partir de janeiro do próximo ano terão nova opção de propulsores com potências de 320, 340, 360, 380, 400, 420, 440 e 460 cavalos, da fase Conama P7, Euro 5.

Fonte: Transpodata

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