Pesquisa aponta que 30% dos caminhoneiros tomam rebite




 

 

 

Um estudo da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto aponta que 30% dos motoristas de caminhão usam remédios à base de anfetamina – medicamento de uso controlado – para dirigir.

O medicamento é usado para inibir o sono. Segundo a coordenadora da pesquisa, Sandra Pillon, o uso contínuo da medicação – conhecida popularmente como rebite – traz consequências sérias ao organismo, como a perda dos reflexos.

“Ele leva à dependência como uma outra droga, como o álcool, o cigarro. Ele (o motorista) acaba usando quantidades maiores que vem repercutir na sua própria saúde, como o aumento da pressão, alteração da respiração. Depois, em um segundo momento, leva à insônia, leva para um quadro meio depressivo”, explica.

João Maria Alves é motorista há 20 anos. Ele afirma que o uso de rebite é comum entre os caminhoneiros. “O frete está baixo. O pessoal quer trabalhar. O pessoal que trabalha com verdureiro tem horário pré-determinado. Se você chegar com horário, você ganha um bônus em cima do teu trabalho. Então, o pessoal é obrigado a se drogar para conseguir fazer esse tipo de trabalho”, relata.

Há pouco tempo, ele testemunhou a consequência da mistura entre anfetaminas e direção: perdeu o genro em um acidente. “Ele excedeu na dosagem e, quando deu na curva, estava dormindo e não teve mais o que fazer. Tombou e acabou falecendo”, conta.

Segundo a psicóloga Raquel Almqvist, que faz parte da Câmara de Saúde do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), o acesso a essas medicações, na maioria das vezes, é ilegal. O órgão discute a proposta de controlar remédios que possam alterar os sentidos ao volante, assim como já é feito em relação álcool na Lei Seca.

“Esses medicamentos estão sendo listados e nós estamos estudando de que forma isso pode ser levado, tanto aos médicos que receitam, quanto às pessoas que consomem esse medicamento, para que todos fiquem alertas do problema que pode causar quando ele estiver dirigindo”, conclui Raquel.

Fonte: EPTV




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