Normas internacionais devem modificar nível de emissões na navegação




Padrões de eficiência energética para embarcações, aliados a combustível mais limpo, estão entre as metas estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO) para a redução, nas próximas décadas, dos níveis de emissões de poluentes do setor de navegação. “Ambos os aspectos estão em discussão e convergem para uma ação mais global, como a redução do enxofre no combustível e parâmetros de eficiência de motores”, afirma o gerente de Meio Ambiente da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Marcos Porto.

A ideia é melhorar o desempenho dos equipamentos e alcançar, até 2025, um índice de redução nas emissões de 30%, informa o assessor para Assuntos Internacionais do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Mário Mendonça.

“O transporte maritimo de fato representa entre 3 % e 4% dessa poluição. Você tem navios que transportam 14 mil contêineres, o que dá 14 mil caminhões. A poluição é bem inferior a outros meios de transporte. Bem pequena em relação aos demais”, afirma Mendonça.

As regras do órgão das Nações Unidas alcançam novas embarcações acima de 400 toneladas com contrato de construção assinado ou a quilha batida (primeiro ato administrativo da construção do navio) a partir de 2017, assim como navios entregues a partir de julho de 2019. Em relação ao combustível, as metas projetadas preveem a redução do teor de enxofre no diesel de 4,5% atuais para 3,5% em janeiro de 2012. Até 2020, o limite estimado deverá ser de 0,5%.

Tanto no caso dos equipamentos, quanto no dos combustíveis, terão de ser adotados padrões para a certificação. Diretrizes operacionais para os navios em operação também estão em discussão pelos países que integram a IMO.

Marcos Soares, diretor executivo da Federação Nacional das Empresas de Navegação Marítima, Fluvial, Lacustre e de Tráfego Portuário (Fenavega), afirma que algumas indústrias têm deixado de adquirir produtos de fornecedores que não apresentam preocupação com o meio ambiente. Soares acredita que a tendência futura é haver restrições a navios mais poluentes, e afirma que medidas desse tipo são válidas e interessantes, mas devem ser aplicadas dentro de um conjunto de ações que deem resultados no setor de transportes como um todo. “Elas não podem ser isoladas”, diz.

Marcos Porto, da Antaq, cita como exemplos de práticas voltadas para a redução dos poluentes das embarcações as zonas de exclusão existentes no norte da Europa para emissões de enxofre presente no combustível . “Os portos da Europa continental estão trabalhando as emissões com muita seriedade”, explica.

O gerente da Antaq considera o ajuste às mudanças climáticas “irreversível” e diz que essa adequação será incorporada ao custos operacionais das empresas: “o aumento do frete será uma conseqüência imediata, que determinará uma revisão dos preços dos produtos nos mercados de destino, com reflexos nos preços de produção.”

Fonte: Confederação Nacional do Transporte

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