Pesquisa indicará quantidade de grãos desperdiçada durante o transporte




Uma pesquisa inédita – elaborada por meio de parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Ministério da Agricultura – vai permitir ao setor de transportes conhecer a quantidade de grãos desperdiçada durante o trajeto pelas estradas do país, pelo interior ou até os portos. No final de setembro, os técnicos das entidades reuniram-se em Brasília e discutiram os detalhes do trabalho.

É a primeira vez que será realizado um levantamento completo sobre as perdas quantitativas e qualitativas durante a pós-colheita de grãos no Brasil, ou seja, durante a armazenagem e o transporte da colheita. Seis unidades da Embrapa – Pelotas (RS), Goiânia (GO), Passo Fundo (RS), Sete Lagoas (MG), Brasília (DF) e Londrina (PR) – participam do projeto. Quatro universidades também colaboram com o estudo: Viçosa (UFV), Brasília (UnB), Campinas (Unicamp) e Pelotas (UFPel).

“Não existe nenhum trabalho científico no Brasil sobre o assunto. O projeto prevê medidas que detectem como as perdas ocorrem e como elas podem ser reduzidas ou eliminadas, durante o transporte e a armazenagem”, explicou o pesquisador da Embrapa Soja de Londrina (PR), Irineu Lorine, um dos 70 profissionais envolvidos no trabalho. Os resultados devem ser entregues no prazo de quatro anos.

Segundo Lorine, o projeto pode incentivar o desenvolvimento do setor de transportes à medida em que será capaz de orientar a definição de políticas públicas de contenção, ou seja, para evitar o desperdício de grãos pelas rodovias ou durante o transporte até os portos. “Precisamos saber quais são os prejuízos reais, entender e avaliar os motivos, além de apontar os caminhos para solucionar o problema”, disse.

O projeto não será útil apenas à Conab, responsável pelo armazenamento de apenas 2% das 163 milhões de toneladas de grãos – milho, soja, trigo e arroz, por exemplo – produzidas no Brasil todos os anos, segundo estimativa do pesquisador da Embrapa. De acordo com Lorine, essa demanda existia há muitos anos e os resultados da pesquisa serão importantes porque “os trabalhos publicados até o momento são estimativas baseadas em experiências, não um trabalho com embasamento científico”.

Para aperfeiçoar o estudo, mais discussões serão mantidas ao longo dos quatro anos. Segundo Lorine, todos os detalhes técnicos já foram estabelecidos e o início dos trabalhos depende da alocação de recursos.

Fonte: Confederação Nacional do Transporte

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